Um dos meus maiores defeitos, sem dúvida.
Sou carente. E muito.
Conheço alguém que me pareça minimamente aceitável e já esqueço todos os meus padrões e exigências.
Contento-me com o "mais ou menos", com o "vamos ver no que isto dá", com o "benefício da dúvida", com o "antes isto do que pior", com o "ele até faz isto e aquilo que são coisas boas".
Depois todas as minha relações acabam da mesma forma. Eles afastam-se.
Escondo tanto do que sou ao início que quando começo a mostrar quem verdadeiramente sou eles ficam confusos. Mas quem é esta? E a minha carência deve ver-se a léguas de distância, que os moços nem têm coragem de me dizer "já não te acho interessante", "quero acabar".
Nada, fica ali um vazio, uma dúvida a pairar no ar: "será que ainda estamos a fazer isto juntos?", "será que ele ainda quer um relacionamento comigo?".
E depois sofro. Sofro bastante, porque não fui exigente, deixei-me levar pelo "mais tarde logo se vê" e anulei-me enquanto mulher e pessoa.
Não se enganem, os narcisistas, manipuladores e coisas do género eu consigo topar, duram no máximo alguns meses e depois mando-os dar uma volta.
O meu problema, o maior problema, são os rapazes "assim-assim", aqueles em que olho para eles e digo "nhé, nada de especial, mas vai ter que remediar".
Nunca arrisco naqueles que deixariam o meu mundo de pernas para o ar. Na minha cabeça um rapaz assim não iria apaixonar-se por mim, porque o faria ele? Eu não sou merecedora de uma grande história. Estou destinada a situações inacabadas, coisas por dizer, dúvidas eternas sobre "o porquê?" do afastamento. Afinal, eu tinha dado tanto à relação, porque tinha que acabar assim? Sem ter sequer direito a uma explicação?
E sofro, e volto a sofrer, e as coisas vão se tornando cada vez mais curtas, pois agora as "aplicações de encontros" permitem tornar tudo mais rápido... falas uns dias com a pessoa, 2 encontros depois estás em casa dele a fazer amor com ele, nos lençóis dele, e 3 semanas depois ele deixa de falar contigo gradualmente, só te responde por educação, e quando deixas de ser a primeira a meter conversa, nunca mais tens notícias dele.
E tu que já tinhas dado tanto.
Um ciclo repetitivo. Algo com o qual não vou conseguir lidar, não estou a conseguir lidar, nunca conseguirei aceitar.
E no fundo, bem lá no fundo, sei que a culpa é minha. Não me amo, e atraio este tipo de situações para a minha vida. Em vez de estar sossegada a viver a minha vida, a acreditar que o que será meu, às minhas mãos virá parar. Não. Ando a forçar coisas, a querer ter nem que seja tirado a ferros, um romance do outro mundo.
Uma sonhadora. Uma rapariga carente. Alguém que cresceu a acreditar que não merecia ser verdadeiramente amada, que nenhuma das suas escolhas era a correcta, que precisava de alguém para decidir tudo. Alguém que pensa que é um homem que vai salvá-la desta solidão que sente todos os dias, deste vazio no peito, desta vontade de nunca estar onde está, de que podia estar melhor noutro sítio. Mas qual sítio?
A eterna insatisfeita hoje vai dormir com todas estas questões no peito. A questão aqui nunca foi receber o raio da mensagem, ou que ele se apaixona-se por mim, a questão aqui é não me amar o suficiente para saber que, mesmo que a mensagem não chegue, ou que o amor dele não surja, está tudo bem.
E ficará sempre tudo bem enquanto me tiver a mim.
Só preciso de amar mais esta pessoa que tenho sempre comigo.
Mas parece-me que isto vai ser um projecto para a vida toda.