segunda-feira, 1 de maio de 2023

32 anos!

Fiz anos. 32 primaveras. 32 voltas ao sol, e há coisas que não mudam, outras que desaparecem...


O meu pai foi internado na psiquiatria hoje, parece que há genes que herdamos de família, ou com a convivência, herdamos a forma de ver o mundo, e talvez a genética não tenha nada a ver com isto.


Depressão, por causa da crise em Portugal, perda de clientes, baixa de vendas, falência eminente, único sustento, um filho de 30 anos doente e desempregado, em casa. Yap, não é fácil neste momento, ser o meu pai.


Não sei se me devo meter num avião. Hesitei, não comprei bilhetes. 


Agora já só devo voltar em Agosto. Gostava de lhe dizer para ter calma, que talvez pudesse ajudar financeiramente, mas ele é demasiado orgulhoso para pedir, e eu sei que o meu altruísmo em injectar algum dinheiro, talvez fosse só como colar um bocado de fita-cola num casco de navio que acabou de levar com um icebergue nos cornos... não ia resolver a problemática principal: o interior está a ficar vazio e já não há pessoas, não há clientes para os pequenos comerciantes. Como o meu pai.


Com o rapaz de Lisboa não resultou. Senti que tinha de acabar esta história para avançar com a vida. Não podia estar eternamente indecisa entre ir e ficar. Decidi ficar. Decidi que Portugal, provavelmente, só para a reforma. E ao ter decidido isto a minha vida mudou, comecei a apreciar muito mais a minha vida aqui em Paris, a ver aberturas e oportunidades profissionais onde antes não via. E Portugal foi ficando longe, longe, longe, longe...


Decidida a ficar sozinha o tempo que fosse preciso, 4 dias depois de ter acabado com ele, um rapaz que conheci 4 meses antes num evento do Salão do Chocolate, e de quem fiquei amiga, convida-me para ir jogar ténis com ele, só eu e ele, eu disse que não sabia jogar, ele disse que ensinava... parecia uma daquelas cenas de filme romântico, eu com a raquete na mão sem pescar uma, e ele por trás de mim, a pegar-me na mão e a ensinar-me, a segurar-me pelos ombros, mãos, cintura... e aquele perfume... fiquei rendida... 


Já sabem que por aqui as aventuras continuam, apesar de ausente do mundo online, a vida real nunca esteve tão preenchida e cheia de aventuras. Ora positivas, ora negativas, a vida é mesmo assim, uma montanha russa de altos e baixos. Mas uma coisa tenho a certeza, há portas que se fecham para abrir outras, às vezes estamos só à distância de uma decisão.


 


Beijo na bunda, meus desarrumados 


 


 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Diário de bordo 20.01.2023

Desarrumados, no dia 30 de Janeiro o blog faz 8 anos. E eu só falei dele aqui 2 vezes.


D U A S miseráveis vezes, que eu falei neste blog, de uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele que moldou a minha forma de ser sem se aperceber, e nem eu me apercebi. Percebi aos 31 anos, depois de meses em terapia, que ele tem uma importância fulcral no meu desenvolvimento enquanto pessoa, e enquanto mulher, e que, provavelmente influenciou as minhas experiências com homens, no campo amoroso...


Uma parte de mim quer a aprovação dele. Uma parte de mim queria ter a validação dele. Uma parte de mim quis esquecer ele chamar-me de parva, de vaca, de estaferma e de puta, entre outros. Durante anos a fio. Desde os meus 11 anos mais ou menos, até emigrar. Fui saco de pancada, físico e emocional, físico desde pequena, apenas farrapo emocional após os 15 anos, porque com essa idade já parecia mal "bater numa menina", e os meus pais e familiares começaram a intervir.


Foi tudo falso, foi tudo manipulado, os meus pais dizerem-me para perdoar, para ser a the bigger person, somos todos fucking família, afinal. É fodido, não é? Não digas nada do que se passa em casa, isto são coisas da idade, isto melhora com o tempo, isto vai passar. Limpa-lhe o quarto, faz-lhe a cama, ele vai agradecer-te, vais fazer com que ele goste de ti, sê boazinha.


B O A Z I N H A


padrões de merda, que me meteram na cabeça, sê boazinha, para um homem gostar de ti


Que se lixe. Emigrei, e o meu cérebro quis esquecer. Fui apagando as memórias, não falo dele a ninguém. Ao longo dos anos eu fui tentando fazer a minha vida, mas sempre culpada, por não estar lá a ajudar, não ser rede de apoio dos meus pais, não ser A BOAZINHA.


Uma vez ele ligou-me, em 2019, tinha chegado a Paris há 2 meses, era uma 5ª feira de Verão, estava aquele calor infernal de Paris, andava a fazer domicílios, quando vi o nome dele no ecrã do telemóvel, gelei, esqueci o calor todo, senti um arrepio atravessar-me de cima a baixo na coluna vertebral, paralisei e atendi.


Berros, estava a partir tudo lá em casa, a minha mãe a tentar controlar, isto já durava há anos. Era da idade diziam... Ouvi e calei:


a culpa da minha vida ser uma merda é tua


foste para Paris para me tornar ainda mais miserável


tudo te corre bem e a minha vida continua uma merda


os pais gostam mais de ti do que de mim


eu sempre fui mais inteligente que tu, não percebo porque foste tu que tiveste sorte


és uma parva de merda, nem mereces a vida que tens


mata-te


MATA-TE


M A T A - T E


Ele disse-o. Eu só andava na minha vida, a lutar para ter melhores condições, a estudar muito, não pedi opinião a ninguém, muito menos a ele, eu só queria viver como se ele não existisse. Mas já era assim há anos. Eu era o saco de pancada emocional daquele homem. Mesmo longe, mesmo pelo telefone.


Eu avisei os meus pais que tinham que fazer algo. Não quiseram porque ia passar. Desde os 11 anos que ia passar, desde adolescente,  desde jovem adulto, há mais de 10 anos... senti-me ficar maluca, senti que só eu via um problema. Enlouqueci. Em 2020 pandemia, deprimi, por estar só, e saber que ele andava a partir tudo, a tornar a vida dos meus pais um inferno, e a acusar-me de tudo.


Tentei corrigir as coisas, pedi desculpa, nem sei bem do que estava a pedir perdão, por existir???


Natal 2021, fui a casa pela 1ª vez em quase 2 anos, vi o cenário de destruição, espelho do quarto partido, poliban da casa de banho partido, imans do frigorífico retirados porque eram constantemente atirados pelos ares, de um lado da cozinha ao outro. Disse aos meus pais que não podiam continuar assim, algo tinha que mudar, alguém ia acabar morto, ou os meus pais, ou ele. Em Janeiro de 2022, já de regresso a França, recebo uma chamada da minha mãe: "ele está no hospital, internado na psiquiatria, atirou-se ao teu pai a tentar matá-lo, o teu pai prendeu-o no chão com os braços atrás das costas, eu chamei os bombeiros".


E foi quando tudo começou. O início do fim, o fim do início, a continuação do inferno sem fim, que já dura há imensos anos, demasiados, nunca conheci uma única semana de paz na minha vida enquanto vivi com os meus pais, fui criada com berros e gritos a toda a hora, às vezes estava trancada no quarto a estudar, e ele entrava-me pelo quarto a dentro só para me dizer "és uma marrona, estás aí a estudar para quê, és burra, nunca vais ser ninguém na vida".


Todos os namorados que eu lhe apresentei eram xoninhas, segundo ele, porque não viam como eu era má, uma pessoa horrível, não viam como eu fingia ser simpática, "tu nem sequer és assim tão bonita".


"Nem que não fosses minha irmã, eu não te comia, nem que me pagassem"


Pois é, ele é o meu irmão.


E tem uma doença mental grave.


Cresci com ele, porque ele nasceu no ano a seguir a mim. Mas nunca nos demos bem. Preferia todos os dias ter sido filha única. Às vezes rezava no sono, para que ele morresse numa bebedeira. Fui vítima de agressões verbais constantes, desvalorizações diárias, isto quando não estava a ignorar-me e a fingir que eu não estava a falar para ele. Preferia ter sido filha única. Ainda hoje, se pudesse escolher, preferia não ter um irmão. 


Quando me perguntam se tenho algum irmão eu digo que tenho um, mas que não nos falamos muito, minto e digo que ele já saiu de casa dos meus pais e que foi morar para longe. O meu cérebro quis, e tentou esquecer esta pessoa, até só falei dele no blog, DUAS vezes, em 8 anos. Mas, ter um membro da família com uma doença mental NUNCA SE ESQUECE.  


N U N C A


As festas de anos minhas que ele estragou, ter de o levar para todo o lado, obrigada pelos meus pais, se não ele ficava em casa e fazia uma crise à minha mãe, a dizer que eu fui sair sem ele... ele até a minha festa de fim de licenciatura estragou, quis ir embora mais cedo, porque estava a ser "uma seca", e porque "ela de qualquer forma não vai arranjar trabalho nessa profissão de saúde da treta".


OUÇO a voz dele na minha cabeça, todos os dias. Todas as palavras de desvalorização que eu me digo a mim própria, têm o som da voz dele, e por isso não consigo estabilizar uma relação, porque acredito nele quando ele diz que eu não valho nada. Ainda hoje me admiro de não ter acabado com um badamerdas qualquer e ser vítima de violência doméstica, sinto que tenho o perfil dessas mulheres, podia facilmente ter caído numa situação merdosa qualquer. Fui escapando por entre as malhas da rede, e fui ficando solteira, fiquei para os últimos vagões... à espera de me curar, de me libertar destas correntes que me prendem a estas crenças.


Actualmente, ele fala todos os dias em suicídio, e eu tinha medo que acontecesse, os meus pais também. Mas recentemente tenho-o vivido como uma libertação, mais para ele do que para nós, até porque deve ser uma merda viver na cabeça dele. Eu compreendo-o quando diz que se quer suicidar, a sério que compreendo. Preferia que não o fizesse, e que ficasse bem, preferia que os tratamentos injectáveis fizessem efeito... e preferia às vezes não achar que tenho tendências genéticas para desenvolver a mesma doença mental. Preferia não dar por mim no trabalho, a achar que as minhas colegas se estão a rir no corredor, porque estão a gozar comigo... preferia não sentir que os meus amigos, familiares e parceiros amorosos só "fingem" gostar de mim. Preferia não achar que já estou a precisar de terapia outra vez, depois de ter tido alta no ano passado.


Foram 2 vezes, que falei nele aqui, mas muitos anos em só pensei nisto, no entanto, fingi estar tudo bem.


Mas hoje liberto-me dessa prisão. E gostava, sinceramente, que ele se libertasse da prisão dele. E a prisão dos meus pais, fechados em casa todos os dias a tomar conta dele, de um adulto com 30 anos, com receio que ele se mate...


Que merda.


Voa maninho, voa. 


 


 


DESABAFOS 17 AGOSTO 2016


DIÁRIO DE BORDO 12 MARÇO 2018


 


E UMA RECORDAÇÃO BOA,


ANTES DE TUDO ACONTECER: MEMÓRIAS DE ÁFRICA


 


 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Porque não aqui?

Quando era mais nova tinha imensos sonhos... queria coisas para a minha vida que me pareciam tão difíceis de atingir, como emigrar, ter um bom trabalho. Eu cresci num meio rural, por isso esse tipo de coisas relacionadas com a vida profissional, as viagens, o lifestyle, pareciam tão longínquos, que nunca pensei chegar aqui. Sempre me imaginei casada, com filhos, a viver uma vida calma e pacata, num casa de 2 andares, trabalhinho certinho, pouca adrenalina. E hoje com 31 anos deparo-me com uma vida completamente oposta ao que tinha imaginado. Não tenho filhos, voltei a acabar outra relação à distância (a ver se é desta que aprendo a lição de não me meter com amigos que estão em Portugal - aliás, eles é que vêm sempre falar comigo e eu "caio" no charme, mas adiante)... gosto de onde estou, mas não queria nada estar aqui. Ter a outra parte da vida que me falta parece-me cada vez mais inacessível. Vocês que me seguem aos anos, sabem que sofro bastante por não estar numa relãção duradoura e ter uma vida de casal. Neste momento é a única coisa que me falta. Mas parece que existe uma espécie de barreira que me impede de aceder a esse tipo de felicidade. Não sei como fazer. Só sei que não queria nada mesmo ter a vida que tenho. Só queria estalar os dedos e trocar com alguma das minhas amigas casadas e com filhos pequenos...  às vezes queria estar em todo o lado menos aqui. A questão é que esse aqui é a minha cabeça. E por mais que mude a minha vida, não consigo mudar o que se passa cá dentro... merda pra isto.


 


beijo na bunda 

terça-feira, 7 de junho de 2022

E hoje é um dia bom.

Fiz uma pausa das redes sociais, estava a ficar saturada de ver pessoas a casar, a engravidar, a mostrar os filhos, as conquistas profissionais, tudo e tudo... Não é fácil, admitir que a nossa saúde mental por vezes é uma treta, e que por mais trabalho de visualização que faça, pensamentos positivos, lei da atração e bla bla bla, por vezes temos que aceitar que, talvez, sejamos só um monte de músculos e ossos, controlados por um sistema nervoso, que pode , simplesmente, estar a funcionar mal. E atenção, também mostro as minhas conquistas nas redes sociais, mas começo cada vez mais a questionar-me o "porquê" de sermos assim. Antigamente as pessoas morriam e deixavam ficar as casas, os livros, as estátuas construidas em seu nome, um legado... e nos deixamos o quê? Um monte de bits artificias aos quais ninguém vai conseguir aceder? ou até surgir a próxima plataforma e tudo que até então construimos, desaparecer? sim, nao estou perto de chegar a nenhuma conclusão como podem ver ... beijo na bunda 

terça-feira, 31 de maio de 2022

O rapaz da capital.

Eu sei, eu sei, ainda não trouxe aqui as minhas aventuras no campo do amor... Pois bem, as cenas com o rapaz da capital estão a correr bem, muito bem. Fomos viajar recentemente, o nosso primeiro fim de semana de férias, a meio caminho... Nuestros hermanos, se é que me entendem 😜


Podia dizer tanto, e ao mesmo tempo é a primeira vez que ando a sair com um rapaz e só quero guardar isso para mim. Não é que não queira dar azar, mas está a correr bem, e quando está a correr bem, queremos prolongar essa sensação ao máximo, não é mesmo?


Sim, este padrão de começar relações à distância tem vindo a repetir-se na minha vida, é irónico como o destino mete as mesmas lições vezes e vezes sem conta no nosso caminho... Até aprendermos algo. Das duas uma, ou isto corre bem, ou isto corre mal e aprendo de vez a ficar-me pela fauna local. A merda é que a fauna local que eu mais gosto, não é a do mesmo sítio onde moro. E isso é tramado, muito. Há que procurar ser feliz bem sei. E tenho-o sido. Quem me segue desde 2015 sabe que sempre quis voltar para Portugal. E esta sensação tem ido e vindo, qual ondas do mar. A porra é que antigamente isto vinha e depois passava, agora as ondas mais parecem o oceano Atlântico ali para os lados da Nazaré!! São ondas com o tamanho 3 andares e que vêm de 5 em 5 minutos. Não dá para acalmar um mar assim...


E é tão injusto quando isto acontece e estamos a viver uma das melhores oportunidades profissionais de sempre. Dá aquela sensação de "mas tu nunca estás satisfeita pois não menina?", de que vos falei no último post.


Eu só queria ter uma varinha mágica que me permitisse viajar no tempo, e ver o outcome de cada decisão. Assim o meu dilema ficava resolvido de vez, acaba-se o conflito interno.


Mas, o mais provável, é que ia ver coisas positivas e negativas em cada uma das decisões, porque isso é que é a fucking life. Decidir algo é renunciar a outras coisas, sempre, se escolho o caminho A fico com as vantagens e problemas desse caminho, mas também não tenho as vantagens nem problemas do caminho B... Mas como saber qual o melhor para mim? Quem é que me vai ajudar a decidir esta merda??? E se me arrepender da minha decisão? 


 


Beijo na bunda 

terça-feira, 24 de maio de 2022

"primeiro beijo na bunda" || tentativa de começar outro blog, no entanto, volto sempre à desarrumada

Não vou insistir em formalidades, mas queria marcar aqui o momento do meu regresso aos blogs. 


Pronto, já esta, regresso marcado. Agora vamos ao que importa.


Hoje senti vontade de escrever, vontade de desabafar, e precisava de tirar cá para fora, certas coisas que me vão na alma. Sim, começo outro blog porque quero que as minhas aventuras do passado fiquem por la. Ok, sim, tudo fez parte de quem sou hoje, e estou muito grata por tudo que vivi, mas, no entanto, contudo, não obstante, sinto que preciso de deixar muita coisa para trás para tentar ser a pessoa que já penso ser. 


A pessoa que já fui no passado não me serve, e sei que se estas por ai a ler e não tinhas lido o meu antigo blog desde 2015, provavelmente não vais perceber nada, podes ate pensar "quem é esta croma?", pois, o problema é que nem eu sei quem sou. Ja atingi muitas coisas a nível profissional, alias nunca estive tao bem como estou agora, mas sinto que ainda não é isto... e detesto profundamente viver assim, porque parece, desde sempre, que nada me satisfaz.


Este blog, e tantos outros, é sobre isso, essa busca incessante pela próxima etapa, a solidão que reside na ambição, os momentos sozinha perdida dentro de mim mesma, e o tentar acalmar o espírito. Tentar dizer aos meus pensamentos: shiiiiu, quem esta no controlo sou eu!


Mas controlo de quê??? Pois, nem eu sei.


E agora, o famoso, o tão aguardado : Beijo na bunda ! 

Hoje estou positiva

Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...