Tenho uma ursa de peluche chamada Dodoca. Foi-me oferecida aos 10 anos pela minha mãe, com o pretexto de eu ter sempre a companhia da mamã para dormir.
Na altura já tinha muitas insónias e não conseguia adormecer à noite, ora porque tinha medo do amanhã - ansiedade, ansiedade, ansiedade - ora porque estava longe da minha mãe.
Na altura a minha mãe disse-me que a Dodoca era um peluche mágico, ela permitia-me sentir a presença dela, onde quer que estivesse, mesmo estando muito longe! Eu acreditei, afinal, aos 10 anos as mães não mentem nem têm dúvidas, sabem sempre o melhor para nós.
A Dodoca acompanhou-me desde os 10 anos até à minha entrada na universidade. Quando fui para Aveiro estudar não a levei. Durante a minha primeira visita de fim de semana a casa, a minha mãe fez questão de, sorrateiramente, meter a ursa dentro da minha mala. E lá foi ela de comboio comigo para Aveiro. Por lá ficou, durante os 4 anos em que estive a tirar o curso, e durante o primeiro ano e meio de trabalho.
Depois vim para França. E a Dodoca regressou à base, sentada entre as almofadas da minha cama de adolescência.
Quando vou a Portugal tento sempre trazê-la para França, completamente esborrachada dentro da mala de cabine do avião. Mas antes de vir embora, não sei como, a minha mãe volta a tirá-la sorrateiramente "Então agora vais levar a ursa daqui para França? Nem pensar!" diz-me ela falsamente indignada quando lhe pergunto onde escondeu a Dodoca.
De há uns tempos para cá, e sobretudo desde que disse à minha mãe que ia morar para Paris, ela tem falado comigo ao telefone no meu quarto, ao lado da ursinha de peluche. E de vez em quando manda-me fotos dela. Acho que têm passado muito tempo juntas.
Parece-me que nos últimos anos a Dodoca mudou gradualmente de função. Antes a sua magia tinha o poder de acalmar uma menina quando esta estava longe da mãe, hoje em dia ela acalma uma mãe que está longe da filha. Por mim, desde que me apercebi desta nova habilidade da Dodoca, nunca mais tentei trazê-la comigo. E está tudo bem assim.
Mamã sofre...
ResponderEliminarEla não sofre... mas é capaz de estar com algumas saudades da filhota, ainda por cima agora que ficou com o ninho vazio porque o meu irmão se foi embora
EliminarMuito bom!!!
ResponderEliminarObrigada Maribel , adorei escrever este post sobre a minha mamã
EliminarOh ... que lindo post Desarrumada. Adorei!! Também tenho alguns objectos das minhas filhas que ficaram lá em casa e que sempre que olho, parece que estou com elas. É tão confortante!!!
ResponderEliminarOhhhh! Então parece que há muitas mães assim que bom!
EliminarOs meus pais fizeram questão de ficar com o meu pet quando vim embora com a desculpa que a minha casa era muito pequena... ainda hoje lá está. É uma parte de nós que fica no ninho
ResponderEliminarÉ verdade, parece que querem guardar algo nosso como objecto de transição... como fizeram connosco quando eramos pequeninos
EliminarOh que bom! <3
ResponderEliminarMuito bom, a minha mãe é uma fofa
EliminarTão bom!!!! Adoro!
ResponderEliminarA minha filha mais velha tem um boneco desde sempre... são inseparáveis! Manos quando vai dormir a casa das amigas...
Ahhh, quando ela vai dormir a casa das amigas é a Marquesa que fica com o boneco?
EliminarNão!!! Nada disso! Fica mesmo abandonado na cama dela... ela não o leva por vergonha!
EliminarÉ verdade, a Dodoca agora fica a dar miminhos à mamã!!
ResponderEliminarsiiiim, e a mamã toda contente
EliminarOs bonecos mágicos são assim: têm muita capacidade de se adaptar!
ResponderEliminarSim, a Dodoca tem um poder de adaptação especial
Eliminar❤️
ResponderEliminarQue história tão linda!
ResponderEliminarQue lindo!! :)
ResponderEliminarUma pergunta impõem-se: a Dodoca faz descontos para o IRS?
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