domingo, 6 de outubro de 2019

Na lavandaria.

Domingo é dia de lavar a roupa na lavandaria. E estava aqui a ver se a lavagem estava muito avançada quando chegou uma rapariga asiática, talvez chinesa, com uns envelopes fechados na mão.


 


Ela meteu a roupa dela para lavar e começa a abrir os envelopes descontraidamente...


 


Eu estava na minha vida quando, de repente, ouço a rapariga aos gritos ao telemóvel, numa língua desconhecida para mim, enquanto gesticula com os papéis na mão. Furiosa. 


 


Começa a gritar cada vez mais, e entretanto a chorar com os nervos e a bater com os papéis em cima da mesa. Não sei o que estava a dizer, mas pelas expressões faciais e linguagem corporal devia ser algo que se assemelhe a umas boas caralhadas.


 


Fui correr (costumo dar uma corridita enquanto a roupa lava) e ao passar por trás da rapariga, de forma a sair da lavandaria, reparei que a carta que ela estava a abanar no ar, e talvez, com muita vontade de queimar, tinha um símbolo azul que tem vindo a tornar-se muito familiar para mim nos últimos 4 meses. 


 


Era o símbolo de uma das entidades que cobra os impostos dos trabalhadores liberais aqui em França.


 


Percebi tudo. E naquele momento, inundada de uma empatia sem par, fiquei com vontade de a abraçar, talvez deitarmo-nos no chão em posição fetal, e largar uma lágrimazita de tristeza com ela.


 


Para o ano já é a minha vez. 


 


Foda-se. 


 


Somos lixados, enrabados, sugados até ao tutano. Mas ao menos choramos juntos.


 


Boas eleições malta.


 


Beijo na bunda! 💋 

2 comentários:

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