Andei aqui anos e anos e mal vi os destaques, agora que voltei a vir para aqui desabafar, nas vésperas de festejar a primeira década de blog, o Sapo deu-me a honra de me dar um destaque.
Muito obrigada,
beijo nessa bunda verdinha de Sapão malandro ![]()
Quase trinta (e cinco). Quase engraçada. Quase famosa no mundo dos blogs. Quase feliz.
Andei aqui anos e anos e mal vi os destaques, agora que voltei a vir para aqui desabafar, nas vésperas de festejar a primeira década de blog, o Sapo deu-me a honra de me dar um destaque.
Muito obrigada,
beijo nessa bunda verdinha de Sapão malandro ![]()
Tenho um paciente português neste momento e sinto que já não consigo fazer a minha profissão noutra língua que não seja o francês... para quem está emigrado ou trabalha com outras línguas isto é um fenómeno muito comum, não é?
Estava a dizer-lhe "começamos começar, ai desculpe enganei-me, costumamos costumar" ![]()
O que eu queria dizer "costumamos começar"...
ai emigração, deste-me muita coisa e tiraste-me outras tantas, o português correcto foi uma delas ![]()
Beijo na bunda ![]()
Ando a tentar não ver notícias porque sinto que o mundo está a desmoronar. Bem tento ser otimista, mas sinto que este planeta está a ficar sem ponta por onde se lhe pegue. Ou então, é alguém que "manda nisto" que quer que acreditemos nesta situação desesperada para alimentar os seus próprios interesses com os nossos medos?? Hmmmm...
Tenho tido outra vez muitas insónias... Até me questiono se algum dia me livrei completamente delas... Acho que são para a vida toda. É injusto, porque eu só queria dormir mais de 8h seguidas, pelo menos uma vez por semana! Será pedir muito???
Eu já fui a amiga negativa, já tive uma visão muito mais negra da vida. Vocês sabem! Vocês, meus fieis leitores, acompanharam algumas situações, neste blog que deixei um pouco abandonado. Penso várias vezes em vir limpar o pó aqui ao quartinho desarrumado, fazer a cama de lavado, deixar os cortinados e os tapetes ao sol, acender uma velinha de cheiro, e voltar a fazer disto casa. Penso mas não ajo. No entanto, de forma surpreendente, e contra todas as expectativas que já tive de desistir disto, hoje decidi que vinha cá, nem que fosse só dizer um olá.
Quero voltar a fazer crónicas, sobre vários assuntos, tal e qual um Bruno Nogueira, que tanto adoro e ouço o podcast religiosamente, excepto aquele detalhe em que não tenho piroca, tenho mamas (poucas), sou solteira e sem filhos, e não sou uma comediante de renome. Gostava de ter sido, talvez noutra vida nasça alguém com menos aversão à exposição pública, alguém que cresça numa capital, e que tenha acesso a outras oportunidades para se tornar uma artista.
Ainda assim, no meio do caos que foi a minha adolescência, consegui aceder a certos privilégios e tornar-me em alguém que até tem algumas coisas para contar. Entre voltas e voltinhas, entre percalços, sonhos e desistências, vim parar a Paris. Em julho abri o meu negócio próprio aqui, e está tudo a correr bem, mais do que bem. Desculpem não ter contado aqui, podem chicotear-me à vontade (eu até gosto), é só que estava tão cagada de medo que não contei a quase ninguém que não é do meu círculo próximo, construí tudo nas sombras, o meu objectivo era que fosse eu a ver a luz e esconder-me num buraco escuro se tudo fosse c'os porcos, investi muito. Tive uma mini fase de depressão quando comecei, achei que não ia ter pacientes, e eles foram chegando, um a um, e em 3 semanas enchi agenda.
Que fucking abençoada que és desarrumada, alguns vão dizer; mas sei que tenho trabalhado como um cão ao longo dos anos, prescindi de muitos projectos pessoas (projecto maternidade a ir pelo cano, à medida que os anos passam e escrevo este texto). Ouço os ovários a secar, mas ninguém quer saber, descobri enquanto montava os móveis todos do meu gabinete sozinha, que ninguém quer saber, nascemos sozinhos, completamente à mercê da boa vontade de quem queira cuidar da nossa versão mais bebé e indefesa, crescemos sozinhos, e morremos ainda mais sozinhos.
Fonte: pixabay
Cheguei a uma conclusão sobre a minha vida, a de que mais vale eu tentar fazer o melhor que posso para tornar esta vida numa que valha a pena ser vivida, e acreditem, não parece, mas quando digo isto já não estou depressiva, já nem estou sequer triste ou ansiosa, tenho só tentado ver a vida de forma cada vez mais pragmática e estóica. E esta merda ajudou-me. Percebi que me preocupava com muitas merdinhas que daqui a uns anos não vão ter importância nenhuma. Estas filosofias que tenho tentado seguir, ajudaram-me imenso a enfrentar os meus demónios... demónios esses que percebi em parte de onde vêm, mas isso é assunto para outros posts.
Outra coisa que me ajudou a mudar completamente de visão sobre a vida: comecei a trabalhar em part-time num lar de idosos. E se há um conselho que vos posso dar, bem sei que não sou pessoa cuja vida dê vontade de seguir os meus conselhos, mas façam o que eu digo e não o que eu faço: todos os velhotes do lar me dizem que a vida passou demasiado rápido e que todas as preocupações que tiveram hoje não têm importância nenhuma.
E com este conselho tirado do cu, me despeço.
Beijo na bunda ![]()
da vossa eterna dESarrumada
Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...