Querido diário, já me apercebi que fico mais triste e deprimida quando volto para França depois de passar férias em Portugal. Normalmente esta situação dura sensivelmente 2 meses. Dois meses em que "morro" de saudades, dois meses em que sofro de ansiedade constante, medo de "nunca mais lá voltar", medo de não realizar todos os projectos que me passam pela cabeça quando lá estou.
Dois meses depois e tudo passa. Parece que a mente esquece os cheiros, as vozes, os lugares. Parece que tudo está a uma distância enorme, a vida continua, outros projectos surgem, eles estão lá e eu estou cá. Sinto que ir lá (às vezes) só me faz mais mal do que bem. No momento estou óptima, mas quando volto passo por umas semanas horríveis, em que só penso em voltar. Sinto que ir lá várias vezes por ano interrompe o meu processo de luto, o luto que tenho vindo a fazer por ter escolhido sair do país e deixar tanto para trás. Adoro ir e ver a família, os amigos, tudo. Mas isso tudo também me provoca uma dor danada. Deixa-me um sabor doce na boca que depois se vai transformando em azedo.
Hoje sei, eu sou a alma que tenho no corpo. Eu vivo no momento presente. Não me serve de nada estar a pensar no amanhã ou no ontem. É seguir em frente. É saber que enquanto me tiver a mim mesma tudo vai correr bem, seja em que país do mundo for. E não caio em ilusões, em sonhos e devaneios de que no estrangeiro vou ser isto e aquilo. Caí na real, como dizem. Sei hoje que o que importa na vida são os pequenos momentos diários, as pequenas conquistas. Não adianta ter sonhos de grandeza, não adianta estar sempre na ânsia de subir a montanha, subir, subir, e depois de chegar lá em cima ver que está nevoeiro e que a vista cá em baixo é que é a mais bonita.
Hoje sonho com os dias de paz que tenho tido. Não me interpretem mal, se quiser escolher muita coisa que está a correr "mal" eu consigo dizer umas quantas. É muita confusão no trabalho com a pressa para fazer "números", é preciso ver cada vez mais doentes em menos tempo, é muitas situações de mal-entendidos com colegas, mais as coisas com o meu namorado que não têm estado bem. Muita coisa está a correr mal, mas eu escolhi estar em paz. Tenho duas pernas, dois braços, posso comer, respirar, sou independente moral e financeiramente, moro na Europa (e isso é uma sorte dos diabos, uma pessoa às vezes nem pensa), posso ir para onde quiser, posso sonhar com tudo que quiser. Sei que o dia de amanhã vai chegar, o sol ainda vai brilhar muitas e muitas vezes ao longo da minha vida, espero. Por isto tudo hoje digo obrigada. Amanhã tudo poderá ser diferente e posso cair no fundo do poço outra vez. Mas hoje estou em paz e mesmo que quisesse arranjar motivos para estar triste, não conseguiria.
Ora aí está uma boa filosofia de vida!!
ResponderEliminarObrigada, mas ainda tenho muito para crescer! beijinhos
EliminarO mundo em volta parece desmoronar, mas o que importa é que estejas bem e em paz!
ResponderEliminarGostava de ser assim, de me sentir como tu...
Beijinho
E vais sentir vais ver. Infelizmente nem sempre sou assim, há dias em que só consigo chorar... mas tudo passa e isto também vai passar.
EliminarDe facto somos nós que escolhemos...continua sempre a escolher ser feliz...
ResponderEliminarSim, muitas vezes é mesmo uma questão de escolha! tu também, escolhe ser feliz!
EliminarOra assim mesmo, excelente atitude para com a vida :)
ResponderEliminarObrigada! é complicado ficar-se triste quando se pratica a gratidão... um dia vou perceber isso :)
EliminarDesarrumada, não estás sozinha! Depois de 4 anos (e meio!) fora de Portugal, finalmente percebi que a solucão é lá ir mais vezes. Se 2 vezes por ano não chega, é ir 3 ou 4 ou mesmo todos os meses (nem que sejam 2 dias) porque isso acalma o coracão como nenhuma outra coisa faz.
ResponderEliminarFui lá em Outubro e irei de novo no Natal, 2 meses passam a correr e desta vez nem tive tempo para a típica depressão :)
Compreendo o que dizes! Também acho que ir lá mais vezes me ajuda, no entanto, parece que nunca consigo ficar "em paz" com a vida que tenho aqui, porque estou sempre com a cabeça em Portugal. O meu post era mais nesse sentido. No entanto, a minha mente oscila entre os pensamentos de "vou mandar isto tudo com os porcos e voltar para o "meu" Portugal" ou "é desta que nunca mais lá volto! acabou!". é muito complicado ser-se indecisa e não se saber bem o que se quer da vida! Talvez um dia as respostas cheguem...
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