quinta-feira, 21 de junho de 2018

Preciso da ajuda do público!

Tenho 27 anos, estou a morar no estrangeiro e a minha mãe liga-me todos os dias. Quando não posso falar um ou vários dias, na chamada seguinte tenho que ouvir o "discurso da culpa"... aquele em que ela diz que já não lhe ligo, que já não gosto dela, que fica preocupada quando não falo com ela e que durante X dias não dormiu nada, etc. Esta situação tem sido stressante para mim, sinto que nos últimos anos passou a ser uma obrigatoriedade falar com ela, não porque eu sinta vontade, mas porque se não o fizer ela vai passar-se e fazer-me sentir culpada. Já tentei de tudo para só falarmos de 2 em 2 dias e nem isso consigo, para ela tem de ser todos os dias se não a mulher nem fica bem... mas eu, não me imagino a fazer isto todas as noites durante os próximos anos, ainda por cima sabendo que cada chamada são pelo menos 40 minutos e que gostava de ter serões livres sem estas chamadas em que muitas vezes ela só se queixa de tudo e de nada, do meu pai, do dinheiro, da vida que está mal...


 


Que acham desta situação? Todas as mães são assim? Isto é normal e eu é que estou a implicar sem motivo ou a minha mãe tem algum "problema" em deixar os filhos sair do ninho e isto é preocupante? Começo a ficar desesperada e às vezes acabo por falar mal com ela quando não é isso que quero... aí a culpa vem para ficar e em dose dupla.

25 comentários:

  1. É tudo uma questão de habituares a tua mãe - obviamente que ela sente a tua falta e gosta de desabafar contigo mas também tem de perceber que tu precisas de espaço para respirares e tem de começar a aprender a lidar com a separação.
    A minha mãe por ela ligava-me todos os dias, mas eu sempre fui mais despegado e cabeça no ar e habituei-a a ter uma chamada minha uma vez por semana, e ela já encara isso de forma normal.
    O pior foi quando fiz Erasmus que esqueci-me completamente que lhe devia ligar, e passei umas três semanas sem dizer nada. Conclusão, ela já estava a um passo de colocar a Interpol à minha procura, por pensar que eu tivesse sido raptado

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, eu acho que já tentei de tudo para a habituar! Mas ela vem sempre como discurso da culpa e liga, liga, liga... às vezes estou a lavar a louça ou na casa-de-banho e não atendo logo... ela chega ao ponto de em 10 minutos me ligar 3x. Como é que posso passar por isto e não atender? Sinto-me tão mal... estou a imaginar-me com filhos e 50 anos e ela ainda a ligar-me todos os dias xD

      Eliminar
    2. Há uma forma fácil e eficaz de desarmares a tua mãe e teres algum tempo livre.
      Hoje por exemplo quando ela te ligar dizes que vais ter um encontro no dia a seguir e provavelmente não a vais poder atender porque vais estar no bem bom a noite toda - certamente que ela vai compreender as necessidades da filha
      No dia a seguir quando ela te ligar mal ouças a voz dela começas a falar de quão bom foi o coiso e tal, mesmo que não tenha havido.
      Vais ver que começas a ter uma folga de um dia pelo menos

      Eliminar
  2. Saí de casa com 17anos, mais de 200km e uma universidade a separar-nos.
    Com telefone em casa mas a ligar de cabines (umas casinhas que tinham telefone alimentado a moedas ou cartão; na altura telemóveis eram tijolos profissionais), as chamadas só eram diárias quando havia problema, e a minha mãe começava invariavelmente por "onde estás", ligasse ela ou eu... as chamadas duravam geralmente entre 30 e 300 segundos.
    Quase 30 anos depois, a frequência é diária. A duração, a mesma - mas, e este é que é o verdadeiro indicador, nunca pergunta onde estou.

    Mãe é Mãe. E Pai é igual :D

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, se calhar devia aceitar isto como normal...e acho que já aceitei... mas gostava que fosse mais "saudável", gostava que falássemos todos os dias tranquilamente, mas que nos dias em que não falamos a coisa também ocorresse sem stresses... não percebo é porque é que ela tem de me "atirar" à cara os dias em que não falamos... se fosse tudo sem stresses eu nem punha em causa ligar-lhe todos os dias. Mas com esta pressão não sei não...

      Eliminar
    2. Seremos sempre filhas...

      Mas chega uma altura em que todas somos mulheres, e a relação adquire uma outra dinâmica. Pode acontecer naturalmente, é o ideal; ou pode ter que ser conquistada, esta dinâmica. Impõe-se uma conversa em que ambas devem trocar de papel.
      Claro que há vários níveis de dependência - durante 20 anos alertei uma amiga para não se envolver tanto nas actividades da filha ou a ausência do ninho deixá-la-ia desamparada... com o mais novo, está a reaprender a dedicar tempo a ela mesma.
      Cada caso é um caso, mas além da conversa de reclamação da "mulheridade" a par da "filhitude", talvez arranjar projectos comuns que possam ser partilhados à distância permita asas a ambas...

      Eliminar
  3. A minha mãe e a minha avó são iguais comigo...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Deve ser algo das mães/mulheres portuguesas... ainda não vi isto aqui em França...!

      Eliminar
  4. Combine com a sua mãe passarem a escrever (cartas ou e-mails). O telefone escraviza. Já lhe mostrou o seu artigo sobre o seu avô que é o mais forte? Talvez de ler alguns dos seus bem escritos e ternurentos artigos, ela não queira outra coisa.Envie-lhe também o video do Zeca Afonso "Minha mãe". E tenha paciência. Um abraço telefónico.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Júlio, eu até mostrava o texto, mas sem o resto do blog, ok? A mulher ainda fica traumatizada

      Eliminar
  5. Nunca criei o hábito de falar diariamente com os meus pais. Talvez por isso, de parte a parte, não haja essa necessidade. Ligamos quando nos lembramos, quando precisamos de algo,...
    Mas a situação é diferente porque vivemos a 20km uns dos outros e por isso estamos juntos com frequência.
    Percebo a necessidade da tua mãe, mas não entendo o discurso da culpa. Faz-me lembrar a minha avó paterna... e isso não é bom...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois, eu até podia aceitar perfeitamente isto de falarmos todos os dias sem piscar um olho. Acho que o meu problema é mesmo: o facto de ter esse discurso de culpa quando não falamos e as chamadas durarem sempre por volta de 40 minutos (se falo menos diz que a estou a despachar!)
      Como é a tua avó paterna?

      Eliminar
    2. A minha avó paterna era do estilo do discurso da culpa. Quando lá íamos visitá-la, a conversa era sempre a mesma de que os filhos não ligavam e que ninguém a visitava e mais não sei quê...
      De cada vez que lá ia, ficava com menos vontade de lá voltar... infelizmente...

      Eliminar
    3. Pois, é o tal discurso contra-producente... quando finalmente tens ali a chamada ou visita tão ansiada, pumba, críticas e mais críticas... ao ponto de que o que tanto anseias se vai cada vez mais afastando... eu fazia isso com os meus ex. Queria tanto que me ligassem, que quando o faziam dizia vezes e vezes sem conta "tu nunca me ligas", até que acabavam por não ligar nunca. Espero não ser assim enquanto mãe...

      Eliminar
  6. Vamos começar do início. A senhora tua mãe tem direitos. Carregou-te 9 meses, aturou as tuas birras, ficou com a vida completamente alterada por teres nascido. Merece tudo e um parzinho de botas. Posto isto, a chamada diária parece-me absolutamente normal. E não, não estou a gozar. Chamadinha diária. Sim senhora!

    Mas quarenta minutos parece-me claramente excessivo por parte da senhora. E aí entram os teus direitos. Ah e tal sim senhora que faço a dita chamadinha diária. Mas 40 minutos ao telefone não posso. Tenho que ir comer um gajo, tenho que ir jantar a casa das amigas, tenho que ir tomar banho que daqui a um bocado vem cá o gajo da Domino's Pizza e ele é giro que se farta. Vamos despachar isto. Os tais 300 segundos que já li algures ali para cima. E compensas um ou outro dia que estejas mais folgada com os ditos 40 minutos.

    Acho que é a melhor solução. Fazes tu a chamada e depois ao fim de um tempo, quando vires que a coisa está a esticar-se "Mamã, estou aqui na casa da XPTO e estou a ficar sem bateria"

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim, é o que acabo por fazer... excepto que quando sabe que tou em casa tenho que ouvir um "ai filha já me estás a despaxar!" E uma pessoa fica à toa... parece que estar em casa = ter todo o tempo do mundo. Se digo que tenho que ir arrumar ou lavar a louça "até parece que tens um rebanho de filhos a sujar", se vou ver um filme, serie ou ler "estás a despachar", se tenho alguém em casa " a tua mãe já não é importante"... olha esquece, seja o que for que faça ela nunca tá contente xD

      Eliminar
  7. Acho que depende muito das pessoas. Vivo a 30 km dos meus pais, estou com eles uma vez por mês, nem isso, e apesar de ser muito ligada aos meus pais, só ligo mesmo quando é preciso alguma coisa. E os meus pais passam semanas sem me ligar, de tal forma que às vezes sou eu que me queixo que não querem saber de mim.
    Mas pelo contrário tenho a minha sogra que vive a 1 km de mim, que nos vê quase todos os dias, passa todos os fins-de-semana comigo e se estiver mais de 2 a 3 dias sem falar, liga e reclama que o filho não quer saber dela.
    Acho que o segredo é educar. Numa próxima vez, avisa que no dia seguinte não vais poder ligar porque tens alguma coisa combinada. No entanto, nesse dia manda-lhe uma mensagem a desejar-lhe boa noite ou assim, e que lhe ligas no dia seguinte. Acho que se começares a avisar que não vais poder falar no dia x, mas não te esqueceres dela com uma simples mensagem, ela não se vai sentir abandonada, e lentamente começa a desligar e essencialmente, não te culpar.
    Um beijo e boa sorte!

    ResponderEliminar
  8. (nem todas as mães são assim) Não tenho conselhos, há um conjunto de cenas com as quais tens de lidar para ultrapassar a questão, mas desejo-te boa sorte. :)

    ResponderEliminar
  9. O m-R passa pelo mesmo.
    O melhor que consegue é, mostrando que está ocupado com tarefas, transformar a chamada de meia-hora num telegrama telefónico de 5 minutos.
    Já tentaste essa técnica?

    ResponderEliminar
  10. A minha mãe estava habituada a que eu lhe ligasse todos os dias antes de ir para o trabalho. Mas comecei a cortar e passámos a falar apenas 2 ou 3 vezes por semana.
    Ma terça ligou-me a dizer que já não falávamos há tantos dias, ao que eu respondi que tínhamos falado no sábado. Então, são muitos dias!, disse ela.
    Claro que não me consegui conter e respondi: não são nada eu já não falo com o filhote há umas duas semanas!
    - Ai, não sei como consegues..
    _ Então mãe, ele anda lá na vida dele, não quero incomodar...

    Eu sei que também é solidão e necessidade de falar.
    Alicia-a a fazer actividades com outras pessoas, com amigas ou vizinhas e essa necessidade de falar contigo esmorece.
    Acho que deves introduzir que amanhã não vais poder atender. Depois um dia, não atendes e mandas um sms a dizer que não podes, que fica para amanhã...

    ResponderEliminar
  11. Eu também "sofro" do mesmo mal. Dia sim, dia não recebo uma chamada materna, em que me cobra o facto de não ser eu a ligar. Não tenho culpa de viver a 1000!! De não querer ouvir queixas disto ou daquilo, de ter que resolver problemas, que não criei!! Compreendo que não trabalha, que está sozinha o dia todo (ainda por cima o meu Pai esta a trabalhar fora), mas eu estou em horário laboral. E às vezes ignoro a chamada. Sei que daqui a uns anos (espero que muitos anos!!!) me vou arrepender. Em contrapartida o meu Home só recebe chamadas parentais, quando precisam dele, nem no aniversário ou Natal lhe ligam!! Como costumo dizer, tenho 4 filhos com mais de 60 anos, como vou conseguir criar um filho!? 😉

    ResponderEliminar
  12. Há 3 anos atrás responderia de forma diferente.
    Desde então digo: aproveita cada momento. Desconhecemos o amanhã.

    ResponderEliminar
  13. Eu já disse isto várias vezes à minha mãe e agora a ler estes comentários todos, repito para mim própria: ainda bem que tenho a minha mãe e não outra xD
    Eu deixei de "viver" com os meus pais há cerca de 4-5 anos para ir estudar a 500km de distância. Nunca tive por hábito voltar a casa todos os fins de semana, até porque não compensava e, nem mesmo quando acabei por ir estudar para outro sítio não tão distante, me senti obrigada a ir a casa só para fazer a vontade aos meus pais. E pronto, nestes 4-5 anos a coisa tem funcionado assim: eu não falo com a minha mãe ao telefone, por chamada propriamente dita, mas falo com ela todos os dias por messenger. Começa com um "bom dia" e ao longo do dia vamos falando, tipo "notícias ao minuto", quando achamos que aconteceu algo de interessante para contar ou quando precisamos de fazer queixinhas de alguém... seja para o que for que precisemos de partilhar uma com a outra. A minha mãe é a minha melhor amiga, basicamente :) Há dias em que não me apetece usar muito o messenger ou que não tenho tempo para grandes conversas, claro. Seja qual for a minha razão, que esteja ocupada ou não, que tenha vontade de falar com ela ou não, ela respeita e não estranha se eu passar praticamente o dia todo sem lhe dizer nada para além do "bom dia" habitual. Pergunta simplesmente se está tudo bem e dá-me espaço para retomar a conversa quando quiser. Mesmo que estejamos ali uns dias sem trocar grandes conversas, ela sabe que eu sei que ela está "sempre online" para qualquer coisa que eu precise. E não stressa com isso. Por isso é que penso e já lhe disse várias vezes - em comparação com aquilo que vejo a acontecer com as minhas colegas da faculdade, que ou têm de atender aquele telefonema obrigatoriamente para não haver represálias, mesmo que não haja muita conversa para pôr em dia, ou aquelas que são capazes de não dirigir a palavra aos pais durante semanas - ainda bem que a minha mãe... bom, é a minha mãe xD
    Fica aqui mais um testemunho e, enfim, uma dica, caso vejas que te pode ser útil: usar messengers, whatsapps e afins... pode ser que habituando a tua mãe a isso, ela te comece a dar o espaço que precisas. Não somos só nós que aprendemos a viver "sem" os pais, eles também precisam que os filhos lhes ensinem essa parte :)

    ResponderEliminar

Hoje estou positiva

Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...