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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Recolher obrigatório.

00h37, silêncio na rua, não se avista um único ser humano... A única prova de que ainda mora gente nesta rua são as janelas iluminadas. Moro numa rua onde costuma haver muito barulho, um bar aberto até às duas que costuma ter bêbados à porta, um hotel de faz-de-conta clandestino (sim, já viram hotéis com estendais da roupa nas janelas e uma placa na entrada que diz "sorry, we're full" há mais de 6 meses, não já?) .


O prédio ao lado do meu é provavelmente uma casa de putas, as flores falsas nas janelas dizem tudo. E os gajos árabes que costumam estar à entrada do prédio a partir das 23h da noite também.


 


Uns quantos pretos costumam estar na esquina da rua, agarrados ao telemóvel a falar com futuros compradores do produto que têm para vender. 


Normalmente não saio de casa até tarde, desde que moro aqui, sinto-me mais na África do Norte, do que em Paris. 


 


Mas hoje, pela primeira vez desde que aqui moro, olhei pela janela e não vi ninguém.


 


Recolher obrigatório na cidade. Eu cá digo que já vai sendo tempo de olharmos mais para dentro... Por isso vou meditar e dormir. Que maçada, não há mais nada para fazer...


 


Boa noite. 

Recolher obrigatório.

00h37, silêncio na rua, não se avista um único ser humano... A única prova de que ainda mora gente nesta rua são as janelas iluminadas. Moro numa rua onde costuma haver muito barulho, um bar aberto até às duas que costuma ter bêbados à porta, um hotel de faz-de-conta clandestino (sim, já viram hotéis com estendais da roupa nas janelas e uma placa na entrada que diz "sorry, we're full" há mais de 6 meses, não já?) .


O prédio ao lado do meu é provavelmente uma casa de putas, as flores falsas nas janelas dizem tudo. E os gajos árabes que costumam estar à entrada do prédio a partir das 23h da noite também.


 


Uns quantos pretos costumam estar na esquina da rua, agarrados ao telemóvel a falar com futuros compradores do produto que têm para vender. 


Normalmente não saio de casa até tarde, desde que moro aqui, sinto-me mais na África do Norte, do que em Paris. 


 


Mas hoje, pela primeira vez desde que aqui moro, olhei pela janela e não vi ninguém.


 


Recolher obrigatório na cidade. Eu cá digo que já vai sendo tempo de olharmos mais para dentro... Por isso vou meditar e dormir. Que maçada, não há mais nada para fazer...


 


Boa noite. 

sábado, 21 de março de 2020

Falhei enquanto portuguesa.

Uma das minhas melhores amigas francesas, que já conheço há mais de 4 anos, não sabia o que quer dizer CR7. Falhei. Mea culpa. Agora vou só ali castigar-me com um chicote no lombo. 

Falhei enquanto portuguesa.

Uma das minhas melhores amigas francesas, que já conheço há mais de 4 anos, não sabia o que quer dizer CR7. Falhei. Mea culpa. Agora vou só ali castigar-me com um chicote no lombo. 

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Guarda o teu regresso aqui.

Vim passar o fim de semana ao Porto, estou neste momento a fazer tempo antes de ir passar a noite no aeroporto, "dormir" e ir embora amanhã de manhã muito cedo.


 


A formação já acabou, e já estou nostálgica das pessoas que conheci por lá. Ainda há pessoas boas neste mundo, e por isso agradeço. Nos últimos anos tenho tido sempre pessoas impecáveis a cruzar o meu caminho. E vocês, já agradeceram alguma coisa hoje?


 


Confesso, quando fui embora de Portugal achei que o mundo inteiro estava contra mim, achei que este país me queria mal, que as pessoas aqui eram más, basicamente, achava que nunca ia conseguir ser feliz aqui. Na altura havia uma rapariga, colega de profissão, que me fazia a vida negra lá no trabalho onde estava, a ganhar 3€/hora a recibos verdes. Saí por causa do salário, mas não só, acho que a razão principal foi achar que não tinha amigos em Portugal e que nunca ia ter. Agora apercebo-me de que tinha uma visão da vida muito distorcida e muito negativa. A maior parte das pessoas só está a pensar no seu umbigo, e não quer saber dos meus stresses e ansiedades. E curiosamente, a vida quis que eu fizesse mais amigos em Portugal nos últimos 5 anos, desde que fui embora, do que aqueles que fiz e consegui manter durante 23 anos de vida aqui.


 


A vida tem coisas do arco da velha, não tem? 


 


E a moça que me fazia a vida negra no meu antigo trabalho? 


 


Morreu no verão passado, de cancro, com 31 anos. Andava a tentar ser mãe e descobriu um cancro entretanto, que evoluiu muito rápido. Eu soube tudo pelas redes sociais... E quando alguém partilhou a foto dela no perfil dela, com a data de nascimento e data de falecimento, percebi que a vida pode ser muito curta, demasiado curta. E sinceramente, ao ver a foto dela, percebi que já não a odiava. Não por já não estar entre nós, todos sabemos que o cemitério está cheio de pessoas que ainda são muito odiadas - é o caso da minha avó paterna, da qual não podemos falar lá em casa, tal é o ódio que o meu pai lhe tem, e no entanto já faleceu em 2000 - mas porque percebi que o que ela me fez só me ajudou a tomar uma decisão que mudou completamente o rumo da minha vida, e que sem esse rumo que acabei por tomar, não teria tomado a decisão que tomei nestes últimos dias. E não seria quem sou hoje. Obrigada. 


 


Sei que hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Que tudo que sonhamos pode vir a desmoronar de um dia para o outro, e que já esperei tempo de mais para ser feliz... Está na hora. 


 


Decidi a maior decisão da minha vida, hoje, mas também pode não ter importância nenhuma, amanhã. Como quando esperamos durante meses um evento importante e depois o dia chega, e passa super rápido... Dizemos "já passou" e viramos as ideias na direção de outra coisa não é?  


 


Os projectos são assim, a maior parte do tempo não vale a pena fazer um grande alarido, após serem concretizados o cérebro passa para o próximo projecto muito rapidamente. Por isso é que a decisão mais importante a tomar, é a de aproveitar a jornada, aproveitar cada dia como se fosse o último. Porque um dia temos razão. A cada segundo alguém vive o seu último dia em vida na terra. 


 


E sobre Portugal... Cheguei à conclusão que este país não me odiava, nem as pessoas me odiavam, eu é que me odiava a mim mesma. Achei que estar longe era o melhor para mim. E na altura foi. Foi o que precisei para crescer, e talvez ainda precise de estar longe para aprender a amar-me e a descobrir o caminho de regresso até mim. Mas, ultimamente, sinto que estou cada vez mais perto de encontrar esse caminho. E que quando estamos bem connosco próprios, pouco importa o país, pouco importa a casa, pouco importa o salário... 


 


Não sei se já leram o livro O Alquimista do Paulo Coelho? Eu li no ano passado quando fui à Austrália (Já passou um ano? Como assim?), e identifiquei-me muito com o fim. Porque me sinto como aquele pastor. 


 


Sinto que, às vezes, muitas vezes, vamos dar uma "ganda volta", para voltar exactamente ao lugar de onde partimos. Como é que só vi isto agora? Foi a viagem que me mudou e fez-me perceber que, o lugar onde comecei esta caminhada, já era o meu destino. 


 


Sei que estou a chegar a casa.


 


 

Guarda o teu regresso aqui.

Vim passar o fim de semana ao Porto, estou neste momento a fazer tempo antes de ir passar a noite no aeroporto, "dormir" e ir embora amanhã de manhã muito cedo.


 


A formação já acabou, e já estou nostálgica das pessoas que conheci por lá. Ainda há pessoas boas neste mundo, e por isso agradeço. Nos últimos anos tenho tido sempre pessoas impecáveis a cruzar o meu caminho. E vocês, já agradeceram alguma coisa hoje?


 


Confesso, quando fui embora de Portugal achei que o mundo inteiro estava contra mim, achei que este país me queria mal, que as pessoas aqui eram más, basicamente, achava que nunca ia conseguir ser feliz aqui. Na altura havia uma rapariga, colega de profissão, que me fazia a vida negra lá no trabalho onde estava, a ganhar 3€/hora a recibos verdes. Saí por causa do salário, mas não só, acho que a razão principal foi achar que não tinha amigos em Portugal e que nunca ia ter. Agora apercebo-me de que tinha uma visão da vida muito distorcida e muito negativa. A maior parte das pessoas só está a pensar no seu umbigo, e não quer saber dos meus stresses e ansiedades. E curiosamente, a vida quis que eu fizesse mais amigos em Portugal nos últimos 5 anos, desde que fui embora, do que aqueles que fiz e consegui manter durante 23 anos de vida aqui.


 


A vida tem coisas do arco da velha, não tem? 


 


E a moça que me fazia a vida negra no meu antigo trabalho? 


 


Morreu no verão passado, de cancro, com 31 anos. Andava a tentar ser mãe e descobriu um cancro entretanto, que evoluiu muito rápido. Eu soube tudo pelas redes sociais... E quando alguém partilhou a foto dela no perfil dela, com a data de nascimento e data de falecimento, percebi que a vida pode ser muito curta, demasiado curta. E sinceramente, ao ver a foto dela, percebi que já não a odiava. Não por já não estar entre nós, todos sabemos que o cemitério está cheio de pessoas que ainda são muito odiadas - é o caso da minha avó paterna, da qual não podemos falar lá em casa, tal é o ódio que o meu pai lhe tem, e no entanto já faleceu em 2000 - mas porque percebi que o que ela me fez só me ajudou a tomar uma decisão que mudou completamente o rumo da minha vida, e que sem esse rumo que acabei por tomar, não teria tomado a decisão que tomei nestes últimos dias. E não seria quem sou hoje. Obrigada. 


 


Sei que hoje estamos aqui e amanhã já não estamos. Que tudo que sonhamos pode vir a desmoronar de um dia para o outro, e que já esperei tempo de mais para ser feliz... Está na hora. 


 


Decidi a maior decisão da minha vida, hoje, mas também pode não ter importância nenhuma, amanhã. Como quando esperamos durante meses um evento importante e depois o dia chega, e passa super rápido... Dizemos "já passou" e viramos as ideias na direção de outra coisa não é?  


 


Os projectos são assim, a maior parte do tempo não vale a pena fazer um grande alarido, após serem concretizados o cérebro passa para o próximo projecto muito rapidamente. Por isso é que a decisão mais importante a tomar, é a de aproveitar a jornada, aproveitar cada dia como se fosse o último. Porque um dia temos razão. A cada segundo alguém vive o seu último dia em vida na terra. 


 


E sobre Portugal... Cheguei à conclusão que este país não me odiava, nem as pessoas me odiavam, eu é que me odiava a mim mesma. Achei que estar longe era o melhor para mim. E na altura foi. Foi o que precisei para crescer, e talvez ainda precise de estar longe para aprender a amar-me e a descobrir o caminho de regresso até mim. Mas, ultimamente, sinto que estou cada vez mais perto de encontrar esse caminho. E que quando estamos bem connosco próprios, pouco importa o país, pouco importa a casa, pouco importa o salário... 


 


Não sei se já leram o livro O Alquimista do Paulo Coelho? Eu li no ano passado quando fui à Austrália (Já passou um ano? Como assim?), e identifiquei-me muito com o fim. Porque me sinto como aquele pastor. 


 


Sinto que, às vezes, muitas vezes, vamos dar uma "ganda volta", para voltar exactamente ao lugar de onde partimos. Como é que só vi isto agora? Foi a viagem que me mudou e fez-me perceber que, o lugar onde comecei esta caminhada, já era o meu destino. 


 


Sei que estou a chegar a casa.


 


 

sábado, 7 de dezembro de 2019

Para não esquecer.

Estou em Portugal para uma formação, mas sinceramente, quando estou a trabalhar o meu ritmo é tão acelerado que agora, ao mínimo abrandamento, até sinto que estou de férias... 


 


Coisas às quais tenho que voltar:


- Meditar todos os dias, ontem foi o primeiro dia com as meditações guiadas de Mike Méditations (YouTube, em francês, sorry para quem não percebe nada desta beeela língua );


- Tentar ter uma dieta anti-inflamatória a maior parte do tempo (apercebi-me que estou com o período há mais de duas semanas);


- Fazer Yoga ou outro tipo de rotina de alongamentos um mínimo de três vezes por semana;


- Ler regularmente... a ver se diminuo a minha pilha de livros não lidos! Que acabou de aumentar porque comprei outro livro aqui em Portugal! (mas quem é que raio consegue entrar numa livraria e não comprar um livro???)


- Voltar a pegar no meu projecto de investir no ramo imobiliário. 


 


Beijo na bunda! 

Para não esquecer.

Estou em Portugal para uma formação, mas sinceramente, quando estou a trabalhar o meu ritmo é tão acelerado que agora, ao mínimo abrandamento, até sinto que estou de férias... 


 


Coisas às quais tenho que voltar:


- Meditar todos os dias, ontem foi o primeiro dia com as meditações guiadas de Mike Méditations (YouTube, em francês, sorry para quem não percebe nada desta beeela língua );


- Tentar ter uma dieta anti-inflamatória a maior parte do tempo (apercebi-me que estou com o período há mais de duas semanas);


- Fazer Yoga ou outro tipo de rotina de alongamentos um mínimo de três vezes por semana;


- Ler regularmente... a ver se diminuo a minha pilha de livros não lidos! Que acabou de aumentar porque comprei outro livro aqui em Portugal! (mas quem é que raio consegue entrar numa livraria e não comprar um livro???)


- Voltar a pegar no meu projecto de investir no ramo imobiliário. 


 


Beijo na bunda! 

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O ano ainda só agora começou...

... e eu já decidi qual foi o momento do ano que mais me envergonhou enquanto portuguesa. 


 


marcelo_cristina.jpg


Fonte: aqui


 


Espero seriamente que quando mudar de trabalho o mínimo que me possa acontecer é receber uma chamada do presidente Macron. Manuzinho pós amigos. É o mínimo.

O ano ainda só agora começou...

... e eu já decidi qual foi o momento do ano que mais me envergonhou enquanto portuguesa. 


 


marcelo_cristina.jpg


Fonte: aqui


 


Espero seriamente que quando mudar de trabalho o mínimo que me possa acontecer é receber uma chamada do presidente Macron. Manuzinho pós amigos. É o mínimo.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O passaporte chegou.

Recebi o meu passaporte. Nele vem escrita a frase de Luís de Camões "Esta é a ditosa pátria minha amada". Isto fez-me pensar que muitas vezes os portugueses associam o seu país à palavra amor. E não vejo muita gente de outros países a fazer o mesmo.


 


Tenho colegas de várias nacionalidades, nunca ouvi nenhum dizer que quer voltar para o seu país por amor. Alguns dizem que é pela família, outros dizem que é pelos amigos, poucos dizem que é por amor, só. Não sei se me faço entender.


 


No outro dia em Paris conheci uma americana, andava a fazer uma viagem sozinha na Europa e a visitar vários países. Quando ela começou a falar da viagem ainda não sabia que eu era portuguesa. Atentem no que ela me disse. Em inglês ela lá me explicou que estava a achar Paris linda, as luzes, os monumentos, tudo, que também tinha apreciado bastante estar em Espanha. Mas que a cidade preferida dela tinha sido Lisboa, e rematou dizendo "I love Portugal, if I could I would live there".


 


E foi isto. Num primeiro instante ela não descreveu os monumentos, não falou do clima, da comida ou das pessoas. Como acabou por fazer depois quando soube que eu era portuguesa. Antes de saber o que quer que fosse ela disse de forma espontânea "Eu amo Portugal".


 


E é isto... o que é que este país tem que nos faz amá-lo tanto? Porque é que sinto que o amor por Portugal cresce na parte de dentro das pessoas de forma irracional, em vez de entrar calmamente com argumentos bem pensados e racionalizados? Falei recentemente com um casal de franceses reformados que vai mudar-se de armas e bagagens para Portugal. E quanto tempo estiveram em Portugal antes de tomar a decisão? Uma semana. Pois é meus caros, uma semana chegou para tomarem uma das maiores decisões da vida deles.


 


Quando se gosta de Portugal, gosta-se porque sim. É amor à primeira vista. E isso para mim é motivo mais do que suficiente.


 


A precisar de recarregar baterias. Faltam 2 dias.


 

O passaporte chegou.

Recebi o meu passaporte. Nele vem escrita a frase de Luís de Camões "Esta é a ditosa pátria minha amada". Isto fez-me pensar que muitas vezes os portugueses associam o seu país à palavra amor. E não vejo muita gente de outros países a fazer o mesmo.


 


Tenho colegas de várias nacionalidades, nunca ouvi nenhum dizer que quer voltar para o seu país por amor. Alguns dizem que é pela família, outros dizem que é pelos amigos, poucos dizem que é por amor, só. Não sei se me faço entender.


 


No outro dia em Paris conheci uma americana, andava a fazer uma viagem sozinha na Europa e a visitar vários países. Quando ela começou a falar da viagem ainda não sabia que eu era portuguesa. Atentem no que ela me disse. Em inglês ela lá me explicou que estava a achar Paris linda, as luzes, os monumentos, tudo, que também tinha apreciado bastante estar em Espanha. Mas que a cidade preferida dela tinha sido Lisboa, e rematou dizendo "I love Portugal, if I could I would live there".


 


E foi isto. Num primeiro instante ela não descreveu os monumentos, não falou do clima, da comida ou das pessoas. Como acabou por fazer depois quando soube que eu era portuguesa. Antes de saber o que quer que fosse ela disse de forma espontânea "Eu amo Portugal".


 


E é isto... o que é que este país tem que nos faz amá-lo tanto? Porque é que sinto que o amor por Portugal cresce na parte de dentro das pessoas de forma irracional, em vez de entrar calmamente com argumentos bem pensados e racionalizados? Falei recentemente com um casal de franceses reformados que vai mudar-se de armas e bagagens para Portugal. E quanto tempo estiveram em Portugal antes de tomar a decisão? Uma semana. Pois é meus caros, uma semana chegou para tomarem uma das maiores decisões da vida deles.


 


Quando se gosta de Portugal, gosta-se porque sim. É amor à primeira vista. E isso para mim é motivo mais do que suficiente.


 


A precisar de recarregar baterias. Faltam 2 dias.


 

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Aos sons que me arrepiam...

Estas férias em Portugal tornaram-se num voltar às origens, uma onda de recordações e saudade. Saudades, essa palavra maldita que só a língua portuguesa tem. Confesso que sou muito saudosista e que gosto de manter certos aspectos presentes na minha vida. A música portuguesa é um deles. E a guitarra portuguesa, que som vindo do céu, que arrepios que isto me provoca... afinal, sempre gostei deste som, e o engraçado é que nem sabia que gostava tanto.


 


Ouçam e digam de vossa justiça:



 


Emigrei, sim, mas não por ódio a Portugal ou vontade de "nunca mais lá voltar" como ouço muitos emigrantes a dizer ao desbarato (mas depois vêm para cá de férias emborcar cervejas nas praias do Algarve e jurar a pés juntos que Portugal é o melhor país do mundo).


 


Emigrei para ter uma progressão profissional que em Portugal seria difícil obter como recém-licenciada. E como ambiciosa que sou, nunca o escondi, na altura preferi sair. E cresci muito, hoje sei que teria feito tudo diferente enquanto cá estava, mas também sei que sem o que sei agora nunca saberia que havia outro caminho disponível. É um dos problemas que tenho encontrado na vida: às vezes as oportunidades chegam quando ainda não estamos prontos para elas e por isso deitamos tudo a perder, por falta de experiência.


 


Apesar de gostar do que faço e do que tenho em França, não me sinto feliz, não me sinto em paz. Parece que me falta sempre algo, há um vazio que permanece apesar de tudo. Tenho reparado que esse vazio parece um pouco mais preenchido quando estou em Portugal. E não sei explicar porquê, nunca pensei que fosse ser desses emigrantes que só falam em voltar, mas aqui estou eu, a admitir que o quero fazer e a dizer que não me imagino a ter uma vida 100% feliz fora deste país. Não sei quando nem em que circunstâncias o poderei fazer (voltar após alguns anos fora e começar tudo do zero sem ter uma rede de network criada assusta-me um pouco), mas quero e isso já vale alguma coisa, já me deixa um pouquinho mais em paz. Ao menos isso.


 

Aos sons que me arrepiam...

Estas férias em Portugal tornaram-se num voltar às origens, uma onda de recordações e saudade. Saudades, essa palavra maldita que só a língua portuguesa tem. Confesso que sou muito saudosista e que gosto de manter certos aspectos presentes na minha vida. A música portuguesa é um deles. E a guitarra portuguesa, que som vindo do céu, que arrepios que isto me provoca... afinal, sempre gostei deste som, e o engraçado é que nem sabia que gostava tanto.


 


Ouçam e digam de vossa justiça:



 


Emigrei, sim, mas não por ódio a Portugal ou vontade de "nunca mais lá voltar" como ouço muitos emigrantes a dizer ao desbarato (mas depois vêm para cá de férias emborcar cervejas nas praias do Algarve e jurar a pés juntos que Portugal é o melhor país do mundo).


 


Emigrei para ter uma progressão profissional que em Portugal seria difícil obter como recém-licenciada. E como ambiciosa que sou, nunca o escondi, na altura preferi sair. E cresci muito, hoje sei que teria feito tudo diferente enquanto cá estava, mas também sei que sem o que sei agora nunca saberia que havia outro caminho disponível. É um dos problemas que tenho encontrado na vida: às vezes as oportunidades chegam quando ainda não estamos prontos para elas e por isso deitamos tudo a perder, por falta de experiência.


 


Apesar de gostar do que faço e do que tenho em França, não me sinto feliz, não me sinto em paz. Parece que me falta sempre algo, há um vazio que permanece apesar de tudo. Tenho reparado que esse vazio parece um pouco mais preenchido quando estou em Portugal. E não sei explicar porquê, nunca pensei que fosse ser desses emigrantes que só falam em voltar, mas aqui estou eu, a admitir que o quero fazer e a dizer que não me imagino a ter uma vida 100% feliz fora deste país. Não sei quando nem em que circunstâncias o poderei fazer (voltar após alguns anos fora e começar tudo do zero sem ter uma rede de network criada assusta-me um pouco), mas quero e isso já vale alguma coisa, já me deixa um pouquinho mais em paz. Ao menos isso.


 

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Termos e condições.

Estão a ver quando instalamos um programa e aparece aquela cena para lermos os termos e condições, andar para baixo, meter o visto no quadradinho e dizer que aceitamos continuar com a instalação? Vocês sabem que quase ninguém lê isso, certo? Uma pessoa até pode estar a aceitar vender a tia-avó Ermelinda ao Donald Trump e ter que dar três cabritos e uma ovelha ao dono da Microsoft e nem sabe de nada.


 


Pois bem, quando aceitei emigrar também foi assim. Desci os termos e condições e aceitei sem saber lá muito bem daquilo que estava a abdicar (é o que lá ler as coisas na diagonal!). Só tinha em mente o que ganharia (e já tem sido muito!). Quase três anos depois, agora que já passou aquele encanto inicial, já vi claramente no que me vim meter. Acho que está na hora de reflectir em novos rumos.

Termos e condições.

Estão a ver quando instalamos um programa e aparece aquela cena para lermos os termos e condições, andar para baixo, meter o visto no quadradinho e dizer que aceitamos continuar com a instalação? Vocês sabem que quase ninguém lê isso, certo? Uma pessoa até pode estar a aceitar vender a tia-avó Ermelinda ao Donald Trump e ter que dar três cabritos e uma ovelha ao dono da Microsoft e nem sabe de nada.


 


Pois bem, quando aceitei emigrar também foi assim. Desci os termos e condições e aceitei sem saber lá muito bem daquilo que estava a abdicar (é o que lá ler as coisas na diagonal!). Só tinha em mente o que ganharia (e já tem sido muito!). Quase três anos depois, agora que já passou aquele encanto inicial, já vi claramente no que me vim meter. Acho que está na hora de reflectir em novos rumos.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Podem tirar a portuguesa de Portugal, mas não tiram Portugal da portuguesa #5

Sabes que és oficialmente uma emigrante quando penduras uma bandeira de Portugal com mais de um metro de largura na parede da sala.


E eu que antes gozava forte e feio com os "avecs" que fazem isto.


Pois bem, é caso para dizer, nunca cuspas para o ar que um dia o "cuspe" pode cair-te na cara. 


 


#souaveccommuitoprazer


 

Podem tirar a portuguesa de Portugal, mas não tiram Portugal da portuguesa #5

Sabes que és oficialmente uma emigrante quando penduras uma bandeira de Portugal com mais de um metro de largura na parede da sala.


E eu que antes gozava forte e feio com os "avecs" que fazem isto.


Pois bem, é caso para dizer, nunca cuspas para o ar que um dia o "cuspe" pode cair-te na cara. 


 


#souaveccommuitoprazer


 

quarta-feira, 1 de março de 2017

Podem tirar a portuguesa de Portugal, mas não tiram Portugal da portuguesa #4

Encontrei pimentão doce no supermercado da vila. Só de imaginar a quantidade de assados no forno que vou fazer temperados com isto... Foi um dia feliz.

Podem tirar a portuguesa de Portugal, mas não tiram Portugal da portuguesa #4

Encontrei pimentão doce no supermercado da vila. Só de imaginar a quantidade de assados no forno que vou fazer temperados com isto... Foi um dia feliz.

Hoje estou positiva

Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...