quarta-feira, 15 de março de 2017

Textos dos outros que amo ler #1

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

de Pablo Neruda

 

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: «A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe.»


O vento da noite gira no céu e canta.


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a, e por vezes ela também me amou.


Em noites como esta tive-a eu nos meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.


Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.


Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi já.


Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.


Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.


Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido


Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, e ela não está comigo.


A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.


Já não a amo, é verdade, mas tanto que eu a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.


De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.


Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.


Porque em noites como esta a tive nos meus braços,
a minha alma não se contenta com havê-la perdido.


Embora esta seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

 

Tradução de Fernando Assis Pacheco.

2 comentários:

  1. Ooh...Eu também gosto do Pablo Neruda. Não encontrei tradução mas gosto particularmente deste:

    Muere lentamente quien no viaja,
    quien no lee,
    quien no oye música,
    quien no encuentra gracia en sí mismo.
    Muere lentamente
    quien destruye su amor propio,
    quien no se deja ayudar.
    Muere lentamente
    quien se transforma en esclavo del hábito
    repitiendo todos los días los mismos
    trayectos,
    quien no cambia de marca,
    no se atreve a cambiar el color de su
    vestimenta
    o bien no conversa con quien no
    conoce.
    Muere lentamente
    quien evita una pasión y su remolino
    de emociones,
    justamente estas que regresan el brillo
    a los ojos y restauran los corazones
    destrozados.
    Muere lentamente
    quien no gira el volante cuando esta infeliz
    con su trabajo, o su amor,
    quien no arriesga lo cierto ni lo incierto para ir
    detrás de un sueño
    quien no se permite, ni siquiera una vez en su vida,
    huir de los consejos sensatos…
    ¡Vive hoy!
    ¡Arriesga hoy!
    ¡Hazlo hoy!
    ¡No te dejes morir lentamente!
    ¡NO TE IMPIDAS SER FELIZ!

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  2. Por acaso conheço este... e digo-te já, nunca evitei uma paixão! Mesmo sabendo que vou bater com o focinho na parede mais próxima... lá vou eu toda contente amar até mais não.

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