terça-feira, 18 de julho de 2017

Aos colegas de trabalho.

O tal jantar correu muito bem. Soube bem sair e estar com uma colega que, muito provavalmente, nunca mais vou voltar a ver ou falar com...


 


No sítio onde trabalho há muitos emigrantes e alguns só estão cá por um ano, aprendem o francês, e bazam para outros sítios mais "atractivos", como grandes cidades, ou zonas próximas de aeroportos... não os censuro, assim que puder faço o mesmo, só censuro a falta de carácter de alguns, que cospem de boca cheia numa instituição que tanto os ajudou - alguns dos mais mal agradecidos tiveram direito a curso de francês pago à chegada em França - eu nunca cheirei nenhum desses, foi o démerde-toi completo nos primeiros meses.


 


A verdade é que tem sido um vai-vem de colegas, eles chegam a falar zero da língua, com hábitos de outros países, tal como eu cheguei é claro, e uma pessoa lá vai fazendo o esforço de ser compreensivo, explicar uma e outra vez como funcionam as coisas no trabalho, mostrar uma e outra vez os cantos à casa, traduzir em inglês, escrever o mais importante em francês com traduções ao lado, às vezes, em situações desesperadas, até desenhos faço!


 


Uma pessoa afeiçoa-se, pensa estar a trabalhar num sítio onde existe uma verdadeira equipa... e quando a coisa corre bem, quando já dá para ter conversas fluídas sem parar a cada 5 minutos para traduzir algo, eis que chega a demissão. Eles vão embora, eu fico - já levo quase 3 anos deste sítio, o que faz de mim a mais "antiga" da minha equipa - e vira o disco e toca o mesmo, c'est parti para mais uma fornada de colega novos. E os que vão, raramente falam ou dão novidades, quando meto conversa com alguém pelo messenger mandam-me passear (não directamente, mas quase, que vai dar ao mesmo!).


 


Não admira que esteja cansada e a desistir completamente de fazer amigos no trabalho, pelo menos neste trabalho.


 

3 comentários:

  1. Sinto que és uma pessoa que gosta de se dar aos outros e de uma forma natural ajudá-los. E creio que muitas vezes gostarias de receber dos outros nem que fosse metade do que tu lhes dás.
    Só que por vezes as pessoas estão tão focadas nelas próprias que nem se apercebem que usam os outros como escadas para atingirem os seus objectivos.
    Não desmoralizes, o problema não está em ti mas si em quem não vê a incrível pessoa que tu és.
    Já agora o que te prende ao teu trabalho?

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  2. Este conselho é gratuito. Tempera-o com sal e pimenta a gosto porque, se os conselhos fossem sempre bons, já alguém se tinha lembrado de cobrar guita por eles.

    No trabalho, deves sempre adoptar uma atitude afável, mas não acho que devas ver as pessoas com quem trabalhas como sendo tuas amigas. Há demasiadas variáveis, demasiados interesses. E depois há pessoas que são demasiado falsas. Ao catalogá-las como amigas em vez de colegas de trabalho, estás a expor-te e a permitir que saibam pormenores da tua vida (seja profissional seja pessoal) que amanhã te podem morder esse rabiosque gostoso e puxar-te para baixo.
    Na minha vida, sempre me regi por uma regra. No trabalho, tenho colegas. Não vou constantemente competir com eles, até posso ir beber um copo e trocar meia dúzia de larachas, uns jantares de confraternização, uns get togethers. Mas tenho uma vida no trabalho e outra fora dele. E são duas vidas diferentes vividas por duas pessoas diferentes. E se a minha vida pessoal pode interferir com a minha vida profissional por motivos óbvios, o contrário não pode ser verdade.
    Por exemplo: No meu trabalho ninguém sabe de bloguices e afins. Sabem que gosto de ver blogs, mas não sabem que EU ando nessa vida.

    Mais importante de tudo, manter as relações fora do trabalho. Não digo que numa noite de bebedeira não te couches com o colega giraço do andar de cima (não sei se há ou não, mas percebeste o exemplo), mas é de evitar a todo o custo. Porque as paredes têm ouvidos, porque podes por uma noite de alegria prejudicar a tua vida no sítio onde estás. Porque precisas de dez, quinze, vinte acções boas para provares que tens valor, mas basta uma acção má para te tratarem como lixo.

    Muitas beijocas, dESarrumada. E qualquer coisa, já sabes...

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  3. Em profissões de elevada rotação, a formação é sempre um "investimento" sem grande retorno. Geralmente as empresas estão preparadas para isso, mas aposto que ela nunca pensou ou não quer pensar em criar condições para reter os melhores.

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