sábado, 16 de julho de 2016

E se fosse comigo?

Hoje acordei com aquele pensamento estranho, talvez egoísta, sobre os atentados. E se fosse comigo? Sabendo que viajo regularmente para grandes cidades de França, que ando regularmente de metro e visito aeroportos algumas vezes por ano. Sendo a França, ultimamente, um dos alvos preferidos, as probabilidades de acontecer algo, em qualquer lugar, estão sempre aumentadas.


Não ouço dizer para nos escondermos nem algo que se pareça (aliás, por aqui incentivam sempre as pessoas a continuar a sua vida normal, sem medos), mas o pensamento do "E se...?" permanece, admito. E se um dia estiver no lugar errado à hora errada? E se alguém que eu conheço estiver lá? É sempre fácil rezar pelos outros, mas quando são os nossos as dores são inexplicáveis. É uma dor tão grande que nem consigo imaginar o que sentiram os familiares das vítimas em Nice quando viram o camião aproximar-se. É inimaginável, e não há palavras que o descrevam.


A verdade é que o medo, apesar de tudo, é um sentimento humano, faz parte da nossa natureza, e virá ao de cima sempre que houver um episódio destes, quer queiramos quer não.


Sim, sei que o ideal (se houver um ideal a seguir!) é continuar a vida sem medos. Medo é o que eles querem que nós tenhamos. Mas nestas manhãs tranquilas de Sábado, sozinha no meu quarto, não é fácil usar a máscara da coragem.


Continuemos o nosso percurso e acreditemos que um dia a paz vencerá. Um dia.

6 comentários:

  1. Como eu digo para morrer é só preciso estar vivo. O ano passado um despenhou-se com 150 pessoas a bordo só porque se queria suicidar.
    O melhor é não pensar. Mas compreendo. Até aqui eu penso, principalmente quando estou em Lisboa enfiada nalgum mar de gente ou ando de metro.

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  2. Recuso-me a sucumbir. Não é por valentia, é... porque sim. Gosto de viajar, não vou deixar de o fazer porque o mundo está a endoidecer. Vou para o aeroporto com borboletas no estômago e formigueiro nas mãos: adoro as lojas, nomeadamente no regresso,mas gosto de ir cedo, tomar o pequeno almoço (ou um belo café, ou coisa do género) nas calmas, espreitar livrarias e tabacarias, e carregar-me de revistas e alguns livros. É aí que começa a diversão da viagem. Não gosto da estucha dos raioX que demoram sempre tempo demais... e se um dia, como dizes,fosse comigoP Olha, era.
    Como era se eu tivesse um acidente de carro. Ou se fosse atropelada quando sou peão. Ou caísse o teto (não é disparate, aqui uns prédios acima, há coisa de dois anos, estavam numa festa de anos e a sala do terceiro andar desabou sobre o segundo... felizmente ninguém se feriu...)
    Por isso, olha, o que se leva desta vida é o que nos faz feliz. E se tiver de acontecer alguma coisa, já agora, que seja no regresso, que já enchi a barriga de experiências boas :)
    [vê lá que a irresponsabilidade é tanta que eu e o marido estamos a planear uma visita à Disneyland o mais próximo que a nossa conta bancária permitir - já lá fui duas vezes, tendo sido a primeira 18 dias depois das Torres caírem - mas se há alvo apetecível em França neste momento, não me lembro de melhor.
    E não é isso que nos vai impedir...

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  3. Odeio sentir medo e tento contrariar esse medo... Lembro-em quando foram os ataque em Paris que estava sempre à espera que rebentasse qualquer coisa no Porto e vivia com esse medo... Os polícias de arma em punho o dia todo nos principias locais só me davam mais medo - porque se estavam naqueles preparos é porque poderia acontecer alguma coisa - e ainda assim corri uns poucos de países nestas últimas férias... tento não pensar muito nisso, ainda que viajar de avião seja cada vez mais um martírio, mas gosto demasiado de viajar e se é para morrer... que morra feliz!

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  4. É difícil não pensar... mas a vida continua! Sem medos e sempre a olhar para a frente ;)

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  5. Opah, fazem muito bem, a Disneyland é espectacular!!! :) divirtam-se e não pensem em desgraças :)

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  6. Exacto. As memórias que guardamos quando viajamos... essas ninguém as tira :)

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