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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Hipervigilância relacional: vai dar uma volta

Aiiiii meus desarrumados... nem sei que vos diga, preciso urgentemente de voltar a escrever nalgum sítio, os cadernos funcionam. mas tenho que voltar para um sítio onde saiba que os meus textos estarão ali quando precisar. E que contente que fiquei quando, não só consegui passar os meus textos do 🐸 para o Blogger, como recuperei o blog após o Blogger decidir bloquear aqui a desarrumada por conteúdo indecente 👼 mas pedi uma segunda análise e lá voltei. Por isso estou On, vamos!

Vamos falar de coisas que me apoquentam... que é para isso que este charco sempre serviu.

Estou há 8 meses numa relação com um homem maravilhoso, continuamos a falar em morar juntos. Estamos só à espera que ele consiga vender o apartamento de 30m2 dele, para alugarmos outro juntos, enfim, ele tem tido visitas, mas nenhuma oferta por enquanto, o mercado tem andado estagnado aqui na zona de Paris, então vamos ver como corre... sem pressão... 

No entanto, nem tudo são rosas, e o que tem corrido "menos bem", apercebo-me que é inteiramente culpa minha. Eu não sabia o que tinha, se é doença ou o carago, pensava que era alguma forma de apego ansioso!? Será chuva? Será gente? Gente não é certamente, e a chuva não bate assim. Pois bem, aqui me confesso, eu sou uma namorada chataaaaa. Eu estou sempre desconfiada e a tentar analisar cada palavra dele, e isto tudo acaba numa multitude de conversas sobre a relação, que duram horaaaas. E eu não me apercebia, eu sempre pensei que estava a fazer "o melhor" pela relação, até ele me avisar, de que estar sempre a analisar a relação é cansativo, que às vezes é preciso simplesmente viver a relação, sem a analisar.

A primeira vez custou ouvir, quis falar sobre isso, achei que ele não estava feliz comigo, que queria acabar. Fiquei triste e desiludida comigo própria, fique até, com vontade de voltar ao início e recomeçar. Uma parte de mim sente que tirou a leveza do início, sem me aperceber. Analisei tudo até à exaustão, e sinto que quase o perdi, porque nalgumas discussões ele afirmou várias vezes "se não estás contente comigo porque continuas na relação?", a questão é que estou contente com ele, nunca me senti tão bem com ninguém, mas coloco muita pressão em tudo, quero que tudo seja perfeito, que todos os momentos sejam dignos de filme. E tenho um medo imenso de o perder... 

Sinto que agora que sei o que tenho, abriu-se uma porta de percepção no meu cérebro que não existia, ou estava escondida atrás de muitas heras, porque eu não tinha noção de estar a analisar demais, eu pensava genuinamente que estava a zelar pela qualidade da relação... não sei bem como avançar a partir daqui, não é fácil "tratar" a ansiedade, a pessoa que inventar a cura dos cérebros ansiosos, vai ficar rico! só vos digo isto... eu pagava muito dinheiro para deixar de ser ansiosa! 

E como lidar com a culpa de me sentir a causadora de horas e horas de conversas pesadonas sobre a relação? Como fazer para "recomeçar" com a mesma pessoa? Será que já criei muita moça na relação e que é irrecuperável? Ele tem uma paciência infinita este homem... vou tentar vir aqui sempre que tiver algum assunto a chatear-me, em vez de falar horas e horas, de analisar horas e horas, com ele...

Espero que estejam todos bem 🫶


Beijo na bunda 💋🍑 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Xiiiiii... já estamos no último dia de 2025!!!

Vocês nem acreditam nas reviravoltas que o ano tem dado... vou tentar ser breve, porque tenho que ajudar a minha mãe a preparar o réveillon.

Então, em Agosto conheci um rapaz, francês, muito querido e presente, já estamos numa relação há 4 meses, e ele fala de mim no futuro, já combinámos ir a Lisboa juntos, ele nunca foi a Portugal... estou ansiosa por esta viagem. 

Mas é engraçado, porque apesar de estar super feliz nesta relação, sinto que o meu cérebro por vezes vagueia por pensamentos intrusivos e divagações estranhas, por exemplo, será que é mesmo "ele"? Será que estou a escolher bem? Será que ele gosta mesmo de mim e que eu não estou a sonhar isto tudo?

Desarrumados, vocês sabem bem que eu tenho "inseguranças emocionais", não sou psicóloga, mas sei que tenho um estilo de apego ansioso, e isso leva-me a querer tanto alguém enquanto oscilo entre momentos de dúvida. E é super cansativo ser assim... será que as outras pessoas também têm estes problemas de "escolha"? 

(sobre o estilo de apego ansioso aconselho a leitura do livro Attached de Amir Levine e Rachel Heller; e o livro How tobe the love you seek de Dr Nicole Lepera)

Ler estes livros ajudou-me imenso, tive que perceber que não é função do outro gerir o meu estado emocional, que querer <<fundir-me>> sentimentalmente ou saber sempre o que o outro está a pensar não é bom, mas isso não me impediu de já ter tido algumas discussões com ele, como por exemplo, achar que a nossa frequência sexual não é suficiente... em 4 meses tivemos sexo menos de 8 vezes, e admito que isso me assusta um bocado, porque é o início da relação e eu tinha aquela ideia - talvez falsa - de que no início é saudável pinar como coelhos!!!  Já discutimos sobre esta cena 3 vezes e ele diz que vai fazer mais esforços e não faz, sou sempre eu a iniciar e já perdi as contas às vezes que ele recusa ou esquiva, sem nenhuma justificação válida... Quem me segue aqui desde o início sabe que tenho uma libido importante, que não diminuiu com a idade (vocês sabem como eu era nos meus 20, agora só me acalmei porque ganhei cagufa de doenças e apercebi-me que podia acabar na cama de algum maluco que me fizesse mal)...

Mas admito, essa libido não tem andado satisfeita... apesar de ele ser amoroso e falar de um futuro comigo, quer apresentar-me à mãe, morar juntos, casar... enfim, estou perdida, sinto que não se pode ter tudo e talvez chegue a uma altura da minha vida em que tenha que aceitar algo menos "fogoso"... o que acham meus caros? Estou a tentar não ser superficial e fútil, mas damn, apercebo-me que o sexo é super importante para mim... gostava de ser diferente... não quero perder esta relação por isto, mas enfim, eu depois venho cá contar mais se vocês tiverem interesse haha

Tirando isso estou a fazer uma formação de 3 anos que me vai dar outro "título profissional", e o gabinete vai de vento em popa... Gostava de comprar apartamento, mas os preços na região de Paris estão pela hora da morte...

Objectivos para 2026: 

-clarificar o que quero (mesmo) a nível de relação amorosa e vida sexual

-uma viagem com uma amiga no primeiro trimestre, à América do Sul (já organizada)

-acabar o primeiro ano da minha formação de 3 anos com sucesso! ter boa nota no exame e essay de pesquisa

-fazer outra viagem no verão ou 2o semestre de 2026

-chegar aos 68kg - falta perder 8kg

-talvez fazer uma meia maratona???


Um bom ano a todos meus dESarrumados!!! Portem-se bem... mal! 

Beijos na bunda 

 

 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Quebrei o jejum com pão de queijo

Que fique aqui registado que no último fim de semana quebrei o jejum com um homem do Brasil. Isto de conhecer novas línguas também conta com os diferentes sotaques de português? haha Ainda não sei se vou contar detalhes enquanto a história está a decorrer... acho que vou esperar, mas prometo que vão ter mais informações em breve  entretanto ando a falar com um romeno no Bumble... será que vamos até à Roménia um dia destes? aguardem os próximos episódios... que eu já estou com água na boca 

 

Beijos nessas bundas sedentas de tapinhas! 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

É isto ter mais de 30 anos???

Ontem masturbei-me e hoje dói-me o punho direito. Saudades da pujança dos 20 anos!!!
Só tenho feito isto uma ou duas vezes por semana, não sei como é que há uns anos atrás fazia 2 ou 3 vezes por dia, todos os dias... juventude volta estás perdoada 

Alguém por aí com estes dramas da velhice???

 

Beijo na bunda! 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Meus caros, feliz f*cking ano novo!!!

Desarrumados de vossa mãe, desejo-vos a todos um excelente ano!!! Espero que se divirtam muito, pinem muito e, não menos importante, ganhem muito dinheiro!!!


Aqui a je passou por um período de baixa auto-estima física, quando engordei 15kg durante o covid, isso foi como que uma desgraça para mim... mas aprendi, ao longo de 4 penosos anos, de muita terapia, que a forma do nosso corpo não é tudo e que há muito caminho para desbravar... toda esta situações afastou-me da vida louca de pinanço que levava... e não fiquem com ideias, não quero voltar a essa vida  mas desejo pinar mais - ou nem que seja voltar a pinar que já lá vai mais de um ano - resumindo, quero continuar a dar a volta ao mundo aprendendo novas línguas... se é que estão a perceber onde eu quero ter essas línguas novas...  resoluções de ano novo por aí??? 

Já agora, querem continuar a seguir as aventuras? Ou já chega!? hahaha


 


Beijinhos  molhados de ano novo,
nessa bundas gostosas cheias de chocolatinhos e filhóses,
que eu bem sei!!!

domingo, 1 de dezembro de 2024

Ponto da situação.

Eu já fui a amiga negativa, já tive uma visão muito mais negra da vida. Vocês sabem! Vocês, meus fieis leitores, acompanharam algumas situações, neste blog que deixei um pouco abandonado. Penso várias vezes em vir limpar o pó aqui ao quartinho desarrumado, fazer a cama de lavado, deixar os cortinados e os tapetes ao sol, acender uma velinha de cheiro, e voltar a fazer disto casa. Penso mas não ajo. No entanto, de forma surpreendente, e contra todas as expectativas que já tive de desistir disto, hoje decidi que vinha cá, nem que fosse só dizer um olá.


Quero voltar a fazer crónicas, sobre vários assuntos, tal e qual um Bruno Nogueira, que tanto adoro e ouço o podcast religiosamente, excepto aquele detalhe em que não tenho piroca, tenho mamas (poucas), sou solteira e sem filhos, e não sou uma comediante de renome. Gostava  de ter sido, talvez noutra vida nasça alguém com menos aversão à exposição pública, alguém que cresça numa capital, e que tenha acesso a outras oportunidades para se tornar uma artista.


Ainda assim, no meio do caos que foi a minha adolescência, consegui aceder a certos privilégios e tornar-me em alguém que até tem algumas coisas para contar. Entre voltas e voltinhas, entre percalços, sonhos e desistências, vim parar a Paris. Em julho abri o meu negócio próprio aqui, e está tudo a correr bem, mais do que bem. Desculpem não ter contado aqui, podem chicotear-me à vontade (eu até gosto), é só que estava tão cagada de medo que não contei a quase ninguém que não é do meu círculo próximo, construí tudo nas sombras, o meu objectivo era que fosse eu a ver a luz e esconder-me num buraco escuro se tudo fosse c'os porcos, investi muito. Tive uma mini fase de depressão quando comecei, achei que não ia ter pacientes, e eles foram chegando, um a um, e em 3 semanas enchi agenda.


Que fucking abençoada que és desarrumada, alguns vão dizer; mas sei que tenho trabalhado como um cão ao longo dos anos, prescindi de muitos projectos pessoas (projecto maternidade a ir pelo cano, à medida que os anos passam e escrevo este texto). Ouço os ovários a secar, mas ninguém quer saber, descobri enquanto montava os móveis todos do meu gabinete sozinha, que ninguém quer saber, nascemos sozinhos, completamente à mercê da boa vontade de quem queira cuidar da nossa versão mais bebé e indefesa, crescemos sozinhos, e morremos ainda mais sozinhos.


pessoas_idosas.pngFonte: pixabay


Cheguei a uma conclusão sobre a minha vida, a de que mais vale eu tentar fazer o melhor que posso para tornar esta vida numa que valha a pena ser vivida, e acreditem, não parece, mas quando digo isto já não estou depressiva, já nem estou sequer triste ou ansiosa, tenho só tentado ver a vida de forma cada vez mais pragmática e estóica. E esta merda ajudou-me. Percebi que me preocupava com muitas merdinhas que daqui a uns anos não vão ter importância nenhuma. Estas filosofias que tenho tentado seguir, ajudaram-me imenso a enfrentar os meus demónios... demónios esses que percebi em parte de onde vêm, mas isso é assunto para outros posts. 


Outra coisa que me ajudou a mudar completamente de visão sobre a vida: comecei a trabalhar em part-time num lar de idosos. E se há um conselho que vos posso dar, bem sei que não sou pessoa cuja vida dê vontade de seguir os meus conselhos, mas façam o que eu digo e não o que eu faço: todos os velhotes do lar me dizem que a vida passou demasiado rápido e que todas as preocupações que tiveram hoje não têm importância nenhuma.


 


E com este conselho tirado do cu, me despeço.


Beijo na bunda 
da vossa eterna dESarrumada


 


 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Acordei tarde, mas acordei.

Hoje de manhã quando acordei e fui apanhar o metro às 7h45 da manhã, não sabia que ia postar aqui no blog. Por isso, vamos lá aproveitar este rasgo de motivação e vontade de escrever, e fazer aqui um resumo muito resumido da minha vida sentimental. Depois venho cá falar da parte profissional e familiar. Pode ser que volte a postar regularmente? Quem sabe?


Depois de ter saído com o rapaz do Salão do Chocolate, as coisas descambaram, obviamente, achavam que aqui a vossa dESarrumada já estava casada e com uma horda de filhos? Pois não, claro que não.


O gajo é de origem Argelina, cresceu em França, a mãe dele também Argelina, teve um filho - ele - de um homem casado, sendo que ele sempre foi considerado pela família da mãe - muçulmanos - o bastardo. Dizia que detestava o pai, que repudiava a religião muçulmana (até andava com um crucifixo ao pescoço, nada contra, no entanto, mais tarde vim a descobrir que entrou numa igreja pela primeira vez comigo... que palhaço) .


Detestava o pai por este ser um putanheiro infiel, e que não quer tornar-se uma versão do pai, que quando encontrava uma mulher especial era para "ficar". Pois bem, ele disse, eu ouvi, eu acreditei, ele mentiu, e eu fodi-me.


Sempre bué presente, por mensagens, tivemos dates fancy em Paris, saídas para o campo de ténis, viagens ao sul de França, isto para quê? Quando dormi com ele, começou a afastar-se aos poucos. Pois bem , já vos estou a ouvir dizer "dás confiança, acreditas em tudo que te dizem, pões-te a jeito", então deixem-me dizer-vos que alguns homens não têm escrúpulos em mentir com quantos dentes têm na boca. Ele apresentou-me aos amigos como namorada dele, meteu fotos comigo no insta, metia montes de stories comigo... eu nem me apercebi do momento do afastamento, devia ter desconfiado dele quando houve esta espécie de "apresentar-me como namorada" sem me ter pedido directamente... isto chama-se Future Faking.


Desde então li muito sobre manipuladores, e eles são peritos nisto. Foi igual para as fotos na net, ele nunca me pediu autorização para meter nada na net, a conta do insta dele é pública, e ainda há pouco tempo fui lá espreitar, e ainda tem as fotos comigo!!! Ele tem pouquíssimos amigos, deve querer fingir para as novas conquistas, que conhece muita gente, e que tem uma vida super interessante, nope, é um gamer, passa os dias fechado em casa a jogar, encomenda comida e contrata empregada. Não faz um cu em casa, nem sabe fazer...


Hashtag: Palhaça, muito prazer 


Quando fizemos sexo pela primeira vez, insistiu porque insistiu que tinha que dormir em minha casa nessa noite, porque eu moro em Paris e ele longe, logo a seguir ao sexo, literalmente ainda com o preservativo na pila, já estava a dizer que tinha que voltar para casa, porque o último comboio para a terra dele era à 1h da manhã e não podia ir para o trabalho com a mesma roupa do dia anterior 


Hashtag: Abanem-me que eu não acredito nesta merda 


Depois a partir daí foi sempre a descarrilar... eu pensava que esperar para ter sexo me safava desta situação merdosa e nãoooo, foi ainda pior, porque perdi ali uns meses preciosos em que escusava de me ter apaixonado tanto, a achar que ele era um homem a sério. 


Hashtag: Chupem haters que dizem que eu tenho azar nos gajos porque fodo "rápido" 


Quem quer levar as coisas a sério leva, quem anda só nisto a brincar, vai brincar durante meses, nem que seja pelo desafio de conseguir o biscoito no final... o pior é que uma pessoa antes de saber, não sabe, né. Foda-se ! Tenho amigas que pinaram literalmente no 1o date e estão casadas e com filhos. Com o mesmo gajo. Por isso não me fodam, tenho saído com montes de esterco masé, é o que é.
Enfim, excepto alguns, e o de Lisboa, que pronto, correu mal porque quando ele me veio ver a Paris (já saíamos há 1 ano e meio) , o moço coitado esqueceu-se de desinstalar o Tinder, a partir daí nunca mais consegui confiar nele, e claro, também não me quis mudar para Lisboa, primeiro porque em Portugal ia ser escrava de clínicas e ganhar umas mixarias a pagar 30% à clínica, e ia ser escrava de homem, porque o moço mijava a tampa da sanita toda e não limpava, ficava literalmente tudo com gotas de xixi, e quando apontei este facto, respondeu "olha eu não preciso de me sentar, se quiseres sentar-te limpa com papel"  


Ok, afinal este também era um monte de estrume.


Mas... ainda tenho esperança.


Não.


Não tenho.


Comecei a ler sobre o movimento 4B na Coreia do Sul (em que as mulheres decidiram juntar-se e ajudar-se mutuamente, excluir os homens das suas vidas, deixar de ter filhos, diminuir a natalidade e extinguir assim a sua população), e decidi que ia fazer o mesmo, à minha maneira, uma exclusão voluntária dos homens na minha vida, parar de sair com eles e querer relacionar-me com eles, estou simplesmente a fazer a minha vida, as minhas viagens,  a ganhar o meu dinheiro... isto chama-se decentering man, google it meninas, não se vão arrepender, é libertador!


Desde o dia 29 de Maio de 2023 que não tenho relações sexuais, deve ser algum record meu, e estou a adorar.


Tenho estado feliz desde que tirei o foco de encontrar alguém. Apercebi-me ao ler fóruns e páginas de mulheres arrependidas, que casar e ter filhos, não é assim tão fixe! e que muitas casaram na força da carência, e só se foderam. Por um lado, graças a Deus nosso Senhor que nunca "deu certo" para mim, porque com a minha sorte para escolher, ia dar tudo errado da pior forma.


Não quero mais esta merda para mim #SorryNotSorry


 


 


Pois é dESarrumados, provavelmente este não era o update que estavam à espera... quem está bem casado e feliz vai comentar a dizer "bla bla bla não sabes o que perdes, tiveste foi pouca sorte" e quem está arrependido, ou vai concordar ou não vai dizer nada por vergonha... alguém dizer que se fosse agora não teria casado ou tido filhos, não é fácil de assumir, principalmente num país como Portugal, em que se não estás emparelhado tipo dispositivo Bluetooth, falhaste amargamente a tua vida...


Se isto me vai passar? Talvez. Se uma parte de mim ainda guarda alguma esperança de encontrar alguém decente, talvez. Se acho que valha a pena tentar de novo? Não. Se me calhar a mim, que caia do céu, porque eu estou out.


By the way, desde que deixei de ir a dates tenho mais dinheiro na conta que é um mimo, e comecei a investir na bolsa, tenho muito mais tempo livre para ler e fazer desporto, não ando a limpar rabos de bebés de machos sem consideração, enfim, life's good.


 


E chegou o momento,


de vos lambuzar com


uns beijos húmidos


nessas bundas


  


 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Diário de bordo 20.01.2023

Desarrumados, no dia 30 de Janeiro o blog faz 8 anos. E eu só falei dele aqui 2 vezes.


D U A S miseráveis vezes, que eu falei neste blog, de uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele que moldou a minha forma de ser sem se aperceber, e nem eu me apercebi. Percebi aos 31 anos, depois de meses em terapia, que ele tem uma importância fulcral no meu desenvolvimento enquanto pessoa, e enquanto mulher, e que, provavelmente influenciou as minhas experiências com homens, no campo amoroso...


Uma parte de mim quer a aprovação dele. Uma parte de mim queria ter a validação dele. Uma parte de mim quis esquecer ele chamar-me de parva, de vaca, de estaferma e de puta, entre outros. Durante anos a fio. Desde os meus 11 anos mais ou menos, até emigrar. Fui saco de pancada, físico e emocional, físico desde pequena, apenas farrapo emocional após os 15 anos, porque com essa idade já parecia mal "bater numa menina", e os meus pais e familiares começaram a intervir.


Foi tudo falso, foi tudo manipulado, os meus pais dizerem-me para perdoar, para ser a the bigger person, somos todos fucking família, afinal. É fodido, não é? Não digas nada do que se passa em casa, isto são coisas da idade, isto melhora com o tempo, isto vai passar. Limpa-lhe o quarto, faz-lhe a cama, ele vai agradecer-te, vais fazer com que ele goste de ti, sê boazinha.


B O A Z I N H A


padrões de merda, que me meteram na cabeça, sê boazinha, para um homem gostar de ti


Que se lixe. Emigrei, e o meu cérebro quis esquecer. Fui apagando as memórias, não falo dele a ninguém. Ao longo dos anos eu fui tentando fazer a minha vida, mas sempre culpada, por não estar lá a ajudar, não ser rede de apoio dos meus pais, não ser A BOAZINHA.


Uma vez ele ligou-me, em 2019, tinha chegado a Paris há 2 meses, era uma 5ª feira de Verão, estava aquele calor infernal de Paris, andava a fazer domicílios, quando vi o nome dele no ecrã do telemóvel, gelei, esqueci o calor todo, senti um arrepio atravessar-me de cima a baixo na coluna vertebral, paralisei e atendi.


Berros, estava a partir tudo lá em casa, a minha mãe a tentar controlar, isto já durava há anos. Era da idade diziam... Ouvi e calei:


a culpa da minha vida ser uma merda é tua


foste para Paris para me tornar ainda mais miserável


tudo te corre bem e a minha vida continua uma merda


os pais gostam mais de ti do que de mim


eu sempre fui mais inteligente que tu, não percebo porque foste tu que tiveste sorte


és uma parva de merda, nem mereces a vida que tens


mata-te


MATA-TE


M A T A - T E


Ele disse-o. Eu só andava na minha vida, a lutar para ter melhores condições, a estudar muito, não pedi opinião a ninguém, muito menos a ele, eu só queria viver como se ele não existisse. Mas já era assim há anos. Eu era o saco de pancada emocional daquele homem. Mesmo longe, mesmo pelo telefone.


Eu avisei os meus pais que tinham que fazer algo. Não quiseram porque ia passar. Desde os 11 anos que ia passar, desde adolescente,  desde jovem adulto, há mais de 10 anos... senti-me ficar maluca, senti que só eu via um problema. Enlouqueci. Em 2020 pandemia, deprimi, por estar só, e saber que ele andava a partir tudo, a tornar a vida dos meus pais um inferno, e a acusar-me de tudo.


Tentei corrigir as coisas, pedi desculpa, nem sei bem do que estava a pedir perdão, por existir???


Natal 2021, fui a casa pela 1ª vez em quase 2 anos, vi o cenário de destruição, espelho do quarto partido, poliban da casa de banho partido, imans do frigorífico retirados porque eram constantemente atirados pelos ares, de um lado da cozinha ao outro. Disse aos meus pais que não podiam continuar assim, algo tinha que mudar, alguém ia acabar morto, ou os meus pais, ou ele. Em Janeiro de 2022, já de regresso a França, recebo uma chamada da minha mãe: "ele está no hospital, internado na psiquiatria, atirou-se ao teu pai a tentar matá-lo, o teu pai prendeu-o no chão com os braços atrás das costas, eu chamei os bombeiros".


E foi quando tudo começou. O início do fim, o fim do início, a continuação do inferno sem fim, que já dura há imensos anos, demasiados, nunca conheci uma única semana de paz na minha vida enquanto vivi com os meus pais, fui criada com berros e gritos a toda a hora, às vezes estava trancada no quarto a estudar, e ele entrava-me pelo quarto a dentro só para me dizer "és uma marrona, estás aí a estudar para quê, és burra, nunca vais ser ninguém na vida".


Todos os namorados que eu lhe apresentei eram xoninhas, segundo ele, porque não viam como eu era má, uma pessoa horrível, não viam como eu fingia ser simpática, "tu nem sequer és assim tão bonita".


"Nem que não fosses minha irmã, eu não te comia, nem que me pagassem"


Pois é, ele é o meu irmão.


E tem uma doença mental grave.


Cresci com ele, porque ele nasceu no ano a seguir a mim. Mas nunca nos demos bem. Preferia todos os dias ter sido filha única. Às vezes rezava no sono, para que ele morresse numa bebedeira. Fui vítima de agressões verbais constantes, desvalorizações diárias, isto quando não estava a ignorar-me e a fingir que eu não estava a falar para ele. Preferia ter sido filha única. Ainda hoje, se pudesse escolher, preferia não ter um irmão. 


Quando me perguntam se tenho algum irmão eu digo que tenho um, mas que não nos falamos muito, minto e digo que ele já saiu de casa dos meus pais e que foi morar para longe. O meu cérebro quis, e tentou esquecer esta pessoa, até só falei dele no blog, DUAS vezes, em 8 anos. Mas, ter um membro da família com uma doença mental NUNCA SE ESQUECE.  


N U N C A


As festas de anos minhas que ele estragou, ter de o levar para todo o lado, obrigada pelos meus pais, se não ele ficava em casa e fazia uma crise à minha mãe, a dizer que eu fui sair sem ele... ele até a minha festa de fim de licenciatura estragou, quis ir embora mais cedo, porque estava a ser "uma seca", e porque "ela de qualquer forma não vai arranjar trabalho nessa profissão de saúde da treta".


OUÇO a voz dele na minha cabeça, todos os dias. Todas as palavras de desvalorização que eu me digo a mim própria, têm o som da voz dele, e por isso não consigo estabilizar uma relação, porque acredito nele quando ele diz que eu não valho nada. Ainda hoje me admiro de não ter acabado com um badamerdas qualquer e ser vítima de violência doméstica, sinto que tenho o perfil dessas mulheres, podia facilmente ter caído numa situação merdosa qualquer. Fui escapando por entre as malhas da rede, e fui ficando solteira, fiquei para os últimos vagões... à espera de me curar, de me libertar destas correntes que me prendem a estas crenças.


Actualmente, ele fala todos os dias em suicídio, e eu tinha medo que acontecesse, os meus pais também. Mas recentemente tenho-o vivido como uma libertação, mais para ele do que para nós, até porque deve ser uma merda viver na cabeça dele. Eu compreendo-o quando diz que se quer suicidar, a sério que compreendo. Preferia que não o fizesse, e que ficasse bem, preferia que os tratamentos injectáveis fizessem efeito... e preferia às vezes não achar que tenho tendências genéticas para desenvolver a mesma doença mental. Preferia não dar por mim no trabalho, a achar que as minhas colegas se estão a rir no corredor, porque estão a gozar comigo... preferia não sentir que os meus amigos, familiares e parceiros amorosos só "fingem" gostar de mim. Preferia não achar que já estou a precisar de terapia outra vez, depois de ter tido alta no ano passado.


Foram 2 vezes, que falei nele aqui, mas muitos anos em só pensei nisto, no entanto, fingi estar tudo bem.


Mas hoje liberto-me dessa prisão. E gostava, sinceramente, que ele se libertasse da prisão dele. E a prisão dos meus pais, fechados em casa todos os dias a tomar conta dele, de um adulto com 30 anos, com receio que ele se mate...


Que merda.


Voa maninho, voa. 


 


 


DESABAFOS 17 AGOSTO 2016


DIÁRIO DE BORDO 12 MARÇO 2018


 


E UMA RECORDAÇÃO BOA,


ANTES DE TUDO ACONTECER: MEMÓRIAS DE ÁFRICA


 


 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

18 dias.

Estou há exactamente 18 dias sem vir aqui. Não porque não tivesse vontade, porque tinha, muita, mas porque não sabia o que escrever.


Muita coisa aconteceu entretanto. O trabalho voltou a carburar como antigamente, tenho trabalhado mais do que antes do confinamento, muito mais, mas nem dou por isso, porque mudei de horários, estou a trabalhar das 8h às 18h. Por isso quando saio do trabalho ainda está de dia. E que bem que sabe... a França tem esta coisa incrível de ter dias intermináveis no verão. Às 23h ainda é de dia, o que dá aquela impressão de se aproveitar um bocado mais a vida durante a semana.


 


Decidi não ir a Portugal no verão... por motivos vários: não me apetece enfiar-me de máscara num avião, para isso já basta sair de casa às 7 da manhã com ela posta e voltar às 20h ainda com máscara na fuça (não é a mesma, eu troco-a, calma, não me batam!), e porque os meus pais moram numa vila pequenita lá na Serra. Imaginem que eu chego e 2 semanas depois aquilo transformou-se em cluster e uma centena de velhotes morrem por minha culpa??? Eu sei que a malta da Serra a comer queijo, chanfana e beber vinho como bebe, é rija que se farta, mas... mas... e se...??? Andamos numa época de muitas incertezas, prefiro jogar pelo seguro. Fico em França, e já gozo. 


 


Com o Titi as coisas andam bem! Muito bem mesmo! Mas ali no início de Junho tivemos uma crise... ele mentiu-me, para poder ir beber café com a ex. Disse-me que estava com outro grupo de amigos, só que não estava. Eu descobri, passei-me, saí de casa dele a correr enquanto ele me pedia desculpas a chorar, depois gritei-lhe "vai-te foder" em francês, no meio da rua, às 22h da noite.. Liguei para uma amiga enquanto estava no tram a voltar para casa. Yah, eu sei, estão a ver aquela pessoa que está nos transportes públicos ao telefone, a gritar a plenos pulmões todos os detalhes da vida pessoal dela enquanto chora baba e ranho? Pois. Eu fui essa pessoa. Acho que, mais tarde ou mais cedo, acabamos sempre por ser essa pessoa.


E depois percebemos que não temos controlo emocional nenhum. E que a nossa capacidade mental de resolução de problemas é equivalente à de uma adolescente de 15 anos. E isso dói. Ai se dói.


Ficámos sem falar 5 dias. Ele insistiu para nos voltarmos a ver porque queria explicar a história. Jurou a pé juntos que não dormia com ela, que há mais de 4 anos que não se passa nada entre eles, mas que ficaram amigos, e que a considera a melhor amiga dele. E que não pode deixar de falar com ela só porque conheceu alguém novo, que basicamente não lhe posso pedir isso... E que ficou com medo de me contar que ia estar com ela porque tinha receio da minha reação, por isso escolheu a hipótese mais cobarde para resolver um problema, a mentira. E pediu-me desculpa, e disse que não voltava a mentir-me nunca mais. Em contrapartida eu fiquei de aceitar essa amizade, e pedi-lhe para me apresentar a moça. Ainda não aconteceu... mas vamos lá ver, vai ser super estranho conhecer a ex do meu namorado... mas tenho que lidar com isso... afinal, todos temos um passado, não é?


Alguns deixam tudo lá atrás, outros não.


No que me toca a mim, seja o que o destino quiser. Na pior das hipóteses descubro que foi um erro confiar nele outra vez, na melhor das hipóteses, não deitei tudo a perder com um rapaz com o qual me sinto bem, e dei-me uma oportunidade de ser feliz. É indo e vendo...


 


 


Beijo na bunda! 

18 dias.

Estou há exactamente 18 dias sem vir aqui. Não porque não tivesse vontade, porque tinha, muita, mas porque não sabia o que escrever.


Muita coisa aconteceu entretanto. O trabalho voltou a carburar como antigamente, tenho trabalhado mais do que antes do confinamento, muito mais, mas nem dou por isso, porque mudei de horários, estou a trabalhar das 8h às 18h. Por isso quando saio do trabalho ainda está de dia. E que bem que sabe... a França tem esta coisa incrível de ter dias intermináveis no verão. Às 23h ainda é de dia, o que dá aquela impressão de se aproveitar um bocado mais a vida durante a semana.


 


Decidi não ir a Portugal no verão... por motivos vários: não me apetece enfiar-me de máscara num avião, para isso já basta sair de casa às 7 da manhã com ela posta e voltar às 20h ainda com máscara na fuça (não é a mesma, eu troco-a, calma, não me batam!), e porque os meus pais moram numa vila pequenita lá na Serra. Imaginem que eu chego e 2 semanas depois aquilo transformou-se em cluster e uma centena de velhotes morrem por minha culpa??? Eu sei que a malta da Serra a comer queijo, chanfana e beber vinho como bebe, é rija que se farta, mas... mas... e se...??? Andamos numa época de muitas incertezas, prefiro jogar pelo seguro. Fico em França, e já gozo. 


 


Com o Titi as coisas andam bem! Muito bem mesmo! Mas ali no início de Junho tivemos uma crise... ele mentiu-me, para poder ir beber café com a ex. Disse-me que estava com outro grupo de amigos, só que não estava. Eu descobri, passei-me, saí de casa dele a correr enquanto ele me pedia desculpas a chorar, depois gritei-lhe "vai-te foder" em francês, no meio da rua, às 22h da noite.. Liguei para uma amiga enquanto estava no tram a voltar para casa. Yah, eu sei, estão a ver aquela pessoa que está nos transportes públicos ao telefone, a gritar a plenos pulmões todos os detalhes da vida pessoal dela enquanto chora baba e ranho? Pois. Eu fui essa pessoa. Acho que, mais tarde ou mais cedo, acabamos sempre por ser essa pessoa.


E depois percebemos que não temos controlo emocional nenhum. E que a nossa capacidade mental de resolução de problemas é equivalente à de uma adolescente de 15 anos. E isso dói. Ai se dói.


Ficámos sem falar 5 dias. Ele insistiu para nos voltarmos a ver porque queria explicar a história. Jurou a pé juntos que não dormia com ela, que há mais de 4 anos que não se passa nada entre eles, mas que ficaram amigos, e que a considera a melhor amiga dele. E que não pode deixar de falar com ela só porque conheceu alguém novo, que basicamente não lhe posso pedir isso... E que ficou com medo de me contar que ia estar com ela porque tinha receio da minha reação, por isso escolheu a hipótese mais cobarde para resolver um problema, a mentira. E pediu-me desculpa, e disse que não voltava a mentir-me nunca mais. Em contrapartida eu fiquei de aceitar essa amizade, e pedi-lhe para me apresentar a moça. Ainda não aconteceu... mas vamos lá ver, vai ser super estranho conhecer a ex do meu namorado... mas tenho que lidar com isso... afinal, todos temos um passado, não é?


Alguns deixam tudo lá atrás, outros não.


No que me toca a mim, seja o que o destino quiser. Na pior das hipóteses descubro que foi um erro confiar nele outra vez, na melhor das hipóteses, não deitei tudo a perder com um rapaz com o qual me sinto bem, e dei-me uma oportunidade de ser feliz. É indo e vendo...


 


 


Beijo na bunda! 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

8. Que baste.

Tivemos um primeiro date perfeito.


 


Tivemos um segundo date perfeito - jantar num restaurante asiático (quem aqui também adora um bom Ramen???), ali no quartier da Ópera de Paris. Depois fomos dar uma volta de metro. Ele acompanhou-me a casa e beijou-me quando chegámos à porta.


 


Foi tudo tão bonito.


 


Mas entretanto na sexta-feira (há mais de uma semana atrás) mandei-lhe uma mensagem a dizer que fazia 5 anos em França. A resposta dele foi fria.


 


Muito fria.


 


Eu respondi sendo simpática. Ele não voltou a responder mais, até ao domingo à noite. Dia em que recebi a notícia da morte do meu avô. Estava triste, muito triste.


 


A mensagem dele dizia: "quando estás livre esta semana?"


 


Passei-me.


 


Decidi aceitar os danos colaterais da mensagem que estava prestes a mandar.


 


"Desculpa, gostava de voltar a estar contigo. Mas isto de ficar dias e dias sem falar não é para mim. Preciso de mais."


 


Às vezes com a precipitação dizemos e fazemos coisas que mais tarde nos arrependemos. E este tipo de atitudes que tenho, de cabeça quente, são fruto da imensa falta de auto-estima que tenho por mim própria...


 


Ele respondeu: "não gosto de enviar mensagens, que queres que te diga?"


 


Passei-me. Detesto este tipo de respostas passivo-agressivas. Mas, provavelmente, ele respondeu assim porque se sentiu atacado por mim. 


 


Trocámos mais uma ou duas mensagens, eu desejei-lhe boa continuação. Ele disse-me que estava a exagerar e que eu queria que ele agisse comigo como se já estivéssemos a namorar, algo que não estávamos. 


 


Eu disse-lhe que só queria uma resposta às minhas sms. Mas que também não lhe estava a pedir para casarmos no dia seguinte.


 


Ele parou de responder. Senti-me parva. Mas decidi aceitar os danos colaterais da minha decisão precipitada. Que era nunca mais nos voltarmos a falar. Por uma estupidez.


 


Apercebi-me que não me fazia assim tanta diferença se ele saia ou não da minha vida. Afinal, tínhamos acabado de nos conhecer... não consegui perceber o porquê da minha "raiva" por ele não responder às mensagens... O Half-French tem um defeito, ele preenche demasiados items da minha lista de "rapaz perfeito" e acho que é isso que me deixa parva. Não sei lidar quando conheço um rapaz que pode ser "o tal"... e quero tudo muito rápido, para ontem.


 


Penso que ainda guardo cá dentro muita da mágoa que vivi com o Ele, o facto de ele dizer que me amava, mas nunca responder, o facto de estarmos em dois países diferentes e mal falarmos...


 


Isto da mini-discussão foi no domingo à noite. Na segunda-feira, passei o dia todo a pensar no meu avô. E no half-french. E no fim-de-semana espetacular que tinha tido, antes disso tudo. Não posso falar disso aqui por razões de anonimato, mas a pessoa em questão, sabe que é especial na vida de todas nós . Adorei estar envolvida na preparação esta surpresa! :D


 


Entretanto, decidi abandonar as mágoas do passado. Decidi que, apesar do que vivi com o Ele, não posso deixar que isso se repercuta em todas as minhas futuras relações. 


 


Decidi que tinha que deixar ir. Tinha que abandonar todas as expectativas que poderia colocar nos outros. Eu basto-me, e não preciso de outro alguém para me completar. Eu já sou completa.


 


Passei a semana toda a meditar nesta nova resolução. De me completar a mim própria, e de deixar de meter esse peso, o de me fazer feliz, nos ombros de outra pessoa. Falei com a minha mãe em vídeo-chamada todos os dias, ela estava triste, muito triste, com a morte do pai. E eu com a morte do meu avô. Vivi uma das piores semanas da minha vida. E quando quase me tentaram roubar o telemóvel, percebi que estava a passar por uma transformação interna importante, mas que estava a emitir demasiadas energias negativas enquanto o fazia. 


 


Tinha que reverter esta situação. Nessa noite cheguei a casa a tremer, em pânico.


 


"preciso de energias positivas, preciso que algo de bom me aconteça!" pensava, em loop.


 


No dia seguinte, do nada, o half-frencch enviou-me uma mensagem, a perguntar como estava. Ele deu-me outra oportunidade, e decidi fazer o mesmo. Respondi, combinámos encontro para dar um passeio no bois de Boulogne. Estava bom tempo, como na semana anterior.


 


Passámos por casa dele, ele fez o almoço. Massa com espinafres e um "bife" vegetariano. Ele é vegetariano, eu estou em transição por período indeterminado, mas sei que vou acabar por enveredar só por esse tipo de alimentação... estou farta de comer outros seres vivos... mas preciso de tempo para mudar.


 


Ficámos no sofá dele a dar beijinhos e depois ele acompanhou-me até ao metro. Fui jantar com uns amigos portugueses daqui. 


 


Gostei de voltar a estar com ele. E decidi deixar de ser parva e parar de esperar que sejam os outros a fazer-me feliz. Enquanto estiver à espera de outro alguém para ser feliz, nunca vou conseguir descobrir a felicidade que é amar-me e bastar-me a mim própria.


 


 

8. Que baste.

Tivemos um primeiro date perfeito.


 


Tivemos um segundo date perfeito - jantar num restaurante asiático (quem aqui também adora um bom Ramen???), ali no quartier da Ópera de Paris. Depois fomos dar uma volta de metro. Ele acompanhou-me a casa e beijou-me quando chegámos à porta.


 


Foi tudo tão bonito.


 


Mas entretanto na sexta-feira (há mais de uma semana atrás) mandei-lhe uma mensagem a dizer que fazia 5 anos em França. A resposta dele foi fria.


 


Muito fria.


 


Eu respondi sendo simpática. Ele não voltou a responder mais, até ao domingo à noite. Dia em que recebi a notícia da morte do meu avô. Estava triste, muito triste.


 


A mensagem dele dizia: "quando estás livre esta semana?"


 


Passei-me.


 


Decidi aceitar os danos colaterais da mensagem que estava prestes a mandar.


 


"Desculpa, gostava de voltar a estar contigo. Mas isto de ficar dias e dias sem falar não é para mim. Preciso de mais."


 


Às vezes com a precipitação dizemos e fazemos coisas que mais tarde nos arrependemos. E este tipo de atitudes que tenho, de cabeça quente, são fruto da imensa falta de auto-estima que tenho por mim própria...


 


Ele respondeu: "não gosto de enviar mensagens, que queres que te diga?"


 


Passei-me. Detesto este tipo de respostas passivo-agressivas. Mas, provavelmente, ele respondeu assim porque se sentiu atacado por mim. 


 


Trocámos mais uma ou duas mensagens, eu desejei-lhe boa continuação. Ele disse-me que estava a exagerar e que eu queria que ele agisse comigo como se já estivéssemos a namorar, algo que não estávamos. 


 


Eu disse-lhe que só queria uma resposta às minhas sms. Mas que também não lhe estava a pedir para casarmos no dia seguinte.


 


Ele parou de responder. Senti-me parva. Mas decidi aceitar os danos colaterais da minha decisão precipitada. Que era nunca mais nos voltarmos a falar. Por uma estupidez.


 


Apercebi-me que não me fazia assim tanta diferença se ele saia ou não da minha vida. Afinal, tínhamos acabado de nos conhecer... não consegui perceber o porquê da minha "raiva" por ele não responder às mensagens... O Half-French tem um defeito, ele preenche demasiados items da minha lista de "rapaz perfeito" e acho que é isso que me deixa parva. Não sei lidar quando conheço um rapaz que pode ser "o tal"... e quero tudo muito rápido, para ontem.


 


Penso que ainda guardo cá dentro muita da mágoa que vivi com o Ele, o facto de ele dizer que me amava, mas nunca responder, o facto de estarmos em dois países diferentes e mal falarmos...


 


Isto da mini-discussão foi no domingo à noite. Na segunda-feira, passei o dia todo a pensar no meu avô. E no half-french. E no fim-de-semana espetacular que tinha tido, antes disso tudo. Não posso falar disso aqui por razões de anonimato, mas a pessoa em questão, sabe que é especial na vida de todas nós . Adorei estar envolvida na preparação esta surpresa! :D


 


Entretanto, decidi abandonar as mágoas do passado. Decidi que, apesar do que vivi com o Ele, não posso deixar que isso se repercuta em todas as minhas futuras relações. 


 


Decidi que tinha que deixar ir. Tinha que abandonar todas as expectativas que poderia colocar nos outros. Eu basto-me, e não preciso de outro alguém para me completar. Eu já sou completa.


 


Passei a semana toda a meditar nesta nova resolução. De me completar a mim própria, e de deixar de meter esse peso, o de me fazer feliz, nos ombros de outra pessoa. Falei com a minha mãe em vídeo-chamada todos os dias, ela estava triste, muito triste, com a morte do pai. E eu com a morte do meu avô. Vivi uma das piores semanas da minha vida. E quando quase me tentaram roubar o telemóvel, percebi que estava a passar por uma transformação interna importante, mas que estava a emitir demasiadas energias negativas enquanto o fazia. 


 


Tinha que reverter esta situação. Nessa noite cheguei a casa a tremer, em pânico.


 


"preciso de energias positivas, preciso que algo de bom me aconteça!" pensava, em loop.


 


No dia seguinte, do nada, o half-frencch enviou-me uma mensagem, a perguntar como estava. Ele deu-me outra oportunidade, e decidi fazer o mesmo. Respondi, combinámos encontro para dar um passeio no bois de Boulogne. Estava bom tempo, como na semana anterior.


 


Passámos por casa dele, ele fez o almoço. Massa com espinafres e um "bife" vegetariano. Ele é vegetariano, eu estou em transição por período indeterminado, mas sei que vou acabar por enveredar só por esse tipo de alimentação... estou farta de comer outros seres vivos... mas preciso de tempo para mudar.


 


Ficámos no sofá dele a dar beijinhos e depois ele acompanhou-me até ao metro. Fui jantar com uns amigos portugueses daqui. 


 


Gostei de voltar a estar com ele. E decidi deixar de ser parva e parar de esperar que sejam os outros a fazer-me feliz. Enquanto estiver à espera de outro alguém para ser feliz, nunca vou conseguir descobrir a felicidade que é amar-me e bastar-me a mim própria.


 


 

domingo, 10 de novembro de 2019

6. Ecos.

Tudo que fazemos ecoa na eternidade. Disso não me restam dúvidas. Hoje foi um Domingo de introspecção... são neste momento 3h da manhã e amanhã é feriado aqui em França. Mas como dormi até tarde, não tenho sono rigorosamente nenhum.


Ando a reflectir nesta coisa de estarmos quase a mudar de década... e no facto de já só faltar cerca de um mês e pouco para que isso aconteça.


Hoje passei o dia todo com a sensação de que não fiz nada de jeito com o meu ano. Parece que passou tudo a correr. No entanto, esta insónia, levou-me a cuscar os vídeos que tenho no telemóvel... como troquei de telemóvel antes de ir para a Austrália, o facto deste telemóvel ter muita memória, aliado ao facto de eu raramente passar coisas para o computador... tudo isto fez com que, eu tenha literalmente, todos os vídeos que fiz este ano ainda no telemóvel.


E é incrível, desde à viagem à Austrália, à mudança de trabalho, à viagem a Portugal com a H, a mudança para Paris... a viagem a setembro para os anos da minha mãe, mais vídeos de Paris. 2 concertos espectaculares: George Ezra e Salvador Sobral. Mais uma viagem a Amesterdão. Ainda falta um congresso em Madrid e mais umas quantas coisas que não posso dizer ainda, por motivos...


Posso dizer que, este ano foi extremamente preenchido... apesar de ter passado o dia a pensar que não, que não tenho feito nada da minha vida... tudo só porque não há um resultado palpável... algo que possa olhar e dizer: este ano fiz isto... não estou numa nova relação, não engravidei, não fiz nenhuma formação que me altere algum estatuto ou que me faça mudar de profissão... por enquanto 


Aconteceu tanta coisa, e se tinha a certeza que este ano ia ser um ano de transformação e de mais auto-conhecimento, nunca pensei que tomasse uma decisão que pode vir a afectar os próximos anos... mas tomei. E vamos lá ver como corre.


Sei que não estás a perceber nada... mas tudo a seu tempo. Daqui a uns meses conto-te tudo, tudo. Só queria que ficasse aqui registado que, sim, fiz muita coisa em 2019. Os vídeos e fotos que vi hoje são a prova disso. Mas o mais importante são as vidas que tocamos nesse processo, e as que nos tocam a nós, tudo isso fica gravado e ecoa para a eternidade... Sinto sempre que só agora estou a começar.

6. Ecos.

Tudo que fazemos ecoa na eternidade. Disso não me restam dúvidas. Hoje foi um Domingo de introspecção... são neste momento 3h da manhã e amanhã é feriado aqui em França. Mas como dormi até tarde, não tenho sono rigorosamente nenhum.


Ando a reflectir nesta coisa de estarmos quase a mudar de década... e no facto de já só faltar cerca de um mês e pouco para que isso aconteça.


Hoje passei o dia todo com a sensação de que não fiz nada de jeito com o meu ano. Parece que passou tudo a correr. No entanto, esta insónia, levou-me a cuscar os vídeos que tenho no telemóvel... como troquei de telemóvel antes de ir para a Austrália, o facto deste telemóvel ter muita memória, aliado ao facto de eu raramente passar coisas para o computador... tudo isto fez com que, eu tenha literalmente, todos os vídeos que fiz este ano ainda no telemóvel.


E é incrível, desde à viagem à Austrália, à mudança de trabalho, à viagem a Portugal com a H, a mudança para Paris... a viagem a setembro para os anos da minha mãe, mais vídeos de Paris. 2 concertos espectaculares: George Ezra e Salvador Sobral. Mais uma viagem a Amesterdão. Ainda falta um congresso em Madrid e mais umas quantas coisas que não posso dizer ainda, por motivos...


Posso dizer que, este ano foi extremamente preenchido... apesar de ter passado o dia a pensar que não, que não tenho feito nada da minha vida... tudo só porque não há um resultado palpável... algo que possa olhar e dizer: este ano fiz isto... não estou numa nova relação, não engravidei, não fiz nenhuma formação que me altere algum estatuto ou que me faça mudar de profissão... por enquanto 


Aconteceu tanta coisa, e se tinha a certeza que este ano ia ser um ano de transformação e de mais auto-conhecimento, nunca pensei que tomasse uma decisão que pode vir a afectar os próximos anos... mas tomei. E vamos lá ver como corre.


Sei que não estás a perceber nada... mas tudo a seu tempo. Daqui a uns meses conto-te tudo, tudo. Só queria que ficasse aqui registado que, sim, fiz muita coisa em 2019. Os vídeos e fotos que vi hoje são a prova disso. Mas o mais importante são as vidas que tocamos nesse processo, e as que nos tocam a nós, tudo isso fica gravado e ecoa para a eternidade... Sinto sempre que só agora estou a começar.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

2. Estúdio.

No estúdio onde moro tenho exactamente 7 móveis (dos quais constam 2 cadeiras de plástico do IKEA), 4 prateleiras num dos muros, que estão cheias de livros, um lavatório com um armário encastrado em baixo, que decidi não considerar como móvel por fazer parte do muro, onde cabem os meus produtos todos de beleza e higiene pessoal. Num dos cantos, uma cabine de duche AKA poliban.


 


Dentro da parte inclinada, está o que parece uma mini despensa separada com portas de correr, mas onde nem consigo entrar de pé... Nesse espaço tenho três caixas de arrumação de plástico, daquelas para os brinquedos das crianças, onde cabe, literalmente, a minha roupa toda. E mais 3 mini prateleiras no muro interio, onde consegui colocar algumas toalhas, as minhas meias e restante roupa interior, em caixinhas. Tenho outra caixa com produtos de limpeza que trouxe da casa antiga... Demasiados para aqui. Neste sítio a limpeza faz-se em 15 minutos. Sim, já contei. 


 


Tenho um mini-espaço para cozinhar, com um mini lava-louça, daqueles que fica cheio com um prato e um copo. Ao lado, duas placas para cozinhar. Por acaso aquilo aquece rápido e até vou conseguindo cozinhar qualquer coisa de jeito ali. É o que me safa. Mas isso começou há cerca de duas semanas, os primeiros 4 meses aqui, alimentava-me de pratos preparados, e encomendava muito em aplicações. Mas isso não é vida... Começou a custar-me ver tanto dinheirinho a voar assim... Já não bastava o outro que gasto com o chocolate. 


 


Num cantinho do chão, vou metendo os legumes que compro e que não cabem no frigorífico, que como podes imaginar, é daqueles tipo frigorífico de hotel, com 1 mini congelador em que a porta nem fecha bem e acaba por ficar geio de gelo em 2 tempos, depois já não cabe lá mais nada, e tenho que descongelar. Um ciclo sem fim... Uma vez por mês lá estou eu, de rabo para o ar, a secar a água que caiu para o chão durante o descongelamento. Esse frigorífico tem, mais duas prateleiras de fresco, uma gaveta em baixo, supostamente para legumes, mas onde só cabem 2 courgettes e 3 tomates de cada vez, e na porta, uma prateleira para ovos, mais precisamente, seis. 


 


O estúdio tem uma porta, e única, a da entrada. E de saída. Uma janela estilo Velux na parte inclinada do tecto, daquelas com vista para os telhados de Paris, que fica mesmo por cima do sofá-cama, oferecendo-me, em dias de chuva, o melhor ASMR para dormir que podia ter pedido.


 


A outra janela, proporciona-me uma vista para o "local" do lixo do prédio e é onde consigo avistar, ao longe, a torre de Montparnasse, com a sua luzinha azul sempre no pisca-pisca.


 


Estou aqui deitada no sofá-cama a escrever-te isto. E à espera que os dois aquecimentos eléctricos minúsculos aqueçam a divisão. Sim, moro numa única divisão. Agora, a minha vida toda cabe em 12m2. E ainda falta destralhar muita coisa. Quem diria. 


 


A casa de banho? Essa fica no corredor. Num cubículo minúsculo, onde só vou para fazer xixi e cocó. Que partilho com mais 4 estúdios como o meu. Creio que os outros sejam estudantes, porque nunca estão cá ao fim de semana. Aliás, nunca estão cá, ponto. Tenho o sexto andar, e meio!, só para mim. Nunca pensei viver num meio andar... 50% de um andar, no topo de um prédio, em Paris... Well, podia ser pior. Ao menos tem elevador. 


 


Já te disse que vendi o meu carro? A minha caixinha de fósforos que tanto me levou para sítios? Vou só ali dormir um bocadinho, amanhã já te conto mais sobre isto. 


 

2. Estúdio.

No estúdio onde moro tenho exactamente 7 móveis (dos quais constam 2 cadeiras de plástico do IKEA), 4 prateleiras num dos muros, que estão cheias de livros, um lavatório com um armário encastrado em baixo, que decidi não considerar como móvel por fazer parte do muro, onde cabem os meus produtos todos de beleza e higiene pessoal. Num dos cantos, uma cabine de duche AKA poliban.


 


Dentro da parte inclinada, está o que parece uma mini despensa separada com portas de correr, mas onde nem consigo entrar de pé... Nesse espaço tenho três caixas de arrumação de plástico, daquelas para os brinquedos das crianças, onde cabe, literalmente, a minha roupa toda. E mais 3 mini prateleiras no muro interio, onde consegui colocar algumas toalhas, as minhas meias e restante roupa interior, em caixinhas. Tenho outra caixa com produtos de limpeza que trouxe da casa antiga... Demasiados para aqui. Neste sítio a limpeza faz-se em 15 minutos. Sim, já contei. 


 


Tenho um mini-espaço para cozinhar, com um mini lava-louça, daqueles que fica cheio com um prato e um copo. Ao lado, duas placas para cozinhar. Por acaso aquilo aquece rápido e até vou conseguindo cozinhar qualquer coisa de jeito ali. É o que me safa. Mas isso começou há cerca de duas semanas, os primeiros 4 meses aqui, alimentava-me de pratos preparados, e encomendava muito em aplicações. Mas isso não é vida... Começou a custar-me ver tanto dinheirinho a voar assim... Já não bastava o outro que gasto com o chocolate. 


 


Num cantinho do chão, vou metendo os legumes que compro e que não cabem no frigorífico, que como podes imaginar, é daqueles tipo frigorífico de hotel, com 1 mini congelador em que a porta nem fecha bem e acaba por ficar geio de gelo em 2 tempos, depois já não cabe lá mais nada, e tenho que descongelar. Um ciclo sem fim... Uma vez por mês lá estou eu, de rabo para o ar, a secar a água que caiu para o chão durante o descongelamento. Esse frigorífico tem, mais duas prateleiras de fresco, uma gaveta em baixo, supostamente para legumes, mas onde só cabem 2 courgettes e 3 tomates de cada vez, e na porta, uma prateleira para ovos, mais precisamente, seis. 


 


O estúdio tem uma porta, e única, a da entrada. E de saída. Uma janela estilo Velux na parte inclinada do tecto, daquelas com vista para os telhados de Paris, que fica mesmo por cima do sofá-cama, oferecendo-me, em dias de chuva, o melhor ASMR para dormir que podia ter pedido.


 


A outra janela, proporciona-me uma vista para o "local" do lixo do prédio e é onde consigo avistar, ao longe, a torre de Montparnasse, com a sua luzinha azul sempre no pisca-pisca.


 


Estou aqui deitada no sofá-cama a escrever-te isto. E à espera que os dois aquecimentos eléctricos minúsculos aqueçam a divisão. Sim, moro numa única divisão. Agora, a minha vida toda cabe em 12m2. E ainda falta destralhar muita coisa. Quem diria. 


 


A casa de banho? Essa fica no corredor. Num cubículo minúsculo, onde só vou para fazer xixi e cocó. Que partilho com mais 4 estúdios como o meu. Creio que os outros sejam estudantes, porque nunca estão cá ao fim de semana. Aliás, nunca estão cá, ponto. Tenho o sexto andar, e meio!, só para mim. Nunca pensei viver num meio andar... 50% de um andar, no topo de um prédio, em Paris... Well, podia ser pior. Ao menos tem elevador. 


 


Já te disse que vendi o meu carro? A minha caixinha de fósforos que tanto me levou para sítios? Vou só ali dormir um bocadinho, amanhã já te conto mais sobre isto. 


 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

1. Ecdise.

Pensavam que se viam livres de mim. Ainda não foi desta. 


Estou quase a completar 5 meses em Paris. Resumindo: morava no campo, numa região de França onde há provavelmente mais vacas do que habitantes, a 5 minutos do trabalho, normalmente às 18h da tarde estava em casa. Era uma vida solitária.


Passar 1h nas redes sociais, postar no blog, pegar no carro e ir ao supermercado comprar uma tablete de chocolate durante a última meia hora antes do fecho. Comer a tablete no carro. Reflectir bastante sobre a vida. Estar sozinha, fazer o jantar, dormir. Pouco. 


4 anos se passaram. A equipa mudou 3 vezes. O chefe despediu-se. Eu despedi-me. Peguei em tudo que tinha e uma metade vendi, uma parte do resto deitei fora, e o que sobrou veio comigo.


Uma amiga ajudou-me a trazer tudo numa carrinha que aluguei num supermercado. 10m2 de tralha, caixotes dispostos no chão da carrinha, para depois caber tudo num 12m2. No sexto andar. 


Passei de um quarto andar para um sexto andar. A isto se chama subir na vida. 


Mas às vezes para se conseguir subir, é preciso perder muito peso morto. 


Trabalho geralmente das 8h30 às 19h. Às vezes mais, outras vezes menos. Depende dos dias, e das vontades dos pacientes. 


Tenho 20 minutos de trajecto de metro para ir para o trabalho. Às vezes há greve e vou a pé. 45 minutos. Para Paris, podia ser pior. Quando saio do trabalho, compro a minha tablete de chocolate, e como enquanto vou para o metro. São 5 minutos a pé. Quando chego lá, normalmente deito o papel que embrulhava a tablete fora. Costuma ser roxo, às vezes vermelho, e outras vezes de marca branca, dependendo do humor. 


Gasto cerca de 80€ por mês em chocolate. Às vezes mais, outras vezes menos. 


 


Estou a viver num bairro lindo. Costumo ir ler para ao pé do Sacré Cœur. Ou pelo menos gostava de ter mais tempo para o fazer. 


 


Tenho tido imensas ideias de formações... E a minha cabeça já fervilha com muitas ideias de projetos futuros... 


 


Por falar em futuro, quando cheguei aqui, meti na cabeça que ia arranjar um namorado até ao final do ano... Dormi com uns quantos homens nos primeiros 3 meses aqui. Alguns comprometidos. Apercebi-me que estar com alguém não é sinónimo de felicidade ou fidelidade, o mínimo dos mínimos. 


 


É desisti da ideia de arranjar alguém. Ou de foder com um qualquer. Não sei que se passa porque sinto que não quero nada, e ao mesmo tempo quero tudo. Mas quero que valha a pena, entendes? 


Estamos quase, quase, a entrar numa outra década. E vou festejar esta passagem de ano em Paris. Provavelmente sozinha, por opção. 


 


Porque tenho tido imensa vontade de estar sozinha. Já não me sinto deprimida como senti com a mudança de tempo... Perder o sol deitou-me abaixo. Céus cinzentos não são a minha cena... De todo. 


Sinto mais como se... Estivesse a trocar de pele sabes? Como se precisasse de ficar no meu cantinho até a pele velha cair toda. Como se deixar para trás aquele exoesqueleto velho de quem outrora fui, fosse a etapa lógica e imprescindível. Para poder crescer e ocupar o espaço da pessoa que verdadeiramente sou. 


 


Ecdise: é o processo de mudança de pele, de exoesqueleto, de pêlo de alguns animais, de forma a poderem crescer e tornar-se mais fortes. 


 


 


 


 


 

1. Ecdise.

Pensavam que se viam livres de mim. Ainda não foi desta. 


Estou quase a completar 5 meses em Paris. Resumindo: morava no campo, numa região de França onde há provavelmente mais vacas do que habitantes, a 5 minutos do trabalho, normalmente às 18h da tarde estava em casa. Era uma vida solitária.


Passar 1h nas redes sociais, postar no blog, pegar no carro e ir ao supermercado comprar uma tablete de chocolate durante a última meia hora antes do fecho. Comer a tablete no carro. Reflectir bastante sobre a vida. Estar sozinha, fazer o jantar, dormir. Pouco. 


4 anos se passaram. A equipa mudou 3 vezes. O chefe despediu-se. Eu despedi-me. Peguei em tudo que tinha e uma metade vendi, uma parte do resto deitei fora, e o que sobrou veio comigo.


Uma amiga ajudou-me a trazer tudo numa carrinha que aluguei num supermercado. 10m2 de tralha, caixotes dispostos no chão da carrinha, para depois caber tudo num 12m2. No sexto andar. 


Passei de um quarto andar para um sexto andar. A isto se chama subir na vida. 


Mas às vezes para se conseguir subir, é preciso perder muito peso morto. 


Trabalho geralmente das 8h30 às 19h. Às vezes mais, outras vezes menos. Depende dos dias, e das vontades dos pacientes. 


Tenho 20 minutos de trajecto de metro para ir para o trabalho. Às vezes há greve e vou a pé. 45 minutos. Para Paris, podia ser pior. Quando saio do trabalho, compro a minha tablete de chocolate, e como enquanto vou para o metro. São 5 minutos a pé. Quando chego lá, normalmente deito o papel que embrulhava a tablete fora. Costuma ser roxo, às vezes vermelho, e outras vezes de marca branca, dependendo do humor. 


Gasto cerca de 80€ por mês em chocolate. Às vezes mais, outras vezes menos. 


 


Estou a viver num bairro lindo. Costumo ir ler para ao pé do Sacré Cœur. Ou pelo menos gostava de ter mais tempo para o fazer. 


 


Tenho tido imensas ideias de formações... E a minha cabeça já fervilha com muitas ideias de projetos futuros... 


 


Por falar em futuro, quando cheguei aqui, meti na cabeça que ia arranjar um namorado até ao final do ano... Dormi com uns quantos homens nos primeiros 3 meses aqui. Alguns comprometidos. Apercebi-me que estar com alguém não é sinónimo de felicidade ou fidelidade, o mínimo dos mínimos. 


 


É desisti da ideia de arranjar alguém. Ou de foder com um qualquer. Não sei que se passa porque sinto que não quero nada, e ao mesmo tempo quero tudo. Mas quero que valha a pena, entendes? 


Estamos quase, quase, a entrar numa outra década. E vou festejar esta passagem de ano em Paris. Provavelmente sozinha, por opção. 


 


Porque tenho tido imensa vontade de estar sozinha. Já não me sinto deprimida como senti com a mudança de tempo... Perder o sol deitou-me abaixo. Céus cinzentos não são a minha cena... De todo. 


Sinto mais como se... Estivesse a trocar de pele sabes? Como se precisasse de ficar no meu cantinho até a pele velha cair toda. Como se deixar para trás aquele exoesqueleto velho de quem outrora fui, fosse a etapa lógica e imprescindível. Para poder crescer e ocupar o espaço da pessoa que verdadeiramente sou. 


 


Ecdise: é o processo de mudança de pele, de exoesqueleto, de pêlo de alguns animais, de forma a poderem crescer e tornar-se mais fortes. 


 


 


 


 


 

domingo, 6 de outubro de 2019

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.


 


Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...


 


Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 


 


Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.


 


Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 


 


Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.


 


Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.


 


Para o ano já é a minha vez. 


 


Foda-se. 


 


Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.


 


Boas eleições malta.


 


Beijo na bunda! 💋 

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.


 


Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...


 


Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 


 


Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.


 


Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 


 


Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.


 


Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.


 


Para o ano já é a minha vez. 


 


Foda-se. 


 


Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.


 


Boas eleições malta.


 


Beijo na bunda! 💋 

Hoje estou positiva

Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...