domingo, 26 de junho de 2016

Voltar. Balança da consciência.

Já vos disse noutras ocasiões que luto muito comigo própria com a vontade de voltar para Portugal um dia. Sei que uma parte de mim não quer fazer a sua vida toda em França, sei que a outra parte de mim sente que pode acrescentar valor na sua área profissional em Portugal, mas que a nível económico não está favorável para ninguém.


Sei que se calhar se não tivesse um namorado em Portugal talvez a vontade de voltar fosse menor, e também sei que existem coisas aqui em França na minha área profissional que não me agradam minimamente. Tudo isto me deixa confusa, entre a "espada e a parede emocional". Como se tivesse que decidir todo o curso da minha vida nos próximos anos. Por isso, dei a mim própria um prazo de cinco anos em França. Já estou quase a chegar ao segundo. Ainda faltam três. Decidi que vou juntar um pouco mais de dinheiro para o caso de querer voltar. Mas admito, querer voltar deixa-me com um "sentimento de culpa" que me assola todas as noites e todos os finais do mês quando vejo a conta, sei que não ganharia isto se ainda estivesse lá. Mas também sei que ganharia outras coisas que não tenho aqui. Sinto que tenho que meter amor e dinheiro numa balança e que sou jovem de mais para pensar nestas coisas, ou então velha de mais para voltar atrás nesta decisão... mas também sei que não preciso de decidir agora. Ainda faltam três anos, pelo menos é o que digo a mim própria para me descansar e conseguir dormir.


Gosto de desabafar aqui, talvez se encontre por aí outro emigrante com os mesmos pensamentos que eu, talvez isto não o ajude nada em termos práticos, porque sou só eu a lamentar-me, mas talvez ajude o facto de não se sentir sozinho se pensar como eu. Talvez alguém leia isto e pense "tão parva, em vez de aproveitar outro país e esquecer de vez Portugal, anda com estes pensamentos de culpa por não saber onde quer estar!"

Sim, é verdade. Se soubesse onde quero estar tudo seria mais fácil. Mas estar bem e saber onde quero estar é muito diferente para mim. Porque a verdade é que estou muito bem aqui, mas bem no fundo de mim eu sei que queria estar lá.

4 comentários:

  1. Como eu te compreendo! Não é fácil estar longe...

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  2. Apesar de não estar longe de casa, entendo perfeitamente a tua situação. Há 5 anos atrás, depois de me licenciar, olhei à volta a pensei "e agora?". A minha área estava sobrelotada, os ordenados eram uma miséria e eu sentia-me mais uma que gastou balúrdios em cursos para cair no desemprego. Pensei muito em ir para fora - para a Ásia mais propriamente - mas depois, surgiram várias questões que acabaram por pesar mais do que a procura por um futuro melhor e acabei por ficar. Se me arrependo? Sim, muito. Na altura tinha 21 anos, era recém-licenciada, não tinha nada a perder. Poderia muito bem ter ganho experiência fora e, alguns aninhos depois, ter regressado. Mas não, fiquei por cá. Talvez esteja a ser ingrata porque a verdade é que nunca estive desempregada e sempre trabalhei em bons sitios, mas nunca naquilo que realmente sempre quis fazer.
    É verdade que a tua situação custa mas pensa que ainda és jovem, estás a ganhar experiência e quem sabe, um dia quando decidires voltar, se não será mais fácil encontrares um bom emprego por cá por teres estado "no estrangeiro" a ganhar conhecimento...

    Entretanto, já andei por aqui a "espiolhar" o teu blog e gostei muito!

    Um beijinho e força! =)

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  3. Mesmo nada! Alguns dias mais fáceis que outros... Pensas algum dia voltar a Portugal?

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  4. Obrigada Miss Messy! Sabes que nunca é tarde para arriscar, mas a verdade é que quanto mais fixarmos a nossa vida mais difícil é sair, qualquer que seja o lugar onde estamos... eu tenho-me fixado por aqui, e isso assusta-me por saber tudo que tenho que largar se um dia quiser voltar... coragem e força para os que vão e para os que ficam! obrigada*

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