segunda-feira, 15 de abril de 2019

Podem os objectos ser um peso? Minimalismo.

Como já sabem vou mudar-me para Paris! E como tal, os 53 metros quadrados que alugo agora, por lá são tipo um sonho só acessível a carteiras muito mais gordas do que a minha... digamos que os meus ganhos só me permitem pagar por uns míseros 12 metros quadrados. E por isso tomei a decisão de destralhar mais de metade das minhas coisas e viver, finalmente, uma vida dedicada ao minimalismo e zero waste (ou low waste, porque zero lixo na sociedade actual é quase impossível!), algo que sempre desejei! 


 


 


Nunca fui capaz de viver este estilo de vida ao máximo porque sempre fui menina de fazer compras inconscientes e por impulso! Já estou muito melhor... quem acompanha o blog de certeza que se vai lembrar daquela vez que gastei mais de 300€ em compras de roupa, em 4 horas... e imaginem fazer isto vários fins-de-semana seguidos. Só me apercebi que era um erro fazer isto quando chegaram os impostos do primeiro ano em França para pagar... acreditem, era emigrante, ganhava o triplo do que ganhava em Portugal, mas mesmo assim, passei por um mau momento financeiro que nem é bom lembrar... Mas essa fase já passou, e agora ganhei juízo!


 


 


Hoje apercebo-me de outro motivo, para além das poupanças efectuadas, pelo qual é um erro comprar tudo e mais alguma coisa que nos aparece à frente... fazer mudanças! Quando estamos no mesmo país que os nossos pais é muito fácil chegar a casa deles - sendo que a minha geração é na sua maioria fruto de uma geração que comprava casa própria e ficava a vida toda no mesmo sítio - e despejar por lá 4 ou 5 caixotes de cada vez que mudamos de casa. Been there, done that!


 


 


Mas, segundo especialistas da organização e minimalismo, o facto de despejarmos todos os nossos pertences na casa dos nossos pais ou fazermos ofertas "simpáticas" a amigos, primos, irmãos, não nos ajuda... muito pelo contrário, só nos desculpabiliza, acreditamos que se os objectos estão longe da vista, já não nos afectam...


 


 


Mas é mentira, cada objecto que adquirimos fica para sempre no nosso mundo. 


 


 


Basta ir a casa dos meus pais e ver um conjunto de utensílios de casa-de-banho que tinha comprado algures em 2014, na loucura de "decorar o apartamento onde moro durante o meu primeiro ano de trabalho, porque eu-trabalho-eu-posso"... sim, aquele dispensador de sabonete líquido de madeira é muito Zen e extremamente giro, mas quando decidi emigrar e mudar de país, não fez sentido trazê-lo comigo. E pumba! Ficou a ocupar espaço em casa dos meus pais... mas qual é a alternativa? Deitar fora? Dar? A quem? Os meus pais não precisam, só usam sabão azul... E deitar fora um objecto perfeitamente em bom estado? Não me parece... Vender? Quem vai comprar um objecto que me custou 3€ no Jumbo? Pois...


 


 


Podem então os objectos que compramos ser um peso na nossa vida?


 


 


Sim. Os objectos que compramos podem ser um peso na nossa vida. Podem deixar de fazer sentido... e depois, ficamos sem saber o que fazer com eles. E digo-vos, saber que temos três ou quatro caixotes de tralha "da casa" que não sabemos onde meter, nem o que fazer com eles, de objectos que ninguém vai comprar, e que são demasiado baratos para doar... é uma dor de alma. Juro. E podem ser coisas tão simples... Dou um exemplo actual: custa-me não saber o que fazer aos tapetes de casa-de-banho, quarto, sala e cozinha, que tenho agora sabendo que vou para uma casa que só tem uma divisão... 


 


 


Outros objectos que são extremamente difíceis de destralhar!


 


- Souvenirs de viagens (sobretudo aqueles ímans de frigorífico que só cabiam porque tinhamos um frigorífico normal... que fazer quando passamos a ter um frigorífico de mini-bar?);


- Coisas oferecidas; 


- Livros não lidos (mesmo que saiba que não vou ter vontade de os ler, custa-me livrar-me de livros que comprei e dos quais não usufruí);


- Roupa de estar por casa (mesmo quando já está horrível e a cair aos pedaços, custa deitar fora porque é tããão confortável... mas não tenho espaço para a guardar);


- Produtos de cosmética encertados mas não acabados;


- Comida encontrada na despensa e fora do prazo (esta não tem explicação... sou desorganizada nas compras e muitas vezes pago coisas que não como. Não tem desculpa...)


- Móveis que estão em bom estado e que adoramos, mas não cabem na casa nova... 


 


 


Por isto tudo é que estou a levar um pontapé na boca imaginário quando vejo a tralha toda que tenho... dou por mim a dizer a mim própria, vezes sem conta: "pensa muito bem antes de trazeres algo para casa...", "pensa em mudanças futuras", "tenta manter-te leve, na alma e no teu espaço físico".


 


 


A Marie Kondo fala muito na importância de só possuirmos objectos que nos despertem alegria. E eu tenho perfeita noção que tenho muitas coisas que não gosto, que uso roupa só porque comprei caro num impulso qualquer, que utilizo produtos só porque tenho que os acabar... isto não é vida minha gente! Sinto-me escrava dos meus objectos! E sei que há por aí mais gente na mesma situação...


 


 


Que inveja tenho daquelas pessoas que metem tudo que possuem numa mochila de 60L e vão fazer a volta ao mundo. Sem preocupações.


 


 


Questões que tento fazer a mim própria antes de comprar algo:


 


- Preciso mesmo disto?

- Tenho outro objecto que possa fazer a mesma função ?


- Preciso mesmo de levar 6 ímanes do frigorífico, um peluche e 3 boomerangs para me lembrar da Austrália? Preciso mesmo daquela cabine telefónica de 20cm para me lembrar da viagem a Londres? etc, etc...


- O preço deste objecto cabe no meu budget mensal? 


- Daqui a quanto tempo penso ler este livro?  (se for mais de 1 mês:  não comprar!) 


- Esta peça de roupa vai acrescentar algo ao meu guarda-roupa? 


 


marie_kondo_ordem_na_casa.jpg


Tidying Up by marie Kondo: se estão à procura de uma serie que vai mudar a vossa vida. Vejam esta. Eu fiquei viciada... e aconselho imenso!


 


 


E vocês, como lidam com os objectos da vossa vida? Gostam de tudo que possuem? Tudo que está na vossa casa é útil ou desperta sentimentos positivos?


 


Beijo na bunda!  


 

12 comentários:

  1. Hum!!!... identifico-me na tua descrição... iniciei a minha fase de "destralhanço" há alguns anos (e mantenho-me no "rumo certo", "Graças a Deus"!!!)... a verdade é que me sinto muito mais "leve"... tornei-me muito (mas, mesmo, muito) criteriosa naquilo que compro... tem sido Maravilhoso!
    (O "problema" é que... tenho uma casa (enorme) que, decidi vender... e... agora tenho milhões de coisas que não sei o que fazer com... enfim...)

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    1. Aiii querida... porque vais vender? Eu se vivesse no Algarve como tu agarrava-me ao meu património imobiliário com unhas e dentes  Sim, a parte maravilhosa de destralhar é que nos sentimos logo mais leves!  beijocas boas 

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    2. Oi Linda!
      Com a minha mudança de Vida... deixei de precisar de usar a casa... e, neste momento, quero mesmo, libertar-me das coisas materiais e deixar de ter encargos (ainda tenho uma pequena parte do crédito habitação para pagar)... e... usar o dinheiro da venda da casa para orientar a minha (nova) Vida!
      Acredita que, o "desapego" das coisas materiais dá-nos, mesmo, uma sensação de liberdade espectacular... uma outra "leveza"... é MARAVILHOSO!!!
      Beijo Grande

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  2. Mudar de país fez-me repensar um milhão de compras. Já andava a tentar fazer isso em PT mas quando para a minha casa a esta distancia penso que está cheia de tralha. Tralha que nunca me fez falta neste anos que já estou longe e que nunca vai voltar a fazer.
    Aqui compro mesmo só o que preciso e às vezes penso "se tiver de voltar para casa o que faço com isto?". 
    Claro que às vezes ainda compro só por comprar pq tb faz parte do mimo de quem trabalha. Mas mto menos.
    Com menos coisas tb percebes que arrumar e limpar é mto mais facil :-)


    As coisas por mto baratas que tenham sido se estiverem boas para usar estão boas para doar. Nem que seja a uma instituição que faz quermesses. 
    (Mas ainda acho que livros nunca são demais. Se quiseres doar algum podemos negociar)

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    1. Boa! Efectivamente emigrar faz-nos ver os bens materiais de outra forma que quem nunca saiu do país talvez tenha dificuldade em perceber... deixa-me ansiosa saber que tenho muita coisa em casa dos meus pais... e estar aqui sozinha e ter que levar tudo atrás quando mudo de casa é outra situação que me deixa a trepar paredes... fico com pena de não ter tido este "abre-olhos" mais cedo! Mas nunca é tarde para mudar a nossa visão da vida  beijocas

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    2. Ainda estás muito a tempo. Eu sou bem mais velha que tu ah ah ah
      Mas tenho uma casa em Portugal ainda cheia cheia cheia...
      Mas aqui tenho mais atenção para não encher a casa de coisas que não preciso.
      Mas mm assim sinto que tenho demasiadas coisas.


      Já estou a planear o meu projecto de selecção quando daqui a um mes ficar "in between jobs".


      Mas não penses muito nisso. A ansiedade não te faz bem. Se tens coisas que gostas mas só ocupam espaço, tira fotos de recordação.
      Se tens coisas em boa estado que não queres ou não consegues vender poe direitinho ao pé de um contentador de lixo numa zona que não seja chique. De certeza que alguem vai aproveitar.

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  3. Ai Desarrumada .... sou uma mulher de tralhas, tenho uma casa enorme e vou guardando tudinho. Ainda por cima o António não quer deitar nada fora .... é um stress!!! Mas vou mudar!

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  4. Em 2017 mudei 3 vezes de casa, e compreendo o que tu estás a passar. A diferença foi que nunca tive vontade de comprar coisas "inúteis". 


    Uma coisa das coisas que me ajuda a destralhar é dizer obrigado às coisas antes de as mandar fora da minha vida. Quando li esta sugestão da Marie Kondo achei ridícula, mas a verdade é que funcionou comigo. 


    Em relação aos tapetes e outras coisas de decoração, podes experimentar deixa-los na entrada do prédio (se for permitido), se calhar há alguém que precisa e que os vai levar. Eu arranjei 2 tapetes e uma máquina de café assim, de alguém que os deixou junto ao elevador do meu edifício. 


    Boa sorte 

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  5. Como te compreendo.  Sou igual. Às vezes,  mas mesmo só às  vezes,  tipo 2 vezes por ano , Como.mta mágoa desfaço- me de algumas coisas. O Grande recetor das coisa q não uso é a garagem, o carro, coitado, perdeu abrigo e fica na rua. Mas lá estão as caixas todas alinhadas com tralha e mais tralha. 

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  6. Desde as minhas experiências profissionais em Auditoria de Qualidade em lojas de centro comercial a minha visão mudou radicalmente ao ver as compras muito impulsivas e fúteis que eram devolvidas no dia seguinte (não estou a brincar!). Nunca fui de grandes gastos, mas nem sempre resistia a uma blusinha gira ou uma camisolita que só ficaria bem, exclusivamente, com um par de calças. Comecei a ser mais consciente com as minhas coisas e com aquilo que adquiro e cada vez mais tenho consolidado esse estilo de vida. O meu roupeiro está cada vez mais funcional, dooei muitas coisas e agora o próximo passo, é realmente ir a casa dos Pais e despachar o que está por lá; porque é o que dizes e que já li há muito tempo, as nossas coisas permanecem por lá e continuam a trazer-nos peso a nós e a quem as está a "albergar". Tenho consumido muita informação sobre minimalismo e simplificação e faz todo o sentido para mim também. Há outra coisa que mantenho presente antes de adquirir algo (e talvez já tenhas lido isto algures também): "nós não compramos as coisas com dinheiro, mas com horas da nossa vida." (traduzido do inglês)
    Boas mudanças! :)

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  7. Estou a passar o mesmo processo que tu.
    Para mim é a terceira mudança, mas desde de cedo, sempre levei o mínimo de objetos para as minhas casas, em duas carradas consigo levar as minhas tralhas.
    Outra coisa que faço é o que chamo de fim de série, 2 meses antes da minha saída, gasto tudo o que tenho nas despensa e frigorifico só cozinho o que tenho.
    No meu dia a dia, sou muito ponderado nas comprar para evitar monos.

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  8. Ia comentar, mas saiu um post em vez disso 😅

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