sábado, 14 de julho de 2018

Diário de bordo 14.07.2018

Preciso de desabafar. Gritar até me rebentar as artérias! Como dizia o outro... mesmo que possa parecer injusta nas coisas que vou dizer.


Sinto-me mal, a férias não me fizeram bem, muito pelo contrário. Devia ter tirado menos tempo. 3 semanas, 2 das quais passadas com os meus pais, deixaram-me louca. Nunca mais volto a passar aqui tanto tempo! E deixo isto aqui escrito para consulta futura. 3 semanas sim, é uma das melhores formas de cortar com o stress do trabalho... adoro chegar ao trabalho e não me lembrar sequer dos nomes dos doentes, é sinal de que consegui desligar... mas em casa dos meus pais? Nunca mais!


 


Vou passar a enumerar os motivos pelos quais não volto a passar aqui mais do que uma semana de cada vez:


 


- os meus pais não saem de casa, eles não fazem literalmente mais nada para além de trabalho, casa, ir às compras (de comida ao supermercado);


 


- as conversas são sempre as mesmas, críticas e mais críticas: aos outros membros da família, aos vizinhos, à sociedade, à crise, etc. consigo contar pelos dedos das mãos as vezes em que houve uma conversa com um tema positivo;


 


- estão sempre, mas sempre a gritar e a mandar vir um com o outro;


 


- eles estão os dois com excesso de peso, então comem, comem, comem, até não parar. A minha mãe cozinha imenso, muitas das vezes carne... quando digo imenso é tipo 2 frangos para uma refeição (somos 3 pessoas!), ou 6 bifes daqueles grandes, ou 8 entremeadas, ou um estufado numa panela enoooorme... e a regra cá em casa é "não há restos, não se repetem refeições". Ou seja, sinto-me como um pato em que estão a tentar enfiar comida pela goela abaixo. Como sem vontade a maior parte das vezes. E se não quiser comer, lá vem o tal discurso da culpa "ai, fiz isto para ti, olha que vai para o lixo, não respeitas o que faço por ti, vens cá e nem comes "nada"..." atenção, que ouço isto já depois de ter comido meio frango sozinha ou dois bifes enormes de vaca;


 


- se aceito sobremesa, "ai que gulosa", se não aceito "lá estás tu com a mania das dietas". foda-se, sinto que tudo que como está a ser escrutinado ao mínimo detalhe e que a tendência é sempre a coisa pender para o "comer como uma vaca", obviamente, as calças que trouxe no início da viagem já não me servem. Vou ter que voltar para França de vestido, pois recuso-me a comprar roupa para este peso, que não é o meu...


 


- não há legumes. Já tentei fazer a minha própria comida, saladas, coisas saudáveis, não dá, simplesmente não dá. Para além de passar a refeição a ser criticada, "isso é comida de coelhos, não vais ficar satisfeita, para que te dás ao trabalho de fazer essas coisas? quando estás de férias devias relaxar e comer esta comida tão boa que a tua mãe faz!". Desisti da puta dos legumes. Não adianta, acabava por comer a minha comida e depois ainda tinha que comer a deles, e não adianta dizer que não, o meu pai mete a comida no meu prato e muitas refeições já acabaram connosco aos berros. Tenho que comer o que eles querem para bem da minha saúde mental. O que vão ganhar com isto é eu vir cá muito menos vezes;


 


- as conversas sobre o meu futuro vão sempre parar ao "ai filha estás a ganhar tão pouco, emigraste por causa disso? vê se no próximo trabalho arranjas algo a ganhar mais porque se não nem vale a pena estares lá fora. quando trocares negocia muito, não sejas totó como sempre!" E isto sendo que eu nem lhes disse quanto ganhava, mas acho que eles pensavam que vinha ganhar de 5mil euros para cima (hello?) e já lhes expliquei que na minha profissão há tabelas de remuneração e que eu não sou nenhuma super-pessoa vinda não sei lá de onde que vai ganhar mais do que os franceses, só porque sim, só porque os meus pais acham o meu salário pequeno e que devia ganhar o mesmo que um engenheiro (sim, porque o primo não sei das quantas que é engenheiro informático ganha uns 8mil euros... "ya, mas eu estou na área dos técnicos de saúde, e essas profissões fazem quase sempre parte das camadas mais mal remuneradas dentro de um país! apesar de estarem acima da média do país em questão, nunca fogem ali muito da média..."). Em Portugal ganhava cerca de 1/3 do que ganho neste momento, e eles mesmo assim acham que "compensava" voltar. Para que é que perco tempo a explicar-lhes estas coisas?


 


- depois há os dias em que tenho que ouvir um "estás lá tão bem, não voltes para cá, que vens para cá fazer? isto é uma pasmaceira, o país está tão mal, não te safavas..." Oh Deus... Às vezes acho que sou filha de pessoas bipolares, não admira eu ter ficado com problemas psicológicos. Minha gente, se querem filhos saudáveis, parem de opinar sobre cada área da vida deles, a saúde mental deles em adulto agradece;


 


- e por último... o melhor tópico! Alguém faz ideia??? Namorado! "Vê se arranjas alguém, estás lá tão sozinha... a filha da não sei quantas emigrou com o namorado, e agora já casaram. estás a ficar para trás. nem estás a poupar dinheiro nem te estás a fazer à vida." Como se eles soubessem TUDO sobre a minha conta bancária e vida pessoal. E a cereja no topo do bolo "ah e se for um português jeitosinho e filho único de pais ricos ainda melhor, era o ideal! não venhas cá parar com um francês, isso é que não!" Mal eles sonham...


 


Pessoal... resumindo, estou cansada destas férias... na segunda-feira apanho o avião e na terça começo logo a trabalhar. Vou chegar lá com a sensação de que precisava de umas férias das férias. Não fisicamente, porque não tenho feito nada (já vos disse que eles não saem de casa e qualquer coisa que eu proponha, ou é longe, ou é cara, ou não é interessante, ou não vai valer a pena a deslocação...) e relativamente ao desporto eu bem tento fazer, mas até nisso já ouvi bocas porque "tomar banho todos os dias faz mal e a conta fica muito cara..." então com o bafo que está nem faço desporto nem nada porque não conseguia deitar-me sem tomar banho.


 


Pronto, este foi o desabafo do dia... agora lembro-me bem porque é que saí de casa aos 18 anos sem intenções de voltar a meter aqui os pés. Infelizmente às vezes calham-nos pais tóxicos na rifa. Eu gosto muito deles,mas prefiro não morar com eles. Eles dão comigo em doida, é como se eu fosse um "alvo" e não me pudessem deixar sossegada 5 minutos seguidos. Por exemplo, enquanto escrevia este post aqui sossegada no computador, já vieram falar comigo 3 vezes. Não sei como é que (às vezes!) consigo ser um adulto funcional na sociedade!... e estes 7kg que já engordei? Que me estão a deixar tão em baixo? E a ouvir um... "ai filha quando aqui chegaste o teu rabo estava mais para cima, está a ficar com um aspecto tão mole..."... Cruzes, salvem-me deste filme!


 


Gostava de me ter tornado alguém com mais auto-estima e confiança. Tinha-me ajudado muito mais e a minha vida podia estar muito melhor, ao invés deste mar de críticas constantes que não ajudam nada e que sempre ouvi durante a minha vida toda... ainda assim escolho aplicar o princípio da gratidão e dizer que agradeço tudo que fizeram por mim e as oportunidades que tive na vida. E que isto tudo só me vai deixar mais forte. E que espero não ser assim com os meus filhos...


 

9 comentários:

  1. Também me aconteceu o mesmo quando voltei da faculdade e foi nessa altura que começaram as crises de pânico e ansiedade. Por causa dos problemas do meu pai há dias impossíveis. Uma pessoa fica com os nervos em franja. Mas pronto, eles também não conhecem mais, nem querem mais do que têm e olha, agora já estás por tua conta. Respira

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É tão isto... "Mas pronto, eles também não conhecem mais, nem querem mais do que têm e olha, agora já estás por tua conta. Respira."

      Eliminar
    2. E isso medo acomodar-se o medo inpedeos de avançar e é esse medo é comodismo que te tentam incutir e quase sempre assim com os mais velhos a típica frase " nao penses que vais mudar o mundo", sem preceber em que é com o sonho que a vida avança e mesmo que nso seja possível mudar o mundo e sempre possível mudar o nosso mundo

      Eliminar
  2. Olá desarrumada sei bem o que isso é os meus psis não sao tão opinativo como os teus mas o meu pai tem. Sempre una crítica destrutiva para fazer não só comigo. Para com toda a gente. É sim em casa também estão sempre a discutir a criticar a b ou c e pior criticam mas fazem igual ou pior que o vizinho dou-te um exemplo "ah anda tudo a conprar casa sem fazeres contas achamse ricos esta gente anda doida" dois dias depois" vamos conprar uma casa", lol cono vês não és caso único nem. Os teus pais são uns extraterrestres estranhos e muuto comum não co seguir os coabitar, é não te s de te sentir culpada por muito que esse discurso é essa narrativa que tenham te destrua a autoestima e se eu sei bem como é. O truque é literalmente mandares as opiniões deles as Ortigão e fazeres o que entendes por melhor para ti. Co meteres os teus erros(se tiveres de o fazer) é aprenderes por ti. Só assim as vitórias te saberão melhor. Não te deixes levar pelo marasmo medo que (sem intenção. Os pais são mesmo assim têem medo de ver os filhos mal) incute. Arregaçar as mangas como já fizeste e não tenhas medo de errar. A vida é tua e se é verdade que podes e dever ouvir e aceitar concelhos. Quem decide sobre a tua vida és tu e nunca deixes que seja quem for nem mesmo os teus pais se intrunetam ou decidam por ti. Vive se feliz mas parq que isso aconteça só uma fórmula. Fazeres o que te faz bem o que te completa é faz feliz

    ResponderEliminar
  3. Acho que numa linha geral, este post relata a vida de qualquer jovem que tenha saído da casa dos pais há anos. Sai de lá há sete anos... não consigo passar 15 minutos com a minha mãe em casa sem querer fugir a sete pés. Aquela mentalidade pequenina... de pessoas do interior. São nossos pais, damos o mundo por eles, mas não são exactamente as nossas pessoas.
    Boa sorte a enfrentar o trabalho!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Concordo! E sinto o mesmo :)
      Voltar para Portugal depois de 5 anos fora tem sido complicado e encontrar o meu espaço está complicado - se algum dia o conseguir.
      Costumava tirar férias em Portugal sempre, mas imediatamente percebi que não valia a pena. Passei a vir uma ou outra vez por ano por 2 ou 3 dias no máximo.
      Mas como a C diz, é mesmo a vida de qualquer pessoa da nossa geração nos dias de hoje em Portugal.
      Pensa que não ficas cá para sempre. Que o martírio acaba e que aprendeste a lição

      Eliminar
  4. Os anos passam e as cabeças pioram sempre. Tens mesmo de lidar com eles, mais não seja impores-te a eles...

    ResponderEliminar
  5. Força minha querida, não é fácil voltar-se ao controlo dos pais, mesmo que temporariamente, quando já somos independentes.
    Apesar de os amares percebo que seja frustrante para ti teres de retroceder em tudo aquilo que conseguiste, peso, exercício, alimentação, simplesmente porque eles tem uma percepção da realidade diferente da tua.
    Agora cabe a ti colocares um travão e um limite a essa invasão do teu espaço - não precisas de gritos, nem de guerras com eles. Basta seres assertiva e dizer uma vez aquilo que tens para dizer. Eles são teus pais mas tu és uma mulher adulta, e se eles te amam também tem que te respeitar, a ti e às tuas escolhas.
    Não te afastes da família, mas não deixes que a família te afaste de ti mesmo!

    ResponderEliminar
  6. Porque achas que tive uma fase tão "negativa" sobre a minha família, no blogue, vai para 2 anos?
    Sei que choquei muita gente, mas era cobrança, esta análise constante.
    E, em boa moda de quem está a seguir terapia, alienei, enquanto não me senti melhor, mais capaz de lidar.
    Estive meses largos sem ir a casa, com se morasse noutro país. Não fomentava o contacto telefónico... essas coisas.

    Parte de nós, perceber os nossos limites, os nossos triggers.
    Atuar quanto a eles, na sua compreensão. E depois? Recomeçar.

    Estou nessa fase, e tem corrido bem :)

    Força! ***

    ResponderEliminar

Hoje estou positiva

Hoje é um dia bom, só queria deixar isto aqui para me lembrar de que há momentos sem ansiedade, é aproveitar enquanto duram e lembrar-me que...