segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Deixar a sua marca.

O colhão com pernas foi embora e eu pensava que ia ser assunto para várias semanas. Afinal já ninguém se lembra dele. Que vida madrasta esta que permite que uma pessoa trabalhe 22 anos num sítio e seja esquecida mal vira a esquina. Isto faz-me pensar muito. Às vezes penso demais. Gostava de acreditar que quando sair deste local de trabalho, deixarei uma marca. Que alguém, nem que seja uma pessoa, vai continuar a falar de mim. Isto tudo faz-me pensar no filme Coco. Para continuarmos a viver no "além" alguém tem que se lembrar de nós em vida. Mas não é fácil ser lembrado quando se sai de um local de trabalho. É preciso fazer-se algo de realmente especial. Eu tento sorrir todos os dias, mesmo quando estou cansada e quase a cair para o lado a olhar para aqueles colegas de merda que tenho. Opah... hoje estavam lá num canto a fazer exercícios com os halteres em frente aos doentes. Que falta de profissionalismo. Apetecia chegar lá e dizer "pagam-te para fazeres estas merdas no trabalho?". Crianças. Ainda bem que a maior parte se vai embora daqui a umas semanas. Sim, porque como não podíamos ir todos de férias de Natal ao mesmo tempo a malta toda decidiu despedir-se para deixar a entidade patronal em maus lençóis... 


Esta gente sente-se tão entitled, como se o mundo lhes devesse tudo. Como se fosse impossível continuar a viver enfrentando uma contrariedade. Tenho pena deles, exteriormente fico com a sensação que eles conseguem sempre levar a deles avante, mas por dentro devem ser miseráveis. Imagino-os em ponto pequeno, com 5 anos, a chorar enrolados em posição fetal porque os paizinhos não lhes deram o brinquedo para brincar, ou não serviram o jantar que eles queriam, ou tiveram o desplante de lhes dizer um "não".


Se a vida desmoronasse ou toda a gente se despedisse, só porque ouviu um não do chefe, este mundo estava todo fodido. Ainda mais do que aquilo que já está. O mais incrível nisto tudo, é que esta gente quando for embora vai deixar uma marca e os que fazem o bem são logo esquecidos.

7 comentários:


  1. ha tantos e tantos assim. Eu, apesar de trabalhar no mesmo sitio a 18 anos, acredito que quando me for embora, que poucas vezes se vão lembrar de mim. Possivelmente lembram-se quando estiverem em desespero e precisem de resolver problemas. Mas de resto, nada.
    Infelizmente cada vez mais, os colegas só olham para o proprio umbigo e nao querem saber dos outros.

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  2. A malta nasce logo com direitos mas sem quaisquer deveres...

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  3. Uma realidade muito triste... Os que fazem o bem são sempre mais facilmente esquecidos...

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  4. A vida é sempre assim. Todos somos lembrados, enquanto cá estamos. Depois... Depois nunca se sabe.
    Beijinhos

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  5. Segundo sei o dito era uma nódoa e talvez por isso ele até seja lembrado mas pelas piores razões e todos o façam por esquecer quanto a essas cridncinhas grandes essas atitudes so demo stream a fslta de educação cívica que tiveram em pequenos terão certamente sido crianças mimadas e protegidas do mundo em demasia te fo crescido com a ideia de que vale tudo porque têem de garantir que levam a deles avante 

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