Fiz anos. 32 primaveras. 32 voltas ao sol, e há coisas que não mudam, outras que desaparecem...
O meu pai foi internado na psiquiatria hoje, parece que há genes que herdamos de família, ou com a convivência, herdamos a forma de ver o mundo, e talvez a genética não tenha nada a ver com isto.
Depressão, por causa da crise em Portugal, perda de clientes, baixa de vendas, falência eminente, único sustento, um filho de 30 anos doente e desempregado, em casa. Yap, não é fácil neste momento, ser o meu pai.
Não sei se me devo meter num avião. Hesitei, não comprei bilhetes.
Agora já só devo voltar em Agosto. Gostava de lhe dizer para ter calma, que talvez pudesse ajudar financeiramente, mas ele é demasiado orgulhoso para pedir, e eu sei que o meu altruísmo em injectar algum dinheiro, talvez fosse só como colar um bocado de fita-cola num casco de navio que acabou de levar com um icebergue nos cornos... não ia resolver a problemática principal: o interior está a ficar vazio e já não há pessoas, não há clientes para os pequenos comerciantes. Como o meu pai.
Com o rapaz de Lisboa não resultou. Senti que tinha de acabar esta história para avançar com a vida. Não podia estar eternamente indecisa entre ir e ficar. Decidi ficar. Decidi que Portugal, provavelmente, só para a reforma. E ao ter decidido isto a minha vida mudou, comecei a apreciar muito mais a minha vida aqui em Paris, a ver aberturas e oportunidades profissionais onde antes não via. E Portugal foi ficando longe, longe, longe, longe...
Decidida a ficar sozinha o tempo que fosse preciso, 4 dias depois de ter acabado com ele, um rapaz que conheci 4 meses antes num evento do Salão do Chocolate, e de quem fiquei amiga, convida-me para ir jogar ténis com ele, só eu e ele, eu disse que não sabia jogar, ele disse que ensinava... parecia uma daquelas cenas de filme romântico, eu com a raquete na mão sem pescar uma, e ele por trás de mim, a pegar-me na mão e a ensinar-me, a segurar-me pelos ombros, mãos, cintura... e aquele perfume... fiquei rendida...
Já sabem que por aqui as aventuras continuam, apesar de ausente do mundo online, a vida real nunca esteve tão preenchida e cheia de aventuras. Ora positivas, ora negativas, a vida é mesmo assim, uma montanha russa de altos e baixos. Mas uma coisa tenho a certeza, há portas que se fecham para abrir outras, às vezes estamos só à distância de uma decisão.
Beijo na bunda, meus desarrumados ![]()