sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Como tirar o melhor partido de um in-between?

Depois do trabalho fui às compras. Voltei a fazer HIIT em casa, ando a seguir uns vídeos na internet, e senti uma vontade imensa de comer legumes, abastecer o meu corpo de nutrientes. Fui directa à secção de legumes. Focadíssima. Ainda olhei de soslaio para o corredor dos chocolates, mas não senti vontade. Desta vez não me apanharam, mais tarde.


 


Fazer desporto deixa-me mais concentrada, e ligeiramente mais feliz. O facto de ser sexta-feira também ajuda. Estou naquela fase em que anseio pela sexta-feira à noite, e isso não é bom sinal. As semanas passam a correr e parecem todas iguais. Dias e dias que se seguem. Estou entre duas linhas da to-do list da minha vida. Literalmente à espera do próximo passo. E já tomei uma decisão, só espero o grito de partida que há-de vir.


 


 


Encontro-me neste exacto num momento chamado in-between. Uma fase intermediária entre duas fases da vida diferentes, onde uma pessoa acha, erradamente, que nada de importante acontece.


 


 


Esta fase é descrita como um período da vida entre dois objectivos. Quando já atingimos um e estamos à espera do próximo. Vamos lá analisar isto aplicado à minha vida. Há 1 ano e 2 meses completei uma formação em Paris que me deu muito gozo fazer, algo que nunca pensei ser capaz. A primeira vez que soube da existência dela estava em pesquisas na internet sobre o trabalho existente na minha área em França, pesquisei a área em que queria trabalhar mais a palavra formação e caí no site daquela formação. Lembro-me de pensar algo do género "wow, tirar esta formação deve ser algo de espectacular". Mas na altura estava em Portugal, a recibos verdes, prontinha para outra fase, a emigração, que só veio alguns meses mais tarde e nem era certo se o faria ou não. Estava também, nessa altura, num in-between.


 


Não seria capaz de imaginar, nem nos meus melhores sonhos, que aquela formação, cujo programa só percebi uma palavra em cada três, ia constar no meu currículo, três anos mais tarde. Uma pessoa esquece tudo que já fez, tenho muita tendência para olhar só para o que "ainda não tenho" e a esquecer tudo que já fiz. Um país novo, uma cultura nova, uma língua nova, ganhar competências novas, tudo isto foram coisas que consegui e que o meu cérebro teima em esquecer.


 


 


Quando atinges um objectivo que te parecia inimaginável ele passa a fazer parte do teu dia a dia.


 


 


E como é fácil esquecer o esforço e trabalho que algo exigiu depois de já estar feito. Como é fácil dizer para mim própria: és uma fraca, nunca conseguirás fazer isto e aquilo, a tua vida está estagnada. Quando estou simplesmente numa fase de "entre-dois". Quando sei que isto tudo é um caminho que escolhi percorrer e que já sabia que não ia ser fácil. Emigrar sozinha não é fácil. Apesar de muitas vezes não acreditar nisso e dizer que qualquer um conseguiria... não! Nem todos conseguem! Muita gente insiste em dizer-me coisas do género "deve ser tão difícil estar sozinha noutro país, eu não conseguiria". 99,9% das vezes que ouço isto interpreto-o como uma demonstração de pena, penso que as pessoas têm pena de mim ao dizer isto, que a minha vida é tão porcaria que as pessoas me dizem: ah! coitadinha! Deixar de ligar ao que os outros dizem tem sido o trabalho de uma vida. Um dia chego lá.


 


E se mudasse esta forma de pensar e ouvisse as coisas como as pessoas o querem transmitir? Afinal, estão com pena ou a dizer-me que sou corajosa? E se estiverem com pena? Porque é que acredito neles? A minha vida não dá pena. Sim, estou sozinha noutro país, sim, muito provavelmente se amanhã cair numa cama de hospital só vou ter umas três visitas. Mas não há muita gente que está na mesma cidade que todas as pessoas que conhece e que também se sente sozinho? Porque é que insisto em ter pena de mim própria? A pena não leva a lugar nenhum. Nem a raiva. Nem o medo. 


 


E é nisto que tenho que pegar para me dar força, para prometer a mim própria que vou conseguir vencer os meus medos internos, neste fase de in-between, uma fase que costuma ser sempre das mais assustadoras da minha vida, e ao mesmo tempo das mais entusiasmantes. Uma fase em que uma pessoa pode simplesmente deixar-se levar e tirar algum tempo para cheirar as flores. Afinal, nesta fase não há nada para correr atrás, é só viver um dia de cada vez.


 


 


 


Sei que tenho falado bastante de ansiedade e medos aqui no blog, mas isto faz parte de mim desde que sou gente. Tive insónias no primeiro dia da escolinha com 6 anos, quando fui para o 5º ano, secundário, universidade e primeiro trabalho. Até a escolha do meu curso me provocou ataques de pânico, vómitos à noite, queda de cabelo, durante 2/3 meses, desde as candidaturas até ao dia em que saiu o resultado da 1ª fase. Com cerca de 3 anos eu entrei em pânico à noite porque tinha que aprender as formas triângulo, círculo, quadrado e rectângulo para o dia seguinte, porque a professora ia fazer perguntas sobre isso. Nessa noite não dormi. Por causa de um estúpido triângulo. Com 3 anos. Primeiro ataque de ansiedade. Não dormi. Por isso, sou assim desde que me conheço e vou falar disso no meu blog até me cansar. Escreverei sobre este assunto até me doerem os dedos. Até o fogo que me arde por dentro se extinguir.


 

8 comentários:

  1. Revejo-me tanto neste teu texto neste e noutros que aqui vais publicando. Ansiadade medo algo que também me caracteriza mas sim minha cara quando te digo que nso deve ser fácil nso e pe a é sim um enorme elogio um elogio por teres a coragem de enfrentar o medo que certamente sentiste por teres a coragem de arriscar de mudar de ir de enfrentar o desconhecido que eu e tantos como eu não têm ou não tiveram. Não me vejo sozinho num país longe do meu só a ideia dá-me urticária ataques de pânico. Por isso sim gabote a coragem e deves ter muito orgulho de tudo o que já conseguiste so não deixes que essa fase intermédia se instale por muito tempo porque as vezes faxnos duvidar de nós mesmos quando demoramos muito te pó a co seguir algo que queremos muito ou a começar a batalhar por esse objectivo Pomona em causa instala-se o medo a dúvida o que nso ajuda a atingir objectivos. Conheço bem essas sensações e a ideia do ru n sou fraco pa same tantas vezes pela cabeça e pior pelo coração. Mas eu sou diferente de ti não tenho a tua coragem nem a tua determinação. Escreve até que te doam os dedos desabafa eu pessoalmente agradeço ler estes textos inspiradores

    P, S recomendei te a pessoa que me contactou por parte da fixando acho que mereces

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  2. Partilha tudo o que tens dentro de ti e lembra-te que cada um tem o seu percurso - não vamos todos para o mesmo sítio e jamais chegaremos na mesma altura. Às vezes, é preferível chegar tarde, mas no tempo certo! Força! Beijinho *

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    1. Ohhh, é bem verdade o que dizes! Partilharei sempre! Obrigada ;)

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  3. Deixa-me que te diga: quando te dizem "deve ser tão difícil estar sozinha noutro país, eu não conseguiria" só deves levar isso como um elogio. Porque é o reconhecimento de que tu és tão capaz,mais capaz que os outros que o dizem.
    E isso é verdade.
    Fala do que quiseres! Somos todos ansiosos, uns mais de que os outros...
    B'jinhos

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    1. Obrigada Fátima! é tão bom ler estas palavras de apoio! Tenho muita dificuldade em ouvir elogios é verdade... mas tenho mesmo que parar de ter pena de mim própria... :)
      A ansiedade afecta mesmo muita gente! como tu dizes uns mais que outros, temos que dar as mãos e ser todos "irmões", este mundo dos blogs ajuda bastante :)

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  4. Escrever ajuda a organizar ideias, portanto não deixes de o fazer!!

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    1. Obrigada... acho que estou a conseguir passar a ideia do quanto este blog me tem ajudado e isso é bom...

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