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domingo, 1 de dezembro de 2024

Ponto da situação.

Eu já fui a amiga negativa, já tive uma visão muito mais negra da vida. Vocês sabem! Vocês, meus fieis leitores, acompanharam algumas situações, neste blog que deixei um pouco abandonado. Penso várias vezes em vir limpar o pó aqui ao quartinho desarrumado, fazer a cama de lavado, deixar os cortinados e os tapetes ao sol, acender uma velinha de cheiro, e voltar a fazer disto casa. Penso mas não ajo. No entanto, de forma surpreendente, e contra todas as expectativas que já tive de desistir disto, hoje decidi que vinha cá, nem que fosse só dizer um olá.


Quero voltar a fazer crónicas, sobre vários assuntos, tal e qual um Bruno Nogueira, que tanto adoro e ouço o podcast religiosamente, excepto aquele detalhe em que não tenho piroca, tenho mamas (poucas), sou solteira e sem filhos, e não sou uma comediante de renome. Gostava  de ter sido, talvez noutra vida nasça alguém com menos aversão à exposição pública, alguém que cresça numa capital, e que tenha acesso a outras oportunidades para se tornar uma artista.


Ainda assim, no meio do caos que foi a minha adolescência, consegui aceder a certos privilégios e tornar-me em alguém que até tem algumas coisas para contar. Entre voltas e voltinhas, entre percalços, sonhos e desistências, vim parar a Paris. Em julho abri o meu negócio próprio aqui, e está tudo a correr bem, mais do que bem. Desculpem não ter contado aqui, podem chicotear-me à vontade (eu até gosto), é só que estava tão cagada de medo que não contei a quase ninguém que não é do meu círculo próximo, construí tudo nas sombras, o meu objectivo era que fosse eu a ver a luz e esconder-me num buraco escuro se tudo fosse c'os porcos, investi muito. Tive uma mini fase de depressão quando comecei, achei que não ia ter pacientes, e eles foram chegando, um a um, e em 3 semanas enchi agenda.


Que fucking abençoada que és desarrumada, alguns vão dizer; mas sei que tenho trabalhado como um cão ao longo dos anos, prescindi de muitos projectos pessoas (projecto maternidade a ir pelo cano, à medida que os anos passam e escrevo este texto). Ouço os ovários a secar, mas ninguém quer saber, descobri enquanto montava os móveis todos do meu gabinete sozinha, que ninguém quer saber, nascemos sozinhos, completamente à mercê da boa vontade de quem queira cuidar da nossa versão mais bebé e indefesa, crescemos sozinhos, e morremos ainda mais sozinhos.


pessoas_idosas.pngFonte: pixabay


Cheguei a uma conclusão sobre a minha vida, a de que mais vale eu tentar fazer o melhor que posso para tornar esta vida numa que valha a pena ser vivida, e acreditem, não parece, mas quando digo isto já não estou depressiva, já nem estou sequer triste ou ansiosa, tenho só tentado ver a vida de forma cada vez mais pragmática e estóica. E esta merda ajudou-me. Percebi que me preocupava com muitas merdinhas que daqui a uns anos não vão ter importância nenhuma. Estas filosofias que tenho tentado seguir, ajudaram-me imenso a enfrentar os meus demónios... demónios esses que percebi em parte de onde vêm, mas isso é assunto para outros posts. 


Outra coisa que me ajudou a mudar completamente de visão sobre a vida: comecei a trabalhar em part-time num lar de idosos. E se há um conselho que vos posso dar, bem sei que não sou pessoa cuja vida dê vontade de seguir os meus conselhos, mas façam o que eu digo e não o que eu faço: todos os velhotes do lar me dizem que a vida passou demasiado rápido e que todas as preocupações que tiveram hoje não têm importância nenhuma.


 


E com este conselho tirado do cu, me despeço.


Beijo na bunda 
da vossa eterna dESarrumada


 


 

domingo, 3 de março de 2024

Se o sonho não é teu, não o faças.


 


Lembram-se do ex de 2020, o francês, que queria ser pai mais do que tudo? Pois é, ele juntou-se de novo com a ex (aliás nunca deixou de falar com ela enquanto estava comigo na verdade), tiveram um bebé que tem exactamente o nome que ele queria, Léon, ele sonhava com o seu "petit Léon", e eu sentia algo extremamente desconfortável, eu sentia que ele não procurava uma mulher para amar, ele queria basicamente um veículo, um útero, que lhe permitisse ser pai.


E antes que digam que eu imaginei isto, eu vou justificar. Porque já sei que desde o 2o ano de blog, tenho uns "haters de estimação" que gostam de me enviar mensagens a chamar-me de paranóica e mimada, por isso decidi já antecipar em cada post, o tipo de merdas que essas pessoas podem imaginar que eu estou a viver.


Então é assim, calha da actual dele ser uma YouTuber/instagrammer de Marketing digital, relativamente conhecida aqui em França... Isso significa o quê ? Que ela conta a vida pessoal dela nas redes sociais. Contou a gravidez, contou o parto, contou o pós parto. Qual não é o meu espanto quando vi que ela participou num Podcast sobre o "arrependimento materno"!!! E foda-se, não é que ela diz exactamente tudo que eu pensei que ia sofrer se tivesse continuado com esse meu ex? Ela arrependeu-se de ter um filho, e deu montes de argumentos sobre esse arrependimento, e 80% deles relacionados com o pai do filho, o meu ex.


É, eu fico sempre naquela dúvida se as mulheres se arrependem mesmo do acto de ter filhos, ou se "só" se arrependem de "ter tido um filho com este badamerda específico"... Ainda estou para descobrir isto tudo, mas uma coisa eu sei, quando uma mulher decide ter um filho, tem que manter sempre ali in the back of her mind, a possibilidade nua e crua, de que pode vir a ter que ser ela a abdicar de mais coisas que o pai, em prol da criança, e que, infelizmente, pode até acontecer do homem bazar durante a gravidez, após o parto, anos depois, em qualquer momento, na verdade, sem nenhuma consequência em termos de perda de liberdade para ele.


Por isso meninas, se quiserem filhos façam-no por vocês, e não para agradar a outras pessoas, porque, na maior parte das vezes, ser mãe não é de todo o mesmo que ser pai. 
E sim, vão levar com este tema frequentemente por aqui, get used to it.


 


Beijinhos na bunda 💋

quarta-feira, 21 de julho de 2021

O que é ser alguém na vida?

Esta aventura que tive com este último rapaz tuga que trabalhava que nem um "cão" para ser alguém na vida, deixou-me a pensar...


Será que somos só o nosso trabalho?


Será que a única coisa que nos define é o número de dígitos na nossa conta bancária?


Se não tiver dinheiro, se não me estourar no trabalho, dando cabo da saúde física e mental, então torno-me ninguém na vida? Imaginando que sou esse famoso ninguém na vida, então o resto do tempo sou o quê? 

quarta-feira, 29 de abril de 2020

Diário de bordo 29.04.2020

como vos tinha dito, o Titi veio ter aqui comigo durante uns dias. Depois fui eu a casa dele, depois ele voltou aqui para o meu aniversário. Vocês não sabem, mas aqui a vossa dESarrumada já tem 29 anos! 


 


vinte 


e


nove!



 


Quando comecei o blog tinha 23 anos. Já lá vão quase 6 anos de emigração. E de muito crescimento.


 


As coisas com o Titi têm corrido bem. No início tivemos um arrufo por causa de uma ex dele, com quem ele ainda se dá e bebe cafézinhos, chateei-me com ele porque queria que ele deixasse de a ver, ele disse que não o faria porque actualmente ela era uma amiga dele, e eu não podia pedir-lhe isso, nem com ela, nem para deixar de ver quem quer que fosse.  


 


Fiquei amuada 1 dia. Depois decidi que não podia amuar com merdas destas, ou nunca ia construir nenhuma relação de jeito.


 


Aproveitei para usar esta situação para crescer. Fiz os exercícios de "auto-cura" da Psicóloga Nicole LePera que podem ver aqui. São exercícios de escrita chamados "Future Self Journaling", que nos ajudam a desligar certos circuitos automáticos no cérebro e a tornarmo-nos uma nova versão de nós mesmos. 


 


E tenho andado super bem. Tenho consolidado cada vez mais a crença de que ninguém nos pertence, um parceiro de vida é suposto acrescentar algo, eu não o possuo, e ele não me possui a mim, somos pessoas independentes... tal como entramos na vida um do outro também podemos sair, por traição, por ruptura amorosa, por doença, por acidente, ou morte. E por isso é tão importante aproveitar bem o tempo que temos juntos.


 


E também me apercebi de outra coisa relativamente a mim própria - isto foi muito doloroso - às vezes a resposta à pergunta "e se a pessoa mais tóxica da relação fores tu?" é sim. E isto é bem real, e é preciso termos consciência disto, que todos, em algum ponto da vida podemos ter comportamentos tóxicos... eu muitas vezes fico tão cega pelo ego que não me apercebo que tenho, eu mesma, comportamentos tóxicos de ciúmes e controlo excessivo. Consegui parar. Consegui aceitar, e tenho estado tão em paz. Desde aquela discussão que não voltei a abordar o assunto com ele, porque decidi voltar-me para dentro... descobrir mais sobre mim própria... e aproveitar este rapaz que tem sido uma bela descoberta e uma etapa fantástica da minha vida. 


 


Ele tem estado sempre muito presente, temos falado todos os dias, já partilhei com ele alguns dos meus sonhos e ele apoia-me em tudo. Ele contou-me os sonhos dele e eu apoio em tudo. Por isso, sinto que a coisa está bem encaminhada... e o confinamento está quase a acabar, vamos recuperar um bocadinho da vida no exterior... Não posso falar em recuperar o tempo perdido, porque este tempo em casa não foi de todo perdido. Foi tempo precioso em que pude trabalhar o meu EU interior. Mesmo estando há quase 2 meses sem ganhar nada financeiramente, não há dinheiro que pague o tempo dedicado ao desenvolvimento pessoal do qual pude usufruir nesta quarentena. 

Diário de bordo 29.04.2020

como vos tinha dito, o Titi veio ter aqui comigo durante uns dias. Depois fui eu a casa dele, depois ele voltou aqui para o meu aniversário. Vocês não sabem, mas aqui a vossa dESarrumada já tem 29 anos! 


 


vinte 


e


nove!



 


Quando comecei o blog tinha 23 anos. Já lá vão quase 6 anos de emigração. E de muito crescimento.


 


As coisas com o Titi têm corrido bem. No início tivemos um arrufo por causa de uma ex dele, com quem ele ainda se dá e bebe cafézinhos, chateei-me com ele porque queria que ele deixasse de a ver, ele disse que não o faria porque actualmente ela era uma amiga dele, e eu não podia pedir-lhe isso, nem com ela, nem para deixar de ver quem quer que fosse.  


 


Fiquei amuada 1 dia. Depois decidi que não podia amuar com merdas destas, ou nunca ia construir nenhuma relação de jeito.


 


Aproveitei para usar esta situação para crescer. Fiz os exercícios de "auto-cura" da Psicóloga Nicole LePera que podem ver aqui. São exercícios de escrita chamados "Future Self Journaling", que nos ajudam a desligar certos circuitos automáticos no cérebro e a tornarmo-nos uma nova versão de nós mesmos. 


 


E tenho andado super bem. Tenho consolidado cada vez mais a crença de que ninguém nos pertence, um parceiro de vida é suposto acrescentar algo, eu não o possuo, e ele não me possui a mim, somos pessoas independentes... tal como entramos na vida um do outro também podemos sair, por traição, por ruptura amorosa, por doença, por acidente, ou morte. E por isso é tão importante aproveitar bem o tempo que temos juntos.


 


E também me apercebi de outra coisa relativamente a mim própria - isto foi muito doloroso - às vezes a resposta à pergunta "e se a pessoa mais tóxica da relação fores tu?" é sim. E isto é bem real, e é preciso termos consciência disto, que todos, em algum ponto da vida podemos ter comportamentos tóxicos... eu muitas vezes fico tão cega pelo ego que não me apercebo que tenho, eu mesma, comportamentos tóxicos de ciúmes e controlo excessivo. Consegui parar. Consegui aceitar, e tenho estado tão em paz. Desde aquela discussão que não voltei a abordar o assunto com ele, porque decidi voltar-me para dentro... descobrir mais sobre mim própria... e aproveitar este rapaz que tem sido uma bela descoberta e uma etapa fantástica da minha vida. 


 


Ele tem estado sempre muito presente, temos falado todos os dias, já partilhei com ele alguns dos meus sonhos e ele apoia-me em tudo. Ele contou-me os sonhos dele e eu apoio em tudo. Por isso, sinto que a coisa está bem encaminhada... e o confinamento está quase a acabar, vamos recuperar um bocadinho da vida no exterior... Não posso falar em recuperar o tempo perdido, porque este tempo em casa não foi de todo perdido. Foi tempo precioso em que pude trabalhar o meu EU interior. Mesmo estando há quase 2 meses sem ganhar nada financeiramente, não há dinheiro que pague o tempo dedicado ao desenvolvimento pessoal do qual pude usufruir nesta quarentena. 

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Como reagir quando ele deixa a tampa da sanita para cima?

Moro no sexto andar e meio. E partilho esse andar que não é inteiro, é só uma metade, com um rapaz, estudante, que está a morar num estúdio com o mesmo tamanho que o meu e se chama Paul. Ele deve estudar bastante porque só o ouço sair do estúdio dele para ir à casa de banho. Sim, já vos disse algures por aqui que o cubículo com a sanita onde faço as minhas queridas necessidades fica no corredor. Yah. A minha mãe diz que voltei ao conceito antigo de "ir cagar ao mato".


 


Pois bem, mulheres deste mundo que moram com homens... como é que suportam a tampa da sanita deixada em cima? Como aguentam sem arrancar cabelos? Eu não conheço o Paul de lado nenhum (só o vi uma vez assim de raspão no corredor) e se pudesse já mandava vir com ele por causa do raio do tampo da sanita que, 70% das vezes em que ele vai à casa-de-banho fica para cima. As outras 30% das vezes é quando ele vai lá para fazer cocó.


 

Como reagir quando ele deixa a tampa da sanita para cima?

Moro no sexto andar e meio. E partilho esse andar que não é inteiro, é só uma metade, com um rapaz, estudante, que está a morar num estúdio com o mesmo tamanho que o meu e se chama Paul. Ele deve estudar bastante porque só o ouço sair do estúdio dele para ir à casa de banho. Sim, já vos disse algures por aqui que o cubículo com a sanita onde faço as minhas queridas necessidades fica no corredor. Yah. A minha mãe diz que voltei ao conceito antigo de "ir cagar ao mato".


 


Pois bem, mulheres deste mundo que moram com homens... como é que suportam a tampa da sanita deixada em cima? Como aguentam sem arrancar cabelos? Eu não conheço o Paul de lado nenhum (só o vi uma vez assim de raspão no corredor) e se pudesse já mandava vir com ele por causa do raio do tampo da sanita que, 70% das vezes em que ele vai à casa-de-banho fica para cima. As outras 30% das vezes é quando ele vai lá para fazer cocó.


 

domingo, 15 de dezembro de 2019

sem motivação...

tenho um sonho... aliás, tenho vários sonhos... mas tal como o outono que chega e manda abaixo as folhas das árvores, também a notícia sobre a morte do meu avô chegou deitando-me abaixo... embora não pareça... a verdade é que já não andava bem antes... mas sinto-me um "sobe-e-desce" emocional... ora estou super alegre e com montes de projectos, ora estou a deprimir e a chorar as pedras da calçada. Não gosto de estar assim, não gosto de ser assim, não gosto de me ver assim... sinto que não há grande coisa que me consiga fazer verdadeiramente feliz neste momento. e por outro lado sei que tenho que pensar positivo, vibrar positivamente para atrair cenas boas e todas essas balelas do "the secret"... às vezes só me apetece arrancar cabelos, e voltar para uma situação onde tudo fosse mais fácil... mas não sei como...

sem motivação...

tenho um sonho... aliás, tenho vários sonhos... mas tal como o outono que chega e manda abaixo as folhas das árvores, também a notícia sobre a morte do meu avô chegou deitando-me abaixo... embora não pareça... a verdade é que já não andava bem antes... mas sinto-me um "sobe-e-desce" emocional... ora estou super alegre e com montes de projectos, ora estou a deprimir e a chorar as pedras da calçada. Não gosto de estar assim, não gosto de ser assim, não gosto de me ver assim... sinto que não há grande coisa que me consiga fazer verdadeiramente feliz neste momento. e por outro lado sei que tenho que pensar positivo, vibrar positivamente para atrair cenas boas e todas essas balelas do "the secret"... às vezes só me apetece arrancar cabelos, e voltar para uma situação onde tudo fosse mais fácil... mas não sei como...

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

8. Que baste.

Tivemos um primeiro date perfeito.


 


Tivemos um segundo date perfeito - jantar num restaurante asiático (quem aqui também adora um bom Ramen???), ali no quartier da Ópera de Paris. Depois fomos dar uma volta de metro. Ele acompanhou-me a casa e beijou-me quando chegámos à porta.


 


Foi tudo tão bonito.


 


Mas entretanto na sexta-feira (há mais de uma semana atrás) mandei-lhe uma mensagem a dizer que fazia 5 anos em França. A resposta dele foi fria.


 


Muito fria.


 


Eu respondi sendo simpática. Ele não voltou a responder mais, até ao domingo à noite. Dia em que recebi a notícia da morte do meu avô. Estava triste, muito triste.


 


A mensagem dele dizia: "quando estás livre esta semana?"


 


Passei-me.


 


Decidi aceitar os danos colaterais da mensagem que estava prestes a mandar.


 


"Desculpa, gostava de voltar a estar contigo. Mas isto de ficar dias e dias sem falar não é para mim. Preciso de mais."


 


Às vezes com a precipitação dizemos e fazemos coisas que mais tarde nos arrependemos. E este tipo de atitudes que tenho, de cabeça quente, são fruto da imensa falta de auto-estima que tenho por mim própria...


 


Ele respondeu: "não gosto de enviar mensagens, que queres que te diga?"


 


Passei-me. Detesto este tipo de respostas passivo-agressivas. Mas, provavelmente, ele respondeu assim porque se sentiu atacado por mim. 


 


Trocámos mais uma ou duas mensagens, eu desejei-lhe boa continuação. Ele disse-me que estava a exagerar e que eu queria que ele agisse comigo como se já estivéssemos a namorar, algo que não estávamos. 


 


Eu disse-lhe que só queria uma resposta às minhas sms. Mas que também não lhe estava a pedir para casarmos no dia seguinte.


 


Ele parou de responder. Senti-me parva. Mas decidi aceitar os danos colaterais da minha decisão precipitada. Que era nunca mais nos voltarmos a falar. Por uma estupidez.


 


Apercebi-me que não me fazia assim tanta diferença se ele saia ou não da minha vida. Afinal, tínhamos acabado de nos conhecer... não consegui perceber o porquê da minha "raiva" por ele não responder às mensagens... O Half-French tem um defeito, ele preenche demasiados items da minha lista de "rapaz perfeito" e acho que é isso que me deixa parva. Não sei lidar quando conheço um rapaz que pode ser "o tal"... e quero tudo muito rápido, para ontem.


 


Penso que ainda guardo cá dentro muita da mágoa que vivi com o Ele, o facto de ele dizer que me amava, mas nunca responder, o facto de estarmos em dois países diferentes e mal falarmos...


 


Isto da mini-discussão foi no domingo à noite. Na segunda-feira, passei o dia todo a pensar no meu avô. E no half-french. E no fim-de-semana espetacular que tinha tido, antes disso tudo. Não posso falar disso aqui por razões de anonimato, mas a pessoa em questão, sabe que é especial na vida de todas nós . Adorei estar envolvida na preparação esta surpresa! :D


 


Entretanto, decidi abandonar as mágoas do passado. Decidi que, apesar do que vivi com o Ele, não posso deixar que isso se repercuta em todas as minhas futuras relações. 


 


Decidi que tinha que deixar ir. Tinha que abandonar todas as expectativas que poderia colocar nos outros. Eu basto-me, e não preciso de outro alguém para me completar. Eu já sou completa.


 


Passei a semana toda a meditar nesta nova resolução. De me completar a mim própria, e de deixar de meter esse peso, o de me fazer feliz, nos ombros de outra pessoa. Falei com a minha mãe em vídeo-chamada todos os dias, ela estava triste, muito triste, com a morte do pai. E eu com a morte do meu avô. Vivi uma das piores semanas da minha vida. E quando quase me tentaram roubar o telemóvel, percebi que estava a passar por uma transformação interna importante, mas que estava a emitir demasiadas energias negativas enquanto o fazia. 


 


Tinha que reverter esta situação. Nessa noite cheguei a casa a tremer, em pânico.


 


"preciso de energias positivas, preciso que algo de bom me aconteça!" pensava, em loop.


 


No dia seguinte, do nada, o half-frencch enviou-me uma mensagem, a perguntar como estava. Ele deu-me outra oportunidade, e decidi fazer o mesmo. Respondi, combinámos encontro para dar um passeio no bois de Boulogne. Estava bom tempo, como na semana anterior.


 


Passámos por casa dele, ele fez o almoço. Massa com espinafres e um "bife" vegetariano. Ele é vegetariano, eu estou em transição por período indeterminado, mas sei que vou acabar por enveredar só por esse tipo de alimentação... estou farta de comer outros seres vivos... mas preciso de tempo para mudar.


 


Ficámos no sofá dele a dar beijinhos e depois ele acompanhou-me até ao metro. Fui jantar com uns amigos portugueses daqui. 


 


Gostei de voltar a estar com ele. E decidi deixar de ser parva e parar de esperar que sejam os outros a fazer-me feliz. Enquanto estiver à espera de outro alguém para ser feliz, nunca vou conseguir descobrir a felicidade que é amar-me e bastar-me a mim própria.


 


 

8. Que baste.

Tivemos um primeiro date perfeito.


 


Tivemos um segundo date perfeito - jantar num restaurante asiático (quem aqui também adora um bom Ramen???), ali no quartier da Ópera de Paris. Depois fomos dar uma volta de metro. Ele acompanhou-me a casa e beijou-me quando chegámos à porta.


 


Foi tudo tão bonito.


 


Mas entretanto na sexta-feira (há mais de uma semana atrás) mandei-lhe uma mensagem a dizer que fazia 5 anos em França. A resposta dele foi fria.


 


Muito fria.


 


Eu respondi sendo simpática. Ele não voltou a responder mais, até ao domingo à noite. Dia em que recebi a notícia da morte do meu avô. Estava triste, muito triste.


 


A mensagem dele dizia: "quando estás livre esta semana?"


 


Passei-me.


 


Decidi aceitar os danos colaterais da mensagem que estava prestes a mandar.


 


"Desculpa, gostava de voltar a estar contigo. Mas isto de ficar dias e dias sem falar não é para mim. Preciso de mais."


 


Às vezes com a precipitação dizemos e fazemos coisas que mais tarde nos arrependemos. E este tipo de atitudes que tenho, de cabeça quente, são fruto da imensa falta de auto-estima que tenho por mim própria...


 


Ele respondeu: "não gosto de enviar mensagens, que queres que te diga?"


 


Passei-me. Detesto este tipo de respostas passivo-agressivas. Mas, provavelmente, ele respondeu assim porque se sentiu atacado por mim. 


 


Trocámos mais uma ou duas mensagens, eu desejei-lhe boa continuação. Ele disse-me que estava a exagerar e que eu queria que ele agisse comigo como se já estivéssemos a namorar, algo que não estávamos. 


 


Eu disse-lhe que só queria uma resposta às minhas sms. Mas que também não lhe estava a pedir para casarmos no dia seguinte.


 


Ele parou de responder. Senti-me parva. Mas decidi aceitar os danos colaterais da minha decisão precipitada. Que era nunca mais nos voltarmos a falar. Por uma estupidez.


 


Apercebi-me que não me fazia assim tanta diferença se ele saia ou não da minha vida. Afinal, tínhamos acabado de nos conhecer... não consegui perceber o porquê da minha "raiva" por ele não responder às mensagens... O Half-French tem um defeito, ele preenche demasiados items da minha lista de "rapaz perfeito" e acho que é isso que me deixa parva. Não sei lidar quando conheço um rapaz que pode ser "o tal"... e quero tudo muito rápido, para ontem.


 


Penso que ainda guardo cá dentro muita da mágoa que vivi com o Ele, o facto de ele dizer que me amava, mas nunca responder, o facto de estarmos em dois países diferentes e mal falarmos...


 


Isto da mini-discussão foi no domingo à noite. Na segunda-feira, passei o dia todo a pensar no meu avô. E no half-french. E no fim-de-semana espetacular que tinha tido, antes disso tudo. Não posso falar disso aqui por razões de anonimato, mas a pessoa em questão, sabe que é especial na vida de todas nós . Adorei estar envolvida na preparação esta surpresa! :D


 


Entretanto, decidi abandonar as mágoas do passado. Decidi que, apesar do que vivi com o Ele, não posso deixar que isso se repercuta em todas as minhas futuras relações. 


 


Decidi que tinha que deixar ir. Tinha que abandonar todas as expectativas que poderia colocar nos outros. Eu basto-me, e não preciso de outro alguém para me completar. Eu já sou completa.


 


Passei a semana toda a meditar nesta nova resolução. De me completar a mim própria, e de deixar de meter esse peso, o de me fazer feliz, nos ombros de outra pessoa. Falei com a minha mãe em vídeo-chamada todos os dias, ela estava triste, muito triste, com a morte do pai. E eu com a morte do meu avô. Vivi uma das piores semanas da minha vida. E quando quase me tentaram roubar o telemóvel, percebi que estava a passar por uma transformação interna importante, mas que estava a emitir demasiadas energias negativas enquanto o fazia. 


 


Tinha que reverter esta situação. Nessa noite cheguei a casa a tremer, em pânico.


 


"preciso de energias positivas, preciso que algo de bom me aconteça!" pensava, em loop.


 


No dia seguinte, do nada, o half-frencch enviou-me uma mensagem, a perguntar como estava. Ele deu-me outra oportunidade, e decidi fazer o mesmo. Respondi, combinámos encontro para dar um passeio no bois de Boulogne. Estava bom tempo, como na semana anterior.


 


Passámos por casa dele, ele fez o almoço. Massa com espinafres e um "bife" vegetariano. Ele é vegetariano, eu estou em transição por período indeterminado, mas sei que vou acabar por enveredar só por esse tipo de alimentação... estou farta de comer outros seres vivos... mas preciso de tempo para mudar.


 


Ficámos no sofá dele a dar beijinhos e depois ele acompanhou-me até ao metro. Fui jantar com uns amigos portugueses daqui. 


 


Gostei de voltar a estar com ele. E decidi deixar de ser parva e parar de esperar que sejam os outros a fazer-me feliz. Enquanto estiver à espera de outro alguém para ser feliz, nunca vou conseguir descobrir a felicidade que é amar-me e bastar-me a mim própria.


 


 

domingo, 10 de novembro de 2019

6. Ecos.

Tudo que fazemos ecoa na eternidade. Disso não me restam dúvidas. Hoje foi um Domingo de introspecção... são neste momento 3h da manhã e amanhã é feriado aqui em França. Mas como dormi até tarde, não tenho sono rigorosamente nenhum.


Ando a reflectir nesta coisa de estarmos quase a mudar de década... e no facto de já só faltar cerca de um mês e pouco para que isso aconteça.


Hoje passei o dia todo com a sensação de que não fiz nada de jeito com o meu ano. Parece que passou tudo a correr. No entanto, esta insónia, levou-me a cuscar os vídeos que tenho no telemóvel... como troquei de telemóvel antes de ir para a Austrália, o facto deste telemóvel ter muita memória, aliado ao facto de eu raramente passar coisas para o computador... tudo isto fez com que, eu tenha literalmente, todos os vídeos que fiz este ano ainda no telemóvel.


E é incrível, desde à viagem à Austrália, à mudança de trabalho, à viagem a Portugal com a H, a mudança para Paris... a viagem a setembro para os anos da minha mãe, mais vídeos de Paris. 2 concertos espectaculares: George Ezra e Salvador Sobral. Mais uma viagem a Amesterdão. Ainda falta um congresso em Madrid e mais umas quantas coisas que não posso dizer ainda, por motivos...


Posso dizer que, este ano foi extremamente preenchido... apesar de ter passado o dia a pensar que não, que não tenho feito nada da minha vida... tudo só porque não há um resultado palpável... algo que possa olhar e dizer: este ano fiz isto... não estou numa nova relação, não engravidei, não fiz nenhuma formação que me altere algum estatuto ou que me faça mudar de profissão... por enquanto 


Aconteceu tanta coisa, e se tinha a certeza que este ano ia ser um ano de transformação e de mais auto-conhecimento, nunca pensei que tomasse uma decisão que pode vir a afectar os próximos anos... mas tomei. E vamos lá ver como corre.


Sei que não estás a perceber nada... mas tudo a seu tempo. Daqui a uns meses conto-te tudo, tudo. Só queria que ficasse aqui registado que, sim, fiz muita coisa em 2019. Os vídeos e fotos que vi hoje são a prova disso. Mas o mais importante são as vidas que tocamos nesse processo, e as que nos tocam a nós, tudo isso fica gravado e ecoa para a eternidade... Sinto sempre que só agora estou a começar.

6. Ecos.

Tudo que fazemos ecoa na eternidade. Disso não me restam dúvidas. Hoje foi um Domingo de introspecção... são neste momento 3h da manhã e amanhã é feriado aqui em França. Mas como dormi até tarde, não tenho sono rigorosamente nenhum.


Ando a reflectir nesta coisa de estarmos quase a mudar de década... e no facto de já só faltar cerca de um mês e pouco para que isso aconteça.


Hoje passei o dia todo com a sensação de que não fiz nada de jeito com o meu ano. Parece que passou tudo a correr. No entanto, esta insónia, levou-me a cuscar os vídeos que tenho no telemóvel... como troquei de telemóvel antes de ir para a Austrália, o facto deste telemóvel ter muita memória, aliado ao facto de eu raramente passar coisas para o computador... tudo isto fez com que, eu tenha literalmente, todos os vídeos que fiz este ano ainda no telemóvel.


E é incrível, desde à viagem à Austrália, à mudança de trabalho, à viagem a Portugal com a H, a mudança para Paris... a viagem a setembro para os anos da minha mãe, mais vídeos de Paris. 2 concertos espectaculares: George Ezra e Salvador Sobral. Mais uma viagem a Amesterdão. Ainda falta um congresso em Madrid e mais umas quantas coisas que não posso dizer ainda, por motivos...


Posso dizer que, este ano foi extremamente preenchido... apesar de ter passado o dia a pensar que não, que não tenho feito nada da minha vida... tudo só porque não há um resultado palpável... algo que possa olhar e dizer: este ano fiz isto... não estou numa nova relação, não engravidei, não fiz nenhuma formação que me altere algum estatuto ou que me faça mudar de profissão... por enquanto 


Aconteceu tanta coisa, e se tinha a certeza que este ano ia ser um ano de transformação e de mais auto-conhecimento, nunca pensei que tomasse uma decisão que pode vir a afectar os próximos anos... mas tomei. E vamos lá ver como corre.


Sei que não estás a perceber nada... mas tudo a seu tempo. Daqui a uns meses conto-te tudo, tudo. Só queria que ficasse aqui registado que, sim, fiz muita coisa em 2019. Os vídeos e fotos que vi hoje são a prova disso. Mas o mais importante são as vidas que tocamos nesse processo, e as que nos tocam a nós, tudo isso fica gravado e ecoa para a eternidade... Sinto sempre que só agora estou a começar.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

3. Carro.

Disse que voltava aqui para te falar do meu carro.


 


Vendi o meu carro. O segundo que tive na vida. O primeiro comprei em Portugal com o meu primeiro salário, e dinheiro que tinha poupado durante 3 anos para fazer Erasmus. Intercâmbio no Reino Unido, para o qual fui seleccionada, somente duas vagas disponíveis! e do qual acabei por desistir, por pressão do meu pai, devido a dificuldades económicas... Estão a ver quando estamos entusiasmados para realizar um sonho, e os nossos pais, dos quais somos financeiramente dependentes, nos dizem a frase-mata-sonhos: "eu não tenho dinheiro para te pagar isso".


 


E vocês, ingénuos, aceitam o que os vossos pais decidiram que era o melhor para vocês... Apesar de saberem que, há bolsa, há formas de trabalhar para a universidade e ganhar uns trocos... Havia tanta forma de me ter safado, tanta solução, tinha tanta certeza de que ia correr bem, e mesmo assim ouvi o meu pai, e desisti. Lembro-me daquela quarta-feira, acordei cedo para ir falar com a professora responsável pela colocação nos Erasmus... 


 


"Professora, vim aqui para desistir da minha vaga e passá-la ao próximo na lista" (eu era a primeira a ter ficado colocada... Com a minha desistência, o terceiro colocado foi no meu lugar...)


 


"Você tem noção da oportunidade que está a deitar fora? Tem noção da quantidade de pessoas que queriam estar no seu lugar?"


 


"Tenho sim, mas por razões familiares não vou conseguir ir". 


 


Este foi um daqueles dias que mudou tudo na minha vida. O sonho de emigrar para o UK foi-se...


 


Saí daquela sala e contornei a minha escola por trás, para evitar o caminho principal e ter de me cruzar com pessoas conhecidas, em apneia fui caminhando entre os departamentos, até chegar à parte de trás da biblioteca, onde dava para ver a ria, e aquela paisagem magnífica que me acompanhou em muitas tardes de estudo... Era mesmo muito cedo, estava um bocado de nevoeiro. E a apneia foi-se. Comecei a chorar. Chorei tanto. Chorei (quase) tudo. Naquele dia senti que um caminho, de entre tantos outros caminhos que podia ter escolhido, tinha desaparecido para todo o sempre.


 


Chorei:


Por não ter nascido com mais posses monetárias,


Por não ter tido coragem de dizer foda-se ao meu pai,


Por ter tido medo de falhar e ouvir um "eu bem te avisei que o dinheiro não ia chegar".


 


Tive medo, muito medo... E com medo de desiludir os meus pais, desiludi-me a mim própria. E desisti...


 


Hoje não sei como teria sido a minha vida se tivesse ido para o Reino Unido e não para França? É engraçado... E ao mesmo tempo não tem piada nenhuma! Como um só segundo de indecisão, pode mudar tudo. O plano era: erasmus e depois procurar trabalho por lá. 


 


Entretanto, com o curso acabado, comprei o meu primeiro carro, com o qual não tinha sonhado, com o dinheiro de outro sonho... porque o trabalho que tinha na altura era relativamente longe de onde morava... Depois com as poupanças que voltei a fazer nesse trabalho, emigrei. Para França. O Reino Unido tinha um sabor tão agridoce que nem voltei a considerar essa hipótese. O primeiro carro lá ficou, com os meus pais, e irmão, são eles que o usam, já não me pertence... Mas quando vou a Portugal e vejo a puta daquele carro, não consigo deixar de pensar "e se tivesse ido?" 


 


Traz-me recordações pesadas. 


 


Chegada a França, numa terrinha com mais vacas do que habitantes, tive que voltar a comprar outro carro após um ano. Um carrinho pequenino, que ficou comigo por 3 anos. Chorei muito naquele carro, mas também ri muito. E as quantidades industriais de chocolate que comi lá dentro... Um carro tem sempre tantas histórias para contar não tem? Até o raio da matrícula tinha as minhas iniciais! 


 


Vendi-o no dia 2 de Setembro deste ano. Foi muito mal negociado e perdi quase tudo que paguei por ele... Só em TGV para o ir vender, foi quase tudo que me pagaram... Carros nunca são um investimento, mas isso eu já sabia. Contudo, fiquei mais leve. Não há gasolina para meter, não há inspecção para fazer, não há mais seguro para pagar. Aqui em Paris, quando quiser partir, é só pegar na troxas que tenho, meter tudo num saco (ou dois!) e bazar. Já não há mais nada para vender.


 


Sobre o carro#1: consegui perdoar o meu pai. E, 7 anos depois, a mim também... Mas só porque aprendi a aceitar que estou onde tenho que estar. É preciso deixar de pensar em quem podia ter sido, e concentrar-me na pessoa que sou e quero ser. 


 


Em termos materiais, não há mais nada que me prenda.


 


Ouve o que te digo, uma pessoa só se arrepende do que não faz... E isto que acabei de te contar é, provavelmente, o meu maior "e se..."


 


Mas a lista de arrependimentos a expurgar ainda é longa. Espero que estejas com paciência para ouvir. Obrigada por estares aí. 


 


 

3. Carro.

Disse que voltava aqui para te falar do meu carro.


 


Vendi o meu carro. O segundo que tive na vida. O primeiro comprei em Portugal com o meu primeiro salário, e dinheiro que tinha poupado durante 3 anos para fazer Erasmus. Intercâmbio no Reino Unido, para o qual fui seleccionada, somente duas vagas disponíveis! e do qual acabei por desistir, por pressão do meu pai, devido a dificuldades económicas... Estão a ver quando estamos entusiasmados para realizar um sonho, e os nossos pais, dos quais somos financeiramente dependentes, nos dizem a frase-mata-sonhos: "eu não tenho dinheiro para te pagar isso".


 


E vocês, ingénuos, aceitam o que os vossos pais decidiram que era o melhor para vocês... Apesar de saberem que, há bolsa, há formas de trabalhar para a universidade e ganhar uns trocos... Havia tanta forma de me ter safado, tanta solução, tinha tanta certeza de que ia correr bem, e mesmo assim ouvi o meu pai, e desisti. Lembro-me daquela quarta-feira, acordei cedo para ir falar com a professora responsável pela colocação nos Erasmus... 


 


"Professora, vim aqui para desistir da minha vaga e passá-la ao próximo na lista" (eu era a primeira a ter ficado colocada... Com a minha desistência, o terceiro colocado foi no meu lugar...)


 


"Você tem noção da oportunidade que está a deitar fora? Tem noção da quantidade de pessoas que queriam estar no seu lugar?"


 


"Tenho sim, mas por razões familiares não vou conseguir ir". 


 


Este foi um daqueles dias que mudou tudo na minha vida. O sonho de emigrar para o UK foi-se...


 


Saí daquela sala e contornei a minha escola por trás, para evitar o caminho principal e ter de me cruzar com pessoas conhecidas, em apneia fui caminhando entre os departamentos, até chegar à parte de trás da biblioteca, onde dava para ver a ria, e aquela paisagem magnífica que me acompanhou em muitas tardes de estudo... Era mesmo muito cedo, estava um bocado de nevoeiro. E a apneia foi-se. Comecei a chorar. Chorei tanto. Chorei (quase) tudo. Naquele dia senti que um caminho, de entre tantos outros caminhos que podia ter escolhido, tinha desaparecido para todo o sempre.


 


Chorei:


Por não ter nascido com mais posses monetárias,


Por não ter tido coragem de dizer foda-se ao meu pai,


Por ter tido medo de falhar e ouvir um "eu bem te avisei que o dinheiro não ia chegar".


 


Tive medo, muito medo... E com medo de desiludir os meus pais, desiludi-me a mim própria. E desisti...


 


Hoje não sei como teria sido a minha vida se tivesse ido para o Reino Unido e não para França? É engraçado... E ao mesmo tempo não tem piada nenhuma! Como um só segundo de indecisão, pode mudar tudo. O plano era: erasmus e depois procurar trabalho por lá. 


 


Entretanto, com o curso acabado, comprei o meu primeiro carro, com o qual não tinha sonhado, com o dinheiro de outro sonho... porque o trabalho que tinha na altura era relativamente longe de onde morava... Depois com as poupanças que voltei a fazer nesse trabalho, emigrei. Para França. O Reino Unido tinha um sabor tão agridoce que nem voltei a considerar essa hipótese. O primeiro carro lá ficou, com os meus pais, e irmão, são eles que o usam, já não me pertence... Mas quando vou a Portugal e vejo a puta daquele carro, não consigo deixar de pensar "e se tivesse ido?" 


 


Traz-me recordações pesadas. 


 


Chegada a França, numa terrinha com mais vacas do que habitantes, tive que voltar a comprar outro carro após um ano. Um carrinho pequenino, que ficou comigo por 3 anos. Chorei muito naquele carro, mas também ri muito. E as quantidades industriais de chocolate que comi lá dentro... Um carro tem sempre tantas histórias para contar não tem? Até o raio da matrícula tinha as minhas iniciais! 


 


Vendi-o no dia 2 de Setembro deste ano. Foi muito mal negociado e perdi quase tudo que paguei por ele... Só em TGV para o ir vender, foi quase tudo que me pagaram... Carros nunca são um investimento, mas isso eu já sabia. Contudo, fiquei mais leve. Não há gasolina para meter, não há inspecção para fazer, não há mais seguro para pagar. Aqui em Paris, quando quiser partir, é só pegar na troxas que tenho, meter tudo num saco (ou dois!) e bazar. Já não há mais nada para vender.


 


Sobre o carro#1: consegui perdoar o meu pai. E, 7 anos depois, a mim também... Mas só porque aprendi a aceitar que estou onde tenho que estar. É preciso deixar de pensar em quem podia ter sido, e concentrar-me na pessoa que sou e quero ser. 


 


Em termos materiais, não há mais nada que me prenda.


 


Ouve o que te digo, uma pessoa só se arrepende do que não faz... E isto que acabei de te contar é, provavelmente, o meu maior "e se..."


 


Mas a lista de arrependimentos a expurgar ainda é longa. Espero que estejas com paciência para ouvir. Obrigada por estares aí. 


 


 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

13 sintomas de depressão.

Eu pensava que estava bem, mas não estava.


Eu pensava que estava só cansada, mas não estava.


Eu pensava que estava a ser preguiçosa, mas não estava.


Eu pensava que estava a procrastinar, mas não estava.


Não só, mas também.


Eu pensava muita coisa... pensei em tudo, menos na verdade. 


Não sei se é do tempo, ou o caralho, mas hoje estava no trabalho a pensar "mas porque raio sinto que estou a perder a vida em mim?"


E apesar de tudo... é a primeira vez que me sinto tão triste e vazia por dentro, mas continuo a sorrir por fora. Até toda a gente me diz que ando mais alegre, leve e feliz.


Quem me dera... quem me dera...


 


Hoje, encontrei isto na Internet, e fiz match 13/13! Por isso decidi começar a falar sobre isto, antes que isto me engula. Pode ser que ajude alguém:


 


13 Sintomas de depressão 



Se você tem experimentado alguns dos seguintes sinais e sintomas a maior parte do dia, quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, você pode estar sofrendo de depressão:



- Humor triste, ansioso ou “vazio” persistente;
- Sentimentos de desesperança, luto ou pessimismo
- Irritabilidade
- Sentimentos de culpa, inutilidade ou desamparo
- Perda de interesse ou prazer pela vida, hobbies e atividades
- Diminuição da energia ou fadiga
- Mover ou falar mais devagar
- Sentir-se inquieto ou ter problemas para ficar sentado
- Dificuldade de concentração, lembrança ou tomada de decisões
- Dificuldade para dormir, despertar de manhã cedo ou dormir demais
- Apetite e / ou alterações de peso
- Pensamentos de morte ou suicídio, ou tentativas de suicídio
- Dores, dores de cabeça, cólicas ou problemas digestivos sem uma causa física clara e / ou que não se aliviam mesmo com o tratamento.


 


 


FONTE: https://www.vittude.com/blog/13-sintomas-de-depressao/

13 sintomas de depressão.

Eu pensava que estava bem, mas não estava.


Eu pensava que estava só cansada, mas não estava.


Eu pensava que estava a ser preguiçosa, mas não estava.


Eu pensava que estava a procrastinar, mas não estava.


Não só, mas também.


Eu pensava muita coisa... pensei em tudo, menos na verdade. 


Não sei se é do tempo, ou o caralho, mas hoje estava no trabalho a pensar "mas porque raio sinto que estou a perder a vida em mim?"


E apesar de tudo... é a primeira vez que me sinto tão triste e vazia por dentro, mas continuo a sorrir por fora. Até toda a gente me diz que ando mais alegre, leve e feliz.


Quem me dera... quem me dera...


 


Hoje, encontrei isto na Internet, e fiz match 13/13! Por isso decidi começar a falar sobre isto, antes que isto me engula. Pode ser que ajude alguém:


 


13 Sintomas de depressão 



Se você tem experimentado alguns dos seguintes sinais e sintomas a maior parte do dia, quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, você pode estar sofrendo de depressão:



- Humor triste, ansioso ou “vazio” persistente;
- Sentimentos de desesperança, luto ou pessimismo
- Irritabilidade
- Sentimentos de culpa, inutilidade ou desamparo
- Perda de interesse ou prazer pela vida, hobbies e atividades
- Diminuição da energia ou fadiga
- Mover ou falar mais devagar
- Sentir-se inquieto ou ter problemas para ficar sentado
- Dificuldade de concentração, lembrança ou tomada de decisões
- Dificuldade para dormir, despertar de manhã cedo ou dormir demais
- Apetite e / ou alterações de peso
- Pensamentos de morte ou suicídio, ou tentativas de suicídio
- Dores, dores de cabeça, cólicas ou problemas digestivos sem uma causa física clara e / ou que não se aliviam mesmo com o tratamento.


 


 


FONTE: https://www.vittude.com/blog/13-sintomas-de-depressao/

domingo, 6 de outubro de 2019

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.


 


Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...


 


Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 


 


Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.


 


Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 


 


Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.


 


Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.


 


Para o ano já é a minha vez. 


 


Foda-se. 


 


Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.


 


Boas eleições malta.


 


Beijo na bunda! 💋 

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.


 


Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...


 


Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 


 


Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.


 


Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 


 


Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.


 


Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.


 


Para o ano já é a minha vez. 


 


Foda-se. 


 


Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.


 


Boas eleições malta.


 


Beijo na bunda! 💋 

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Último dia.

Quatro anos e quatro meses a trabalhar no mesmo sítio. Até hoje.


Está tudo desarrumado.


Os cabelos. A roupa. A cama. Os lençóis. O coração. Os sonhos. 


A vida.

Hoje estou positiva

Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...