Aquele momento em que sais de casa, phones nos ouvidos e vais correr. Em quase 40 minutos dás a volta á tua cidade quase toda, já não vês nada à frente. No início, tu, a tua música e lágrimas. Muitas. As pessoas olham, mas não queres saber porque sabes que precisas daquele momento a sós contigo. Sentes saudades de ter um porto de abrigo para onde voltar.
Constatação de que isso só vai acontecer meia dúzia de semanas por ano, nos próximos anos, para o resto da tua vida ou enquanto quiseres. Constatação de que estás por tua conta. Na estrada, e no dia-a-dia. Há palavras que magoam, e assuntos que se tornam tabu.
A corrida acaba. Conheces rostos novos no final, outra oportunidade surge e alguns sorrisos chegam de longe. E percebes que um dia mau não significa que tens uma vida má. Amanhã é um novo dia. Boa noite.
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